Moradores da província de Guizhou adaptaram suas vidas à névoa da cachoeira Huangguoshu, mas agora encaram um futuro incerto
A província de Guizhou, na China, abriga um espetáculo natural e um modo de vida único: a Cachoeira Huangguoshu, a maior do país. Perto dali, espremidas entre montanhas e o rugido constante da água, existem comunidades que construíram sua rotina em um ambiente extremo. A imagem de “viver atrás da cachoeira”, popularizada pela mítica Caverna da Cortina de Água, não é literal, mas a realidade dos moradores é ainda mais fascinante.
Fontes que descrevem a “Aldeia de Pedra” (Shitou Zhai), lar do povo Buyi, revelam uma arquitetura robusta feita inteiramente de pedra local. Esses moradores transformaram sua cultura em um modelo de turismo bem-sucedido. No entanto, essa nova economia colide com a precariedade moderna: planos governamentais de conservação agora ameaçam deslocar essas mesmas comunidades para proteger a paisagem que elas ajudaram a tornar famosa.
O mito de viver atrás da cachoeira
A fama da região de Huangguoshu está ligada à Shuiliandong, a “Caverna da Cortina de Água”. Esta caverna real de 134 metros, localizada literalmente atrás da queda d’água, é célebre na mitologia chinesa como o lar do Rei Macaco, da obra Jornada ao Oeste. Os turistas podem, de fato, caminhar por ela e observar o mundo através de uma cortina de água.
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Contudo, fontes que analisam a “Aldeia de Pedra” (Shitou Zhai) são claras ao detalhar que a caverna é uma atração turística, e não uma área residencial. A vida real acontece a poucos quilômetros dali. A caverna é o ímã que atrai visitantes, mas a rotina dos moradores ocorre à sombra desse ícone, em assentamentos adaptados a um ambiente de névoa e umidade constantes.
Shitou Zhai: a arquitetura de pedra do povo Buyi
A cerca de seis a sete quilômetros da cachoeira principal, encontra-se a “Aldeia de Pedra” (Shitou Zhai). Conforme descrito por fontes que detalham esta aldeia específica do povo Buyi, este assentamento é uma maravilha da arquitetura vernacular. O nome é literal: casas, muros, telhados, estradas e até utensílios são feitos de pedra local.
Esta técnica é uma resposta direta ao clima. A névoa constante da cachoeira e a alta umidade tornariam inviáveis materiais como madeira ou adobe. As fontes destacam que as casas são construídas sem o uso de tijolos ou telhas, usando blocos de pedra irregulares habilmente combinados. A tradição utiliza até mesmo argamassa de arroz pegajoso, uma técnica de engenharia antiga que garante a durabilidade das estruturas, mantendo o interior “fresco no verão e quente no inverno”.
O “paradoxo de Guizhou” e a nova rotina do turismo

A rotina desses moradores, antes focada na agricultura de subsistência e no artesanato, foi transformada pelo turismo. Uma análise da economia local detalha o que ficou conhecido como o “Paradoxo de Guizhou”. Diferente de outras regiões chinesas, onde o turismo enriqueceu investidores externos sem reduzir significativamente a pobreza rural, o modelo de Guizhou foi estruturado de forma diferente.
A estratégia foi focada na “participação direta” dos residentes rurais pobres. Isso foi feito através do modelo nongjiale (agroturismo), onde os moradores recebem grupos de turistas em suas casas, preparam refeições tradicionais e compartilham sua cultura étnica. Fontes sobre este modelo socioeconômico único apontam que ele se provou altamente eficaz na redução da pobreza, com uma grande porcentagem das taxas de turismo sendo distribuída diretamente aos aldeões participantes.
A ameaça da preservação e a rotina da incerteza
Ironicamente, o sucesso desse modelo de turismo cultural é agora a maior ameaça à permanência dos moradores. O delicado equilíbrio entre autenticidade e conservação ambiental gerou um novo conflito existencial que define a precariedade moderna da aldeia.
Fontes que relatam os planos do governo local para a área revelam a tensão central. Para garantir a “melhor proteção das áreas da cachoeira”, foi tomada a decisão de “mover as cidades” (assentamentos) para os cursos superiores do rio. O objetivo declarado é “dar lugar às florestas”, o que, na prática, significa deslocar as comunidades que são a base do turismo local.
A “nova rotina” dos moradores da Aldeia de Pedra, portanto, tornou-se uma rotina de impermanência. Um residente local resumiu a situação: “Não tenho certeza de quanto tempo vou ficar aqui”. Os povos que construíram sua vida com as pedras da paisagem de Guizhou agora enfrentam a possibilidade de serem removidos em nome da preservação dessa mesma paisagem.
O dilema em Guizhou é complexo: a preservação da natureza deve se sobrepor ao direito de permanência das comunidades tradicionais que vivem ali há gerações? Qual é o limite entre proteger um patrimônio natural e deslocar a cultura viva que faz parte dele?
Queremos saber sua opinião: Você acredita que a remoção dos moradores é justificada para proteger a cachoeira, ou a cultura local deveria ser preservada no local como parte da paisagem? Deixe seu ponto de vista nos comentários.

