Numa comunidade ribeirinha a 25 km de Manaus, o professor Clércio de Almeida montou um sistema de energia solar com sucata eletrônica jogada fora e acabou com os dias sem aula na escola de São João do Tupé, onde a falta de luz vivia parando as aulas e travando até a merenda das crianças.
Tem gente que olha para um monte de equipamento eletrônico velho e enxerga lixo. O professor Clércio de Almeida olhou e enxergou uma usina solar. Numa comunidade ribeirinha a 25 km de Manaus, onde a luz faltava tanto que a escola chegava a ficar dias sem aula, ele juntou aparelhos descartados, painéis, baterias e controladores e montou um sistema solar que funciona de verdade. O resultado é energia solar com sucata eletrônica, feita do que os outros jogaram fora, mantendo a Escola Municipal São João do Tupé de portas abertas.
O caso foi mostrado pela revista Brasil Energia, que acompanhou a virada na comunidade ribeirinha. O projeto foi apresentado em 2026 na feira Amazonas Óleo, Gás e Energia, uma das maiores do setor na região, como prova de que a transição energética na Amazônia pode nascer de soluções simples e criativas. Em São João do Tupé, a falta de luz que parava a escola virou caso de inovação.
Como a sucata eletrônica virou um sistema de energia solar

Em vez de comprar equipamento novo e caro, Clércio de Almeida partiu de aparelhos eletrônicos descartados e esquecidos para montar um sistema solar do zero.
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Juntando painéis solares, baterias, inversor e controlador de carga, ele transformou o que seria lixo num gerador de energia limpa para a escola.
O conjunto funciona como qualquer sistema fotovoltaico.
Os painéis captam o sol forte da Amazônia, as baterias guardam essa energia, e o inversor e o controlador entregam eletricidade estável para os aparelhos da escola usarem o dia inteiro.
A diferença é a origem das peças.
O que normalmente custaria caro saiu de equipamentos jogados fora, provando que dá para fazer energia solar com sucata eletrônica e ainda manter tudo funcionando.
É engenharia de reaproveitamento na veia.
Onde muita gente via um amontoado de tranqueira, o professor montou energia solar com sucata eletrônica capaz de segurar a rotina inteira de uma escola ribeirinha.
Tecnologia limpa nascida do descarte.
Dias sem aula: o problema que a luz resolvia
Para entender o tamanho da solução, é preciso ver o tamanho do problema.
Em São João do Tupé, o acesso à energia elétrica sempre foi difícil, e essa falta batia direto na sala de aula.
Sem luz, a escola simplesmente parava, e os alunos chegavam a ficar dias sem aula esperando a energia voltar.
A situação piorava em uma época específica do ano.
Segundo o professor, a falta de eletricidade pesa ainda mais na estação seca, o chamado verão amazônico, quando o calor aperta e tudo na escola depende de energia para funcionar.
Sem luz, não há bomba puxando água, não há ventilador, não há como preparar a merenda.
E sem essas condições básicas, mandar as crianças para a escola vira impossível.
Era um nó que nenhuma reclamação resolvia.
A comunidade ribeirinha precisava de uma fonte de energia confiável, e foi exatamente isso que o sistema solar do professor entregou.
A luz que faltava era a peça que destravava tudo.
Quem é o professor Clércio de Almeida
Por trás da invenção há um educador com cabeça de pesquisador.
Clércio de Almeida é professor e pesquisador, e batizou o trabalho de “A energia solar como alternativa sustentável para a Escola Municipal São João do Tupé”.
Em vez de esperar uma grande obra do poder público, ele resolveu colocar a mão na massa e construir a própria solução.
O projeto não nasceu sozinho.
A iniciativa de Clércio de Almeida teve apoio da FAPEAM, a fundação de pesquisa do Amazonas, dentro do esforço do Governo do Estado de levar ciência e tecnologia para o interior, segundo a própria FAPEAM.
O reconhecimento veio numa vitrine de peso.
O trabalho de fazer energia solar com sucata eletrônica foi apresentado na conferência Amazonas Óleo, Gás e Energia, ao lado de outros projetos de energia solar apoiados no estado.
Um professor de comunidade ribeirinha dividindo palco com o setor de energia.
É a prova de que boa ideia não escolhe endereço.
São João do Tupé, a 25 km de Manaus

São João do Tupé fica a 25 km de Manaus, numa zona rural ribeirinha dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé.
Apesar de estar relativamente perto da capital amazonense, a comunidade convive com a realidade de quem mora longe da rede elétrica estável.
A distância engana.
Em linha reta o trajeto até Manaus é curto, mas as condições de infraestrutura de uma comunidade ribeirinha na Amazônia são bem diferentes das de um bairro urbano.
É justamente esse tipo de lugar que mais sofre com a falta de energia.
Escolas, postos e casas dependem de soluções próprias quando a luz da cidade não chega com firmeza até São João do Tupé.
Por isso o sistema do professor faz tanto sentido ali.
Numa comunidade ribeirinha cercada de rio e floresta, gerar a própria energia solar é mais do que conforto, é o que mantém serviços essenciais de pé.
A autonomia vira questão de sobrevivência da escola.
O que mudou na escola
O impacto do sistema aparece nas tarefas mais simples do dia a dia.
Com a energia garantida, a escola passou a ter bombeamento de água, preparo da merenda, limpeza, banheiros funcionando, ventiladores ligados e iluminação nas salas.
Tudo aquilo que parava por falta de luz voltou a funcionar com a energia vinda do sol.
Mas o ganho maior é outro.
O próprio professor aponta que o principal benefício foi o fim da suspensão das aulas: antes elas não aconteciam quando faltava energia, e isso deixou de ser um problema.
Ou seja, o sistema atacou a raiz da questão.
Não se trata de luxo nem de tecnologia para enfeitar, e sim de garantir que as crianças de São João do Tupé tenham aula todos os dias.
A escola deixou de refém da concessionária.
Com geração própria, São João do Tupé ganhou previsibilidade, e o calendário escolar parou de depender de quando a luz resolve aparecer.
Educação que não apaga junto com a energia.
Quando o lixo eletrônico vira energia limpa
A história do professor toca num problema que vai muito além da Amazônia.
O mundo produz montanhas de lixo eletrônico todo ano, e boa parte desse material ainda tem componentes úteis que acabam apodrecendo em aterros.
Reaproveitar esse descarte para gerar energia limpa é unir duas pautas urgentes: redução de resíduos e acesso à eletricidade.
É aí que o caso ganha força de exemplo.
Mostrar que é possível fazer energia solar com sucata eletrônica derruba a ideia de que energia renovável é sempre cara e inalcançável para quem tem pouco.
O modelo é, antes de tudo, replicável.
Outras escolas e comunidades isoladas Brasil afora poderiam adaptar a mesma lógica de reaproveitar equipamentos e montar sistemas solares de baixo custo.
E o recado ambiental é duplo.
Cada aparelho que vira parte de um sistema solar é um item a menos no lixão e um pouco mais de energia limpa rodando numa comunidade ribeirinha.
Sustentabilidade que começa no que a gente joga fora.
O que o caso do professor Clércio mostra
A maior lição é sobre criatividade diante da falta de recursos.
Clércio de Almeida provou que não é preciso esperar uma usina bilionária para resolver um problema real, e que conhecimento aplicado pode valer mais que orçamento gordo.
Onde faltava luz e sobrava equipamento velho, o professor montou energia solar com sucata eletrônica e devolveu o futuro para uma escola.
Vale, claro, manter o pé no chão.
O sistema foi feito na escala de uma escola e nasceu como projeto de pesquisa apoiado pela FAPEAM, então é uma solução local e adaptada, não uma usina de grande porte pronta para abastecer cidades inteiras.
Ainda assim, o valor do exemplo é enorme.
Numa comunidade ribeirinha a 25 km de Manaus, a transição energética deixou de ser discurso e virou a luz acesa numa sala de aula de São João do Tupé.
Do lixo eletrônico esquecido à energia que mantém a merenda quente, Clércio de Almeida mostrou que inovação de verdade às vezes cabe no que os outros descartam.
E você, imaginava que dava para montar um sistema de energia solar com sucata eletrônica e ainda salvar o ano letivo de uma escola inteira? Conta pra gente nos comentários o que você acha desse tipo de solução criativa para levar energia limpa às comunidades isoladas do Brasil.
