ArcelorMittal inaugurou no ES em 2021, a maior usina de dessalinização industrial do Brasil, com capacidade de 500 m³/hora, reduzindo captação do Rio Santa Maria da Vitória.
Em setembro de 2021, durante uma das crises hídricas mais severas da história recente brasileira, a ArcelorMittal Tubarão inaugurou no Espírito Santo a maior e mais moderna planta de dessalinização de água do mar do Brasil voltada para fins industriais. O projeto de R$ 50 milhões representa não apenas um marco tecnológico para o país, mas também uma solução estratégica que alivia a pressão sobre recursos hídricos compartilhados com a população capixaba.
Instalada no complexo portuário do município de Serra, a planta tem capacidade para dessalinizar 500 metros cúbicos de água por hora — volume suficiente para abastecer cerca de 80 mil pessoas diariamente. Mas o objetivo não é competir com o abastecimento público: a água tratada será destinada exclusivamente para processos industriais da siderúrgica, substituindo parte do volume antes captado do Rio Santa Maria da Vitória e permitindo maior disponibilidade desse recurso para a sociedade.
ArcelorMittal Tubarão se torna referência nacional em menor consumo de água doce na indústria
A ArcelorMittal Tubarão já operava antes da dessalinização como referência nacional em gestão hídrica eficiente na siderurgia. Aproveitando sua localização litorânea estratégica, a empresa estruturou operações onde 96% de toda a água utilizada vem diretamente do mar, sendo empregada principalmente para refrigeração dos equipamentos de produção de aço. Apenas 4% do consumo provém de água doce fornecida pela Cesan, captada do Rio Santa Maria da Vitória.
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O diferencial está no índice de recirculação: atualmente, 98% da água doce captada é recirculada e reaproveitada internamente em múltiplos ciclos antes de qualquer descarte. Esse percentual coloca a ArcelorMittal Tubarão como detentora do menor índice de consumo industrial de água doce do Brasil — métrica estratégica frente aos cenários de escassez hídrica.
O projeto de dessalinização foi concebido para reduzir ainda mais essa dependência dos 4% de água doce, liberando recursos do sistema público para consumo da população. Benjamin Baptista Filho relembra que a decisão foi tomada após racionamentos entre 2015 e 2016: “A prioridade de fornecimento é de uso humano e animal.”
Planta modular de dessalinização permite expansão futura até 1.500 m³ por hora
Construída em área de aproximadamente 6 mil metros quadrados dentro do complexo industrial, a planta adota configuração modular. O primeiro módulo possui capacidade de 500 m³/hora (12 mil m³/dia), com possibilidade de expansão para 1.500 m³/hora com a instalação de dois módulos adicionais.
A tecnologia empregada é a osmose reversa, amplamente utilizada em países como Israel, Espanha e Emirados Árabes Unidos.
O sistema funciona por etapas sequenciais que incluem captação reforçada, pré-tratamento, bombeamento de alta pressão e passagem por membranas semipermeáveis com menos de 1 mícron de espessura, responsáveis pela separação do sal e produção de água com alto grau de pureza para uso industrial.
Autossuficiência energética garante viabilidade da dessalinização industrial
Um dos principais desafios da dessalinização é o consumo energético. A planta consome cerca de 3 megawatts quando operando em capacidade máxima.

Esse consumo representa menos de 1% da energia total gerada pela própria ArcelorMittal Tubarão, que é autossuficiente graças às centrais termelétricas que utilizam gases residuais do processo siderúrgico, como gás de alto-forno e gás de coqueria.
Essa integração energética foi determinante para a viabilidade econômica do projeto.
Gestão ambiental da salmoura e controle de impactos no oceano
O principal subproduto da dessalinização é a salmoura superconcentrada. Para cada litro de água doce produzido, o sistema gera aproximadamente 1,5 litro de salmoura.
A ArcelorMittal devolve essa solução ao mar por canal já existente, afirmando que o sistema promove diluição gradual antes do descarte final e que todos os estudos ambientais foram aprovados pelo órgão licenciador estadual.
Especialistas alertam que a salmoura pode elevar salinidade local e afetar ecossistemas marinhos caso não haja diluição adequada. A empresa destaca monitoramento contínuo e conformidade ambiental rigorosa.
Reconhecimento internacional da IDA e prêmios globais de dessalinização
Em 2019, no Congresso da International Desalination Association (IDA) em Dubai, a planta venceu o prêmio de “Projeto Inovador”.
Em 2022, no Congresso da IDA em Sydney, foi eleita “Melhor Projeto de Responsabilidade Social Corporativa”, reconhecendo não apenas os aspectos técnicos, mas também o impacto social ao liberar recursos hídricos para a população.
Construção durante a pandemia gerou 220 empregos no Espírito Santo
A obra foi executada entre 2019 e 2021, incluindo o período crítico da pandemia. No pico da construção, foram gerados 220 empregos, com prioridade para mão de obra local.
A dessalinização integra estratégia mais ampla que inclui:
- Expansão da Estação de Tratamento de Água para Reúso (R$ 23 milhões)
- Acordo para compra de 540 m³/hora de água de reúso da Cesan
- Construção da futura Estação de Produção de Água de Reúso (EPAR)
- Investimentos na recuperação de nascentes da Bacia do Rio Santa Maria da Vitória

A EPAR terá capacidade de 300 litros por segundo, sendo 200 l/s contratados pela ArcelorMittal.
Primeira planta de dessalinização do Grupo ArcelorMittal no mundo
A unidade de Tubarão é a primeira planta de dessalinização integrada a uma siderúrgica em todo o Grupo ArcelorMittal mundial.
O projeto capixaba torna-se referência global para futuras implementações em regiões afetadas por escassez hídrica.
O modelo demonstra que é possível conciliar produção siderúrgica intensiva com responsabilidade hídrica, desde que haja investimento em tecnologia, gestão eficiente e compromisso ambiental.


Interessante, porém é necessário dizer que a empresa só fez esse investimento pensando em si, para ter a matéria prima de qualidade aos seu interesses. Se o rio Santa Maria secar, a indústria não para e a população morre de sede.
E por acaso a empresa teria que produzir água potável para a população? Deixe de extremismos. Espero que ela se torne totalmente operante e não consuma água doce do rio.
A obrigação de abastecer a populaçãi é do governo e não de empresa privada…
Excelente iniciativa da ArcelorMittal. Mais uma prova incontestável de que o setor privado é muitas vezes melhor e eficiente do que empresas públicas, sejam elas Federais, Estaduais ou Municipais. Empresas estatais só servem para abrigar, “cabides de emprego”, e para onerar os gastos governamentais, sem retorno para a população. Até porque o Governo seja ele Federal, Estadual ou Municipal, não tem que ter empresa, mas simplesmente administrar o dinheiro dos impostos e taxas, de forma honesta e transparente.
Essa questão é uma via de duas mãos, exemplo são as empresas estatais brasileiras que passam para o controle das estatais chinesas.
Exemplo de empresa privada é a ENEL. E os carteis de combustíveis.
Privatiza que é bom
Parabéns para Ancelor, bom saber notícias como essa.