Com menos pinhão, produção recua e colheita atrasa; a pinha verde na araucária ajuda a explicar por que 2028 pode ser maior.
A produção de pinhão neste ano deve ficar entre 30% e 35% menor, e a colheita também aparece atrasada, segundo a avaliação feita na comunidade de Cambuim, no interior de Videira, durante uma conversa com o produtor Benjamim Bartolomeu, na propriedade Recanto do Tigre, em um período em que o comércio costuma ser liberado a partir de 1º de abril.
Ao mesmo tempo, uma observação simples em um galho de araucária levantou uma expectativa que chamou atenção: 2028 aparece como a grande virada, com sinais de que pode haver uma produção muito maior, desde que alguns riscos no caminho não derrubem as pinhas. E o motivo dessa aposta está literalmente pendurado na árvore.
Menos pinhão no ano e um sinal claro nas araucárias
Benjamim Bartolomeu afirma que vê, na prática, menos pinhão nesta temporada porque as araucárias estão com poucas pinhas. A estimativa citada na conversa é de queda de 30% a 35% na produção, algo que ele diz notar ao comparar com outros anos na própria propriedade.
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Mesmo com pinhas que podem vir bem carregadas quando amadurecem, o problema é a quantidade menor de pinhas no conjunto. É o tipo de detalhe que o consumidor só percebe quando a oferta diminui nas bancas, e aí surge a pergunta inevitável: por que isso aconteceu agora?
Colheita atrasada: a pista está na pinha verde

Além de menos pinhão, a colheita aparece atrasada. O produtor relata que, nesta época, já era para estar debulhando, mas ainda há pinhas verdes no mesmo galho em que também aparecem pinhas mais maduras, um contraste que ele usa como exemplo do atraso.
Na prática, isso significa que parte do pinhão ainda não atingiu o ponto ideal. E quando o fruto não está pronto, a diferença não é só visual. O sabor muda, a textura muda e a experiência muda, e isso pode pegar muita gente de surpresa nas primeiras compras. E aqui entra um alerta que ele faz com insistência.
Pinhão verde e pinhão maduro não são a mesma coisa
Benjamim chama atenção para a colheita antecipada de pinhão no fim de março, feita por algumas pessoas para vender assim que chega 1º de abril. Ele descreve o fruto verde como “com só água”, com menos sabor e pior resultado na cozinha.
A avaliação dele é direta: pinhão maduro é o que entrega gosto e qualidade, tanto na sapecada quanto na panela. E a forma mais simples de perceber isso é observar a aparência e a firmeza do fruto, além do estágio da pinha. No fim, a pressa pode fazer o consumidor levar para casa um produto que não corresponde ao que espera. E tem mais um detalhe curioso.
Por que o lado sul do pinheiro entra na conversa
O produtor comenta que o pinhão tende a amadurecer antes no lado sul do pinheiro. A recomendação prática dele é que, na hora de observar a maturação, vale dividir mentalmente a árvore e comparar os lados para entender onde o fruto está mais adiantado.
Esse tipo de leitura do pinheiro, feita no dia a dia de quem convive com araucária, ajuda a explicar por que, em um mesmo período, pode existir pinhão em pontos diferentes de maturação. E é justamente olhando galhos e estágios que ele chega ao ponto mais esperado da conversa.
2028 como virada: o que o galho “mostra” sobre o pinhão
Ao apontar um galho, Benjamim descreve uma sequência de anos e explica que o pinhão demora cerca de dois anos para ficar pronto. Na leitura dele, 2027 já tende a aumentar um pouco em relação a este ano, mas 2028 é o que mais chama atenção pela quantidade de estruturas que podem virar pinha.
Ele afirma enxergar ali cinco pinhas projetadas para 2028 e diz que costuma observar um padrão de safra boa a cada cinco anos. A ideia de uma “virada” em 2028 nasce dessa comparação direta, feita na árvore, sem depender de adivinhação. Só que essa virada tem um inimigo que pode aparecer antes.
A broca pode derrubar a expectativa e tudo depende do caminho até lá
O produtor cita o risco de uma broca que ataca a pinha quando ela ainda está pequena, em um período em que ele relaciona ao início da polinização, por volta de setembro. Segundo ele, esse ataque pode fazer a pinha secar e reduzir drasticamente a quantidade final, a ponto de um galho que parecia promissor acabar com poucas pinhas ou nenhuma.
Em outras palavras, mesmo que 2028 pareça um ano de maior pinhão, o resultado final ainda depende do que acontece no meio do caminho. A promessa está no galho, mas a confirmação vem só depois, e é isso que mantém a curiosidade acesa.
Quando a pinha é pequena, o número impressiona e o pinhão aparece bem carregado
Durante a visita, foi mostrado um exemplo de pinha pequena que rendeu uma contagem final de 124 pinhões, depois de estimativas iniciais na faixa de 96 a 110. A demonstração reforça um ponto: quando a pinha chega madura, ela pode concentrar muito pinhão mesmo sem ser grande.
Esse contraste ajuda a entender por que o debate não é apenas sobre tamanho de fruto, mas sobre quantidade de pinhas na árvore e sobre o estágio certo de colheita. No fim, o que decide a safra é o conjunto, e é aí que o cenário de queda neste ano e esperança em 2028 se encaixa.

