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Dois primos que largaram a escola e trabalham na antiga granja da avó garimpam lixo eletrônico em ferros-velhos de Nairóbi e montam um braço protético que obedece apenas ao pensamento, uma mão de sucata capaz de se mover em menos de dois segundos, sem que o usuário precise mexer um único músculo

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 13/07/2026 às 14:09 Atualizado em 13/07/2026 às 14:11
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Imagem: Africanews/Reprodução
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Primos quenianos criam braço biônico feito com sucata eletrônica que responde aos sinais do cérebro e pode ampliar o acesso a próteses de baixo custo.

Em uma antiga granja nos arredores de Nairóbi, no Quênia, dois primos transformaram um galpão improvisado em laboratório de inovação. Sem formação universitária em engenharia e usando peças retiradas de aparelhos eletrônicos descartados, David Gathu e Moses Kiuna desenvolveram um braço biônico capaz de responder diretamente aos comandos do cérebro. A prótese interpreta a intenção do usuário em poucos segundos, sem que ele precise mover qualquer músculo do corpo.

Segundo o MedicalXpress, a invenção nasceu em uma oficina simples construída ao lado de um galinheiro, onde os dois jovens passam os dias desmontando equipamentos eletrônicos, reaproveitando componentes e desenvolvendo soluções de baixo custo para pessoas com deficiência. O projeto chama atenção não apenas pela tecnologia empregada, mas pelo fato de ter sido desenvolvido praticamente sem recursos, utilizando sucata eletrônica encontrada em ferros-velhos da capital queniana.

A curiosidade começou ainda na infância

A paixão dos dois primos pela tecnologia surgiu muito antes da criação do braço biônico. Desde crianças, eles desmontavam rádios, televisores e brinquedos para descobrir como cada equipamento funcionava. A curiosidade acabou se transformando em aprendizado prático, mesmo sem cursos formais de engenharia.

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Segundo o MedicalXpress, David abandonou a escola aos 17 anos, enquanto Moses interrompeu os estudos universitários por dificuldades financeiras. Em vez de desistirem da tecnologia, decidiram continuar aprendendo por conta própria, pesquisando eletrônica, robótica e funcionamento do sistema nervoso humano. O conhecimento adquirido de forma autodidata acabou servindo de base para todos os projetos que desenvolveram nos anos seguintes.

A prótese responde apenas ao pensamento

O funcionamento do braço é o que mais impressiona. Segundo o Citizen Digital, o sistema utiliza um receptor colocado na cabeça do usuário para captar sinais elétricos produzidos pela atividade cerebral. Esses sinais são interpretados por circuitos eletrônicos e enviados sem fio ao braço robótico, que executa o movimento desejado.

Na demonstração apresentada pela dupla, a prótese consegue abrir e fechar a mão, levantar o braço, dobrar a articulação, realizar movimentos de alcance e até levar objetos em direção ao usuário. Todo o processo acontece em menos de dois segundos entre a intenção do movimento e a resposta mecânica da prótese. Ao contrário de muitos modelos tradicionais, que dependem da contração dos músculos remanescentes do braço amputado, esse sistema utiliza diretamente os sinais captados na cabeça.

O lixo eletrônico virou matéria-prima para alta tecnologia

Grande parte dos componentes utilizados pelos inventores veio de aparelhos descartados. Os primos percorrem regularmente ferros-velhos e depósitos de lixo eletrônico em busca de placas, motores, sensores, fios e peças reaproveitáveis. Já o Citizen Digital informa que diversos componentes eletrônicos utilizados na prótese foram retirados de televisores antigos e outros equipamentos descartados.

David Gathu e Moses Kiuna desenvolveram um braço biônico capaz de responder diretamente aos comandos do cérebro.
Imagem: Africanews/Reprodução

Além de reduzir drasticamente os custos de desenvolvimento, o reaproveitamento de materiais permite criar dispositivos muito mais acessíveis para uma população que dificilmente conseguiria comprar próteses importadas. Foi justamente essa realidade que motivou a dupla a seguir desenvolvendo tecnologias assistivas de baixo custo.

A ideia surgiu para ajudar pessoas da própria comunidade

O objetivo nunca foi apenas construir um robô. Segundo o MedicalXpress, a motivação dos inventores nasceu ao perceberem que muitas pessoas amputadas no Quênia simplesmente não tinham condições financeiras de adquirir uma prótese funcional. O primeiro braço desenvolvido por eles foi produzido para um morador da comunidade que havia perdido um dos membros em um acidente de trabalho.

A experiência mostrou que uma solução criada localmente poderia devolver parte da independência dessas pessoas por um custo muito menor do que os equipamentos importados. Desde então, os dois continuam aperfeiçoando diferentes modelos de próteses e pesquisando novas formas de ampliar suas funcionalidades.

O projeto ainda precisa passar por validações

Apesar da repercussão internacional, o braço biônico continua sendo um protótipo. Segundo o Citizen Digital, David Gathu e Moses Kiuna pretendem transformar a invenção em um produto comercial, mas ainda buscam financiamento para ampliar os testes, aperfeiçoar o equipamento e cumprir todas as etapas necessárias antes da utilização em larga escala.

Dois primos que largaram a escola e trabalham na antiga granja da avó garimpam lixo eletrônico em ferros-velhos de Nairóbi e montam um braço protético que obedece apenas ao pensamento
Imagem: Africanews/Reprodução

Como qualquer dispositivo médico, a tecnologia precisará passar por avaliações técnicas, certificações e processos regulatórios antes de chegar aos pacientes. Isso significa que a prótese ainda não está disponível comercialmente, embora o funcionamento do protótipo já tenha sido demonstrado publicamente.

Uma oficina simples pode ter criado uma solução para milhares de pessoas

A história dos dois primos mostra que inovação não depende necessariamente de grandes laboratórios ou investimentos milionários. O pequeno galpão onde trabalham abriga diversos projetos de tecnologia desenvolvidos quase inteiramente com materiais reciclados. O Citizen Digital destaca que a dupla pretende continuar aperfeiçoando suas próteses para torná-las mais acessíveis às pessoas que vivem com deficiência física no Quênia e em outros países.

Ainda há um longo caminho até que o braço controlado pelo pensamento chegue ao mercado, mas o projeto demonstra que criatividade, conhecimento autodidata e persistência podem produzir soluções capazes de mudar vidas mesmo longe dos grandes centros de pesquisa. Se receberem o apoio necessário para concluir o desenvolvimento da tecnologia, David Gathu e Moses Kiuna poderão provar que uma oficina improvisada construída com chapas de zinco e alimentada por sucata eletrônica também é capaz de produzir inovação de nível internacional.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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