Estruturas submarinas ligadas ao Atlântico vão abastecer nova dessalinizadora no Algarve, projeto criado para reforçar a segurança hídrica da região com produção diária de milhões de litros de água potável. Sistema inclui captação em alto-mar, tratamento em terra e preparação para futura ampliação da capacidade.
Portugal prepara a construção de uma Estação de Dessalinização de Água do Mar no Algarve para reforçar o abastecimento público em uma região pressionada pela seca, pela redução das chuvas e pelo aumento do consumo durante os períodos de maior circulação turística.
Instaladas a cerca de 2 km da costa, duas estruturas submersas de captação vão retirar água diretamente do Atlântico e enviá-la por condutas até a futura unidade de tratamento em terra, planejada para produzir 43,2 milhões de litros de água potável por dia.
Dentro do Sistema de Dessalinização da Região do Algarve, desenvolvido pela Águas do Algarve, a obra aparece como uma das maiores intervenções hídricas recentes em Portugal, com investimento estimado em 107,9 milhões de euros e financiamento associado ao Plano de Recuperação e Resiliência.
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Captação de água no mar será feita longe da costa
Longe da faixa de areia, a primeira etapa da operação será realizada por duas tomadas de água protegidas por grelhas, mecanismo projetado para bloquear materiais de grande dimensão e conduzir a água bruta até a estrutura terrestre de tratamento.

Nesse sistema, as condutas submarinas funcionarão como ligação permanente entre o Atlântico e a unidade de dessalinização, permitindo o transporte contínuo da água salgada até os equipamentos responsáveis pela remoção de sais e demais componentes impróprios para consumo.
De acordo com os dados públicos apresentados pela Águas do Algarve, a estação terá capacidade inicial de 500 litros por segundo, volume equivalente a 43.200 metros cúbicos diários e cerca de 16 milhões de metros cúbicos produzidos ao longo de um ano.
Além da operação inicial, o projeto já foi desenhado para uma futura ampliação da capacidade, possibilidade que poderá elevar a produção para 750 litros por segundo, índice correspondente a 64.800 metros cúbicos por dia e 24 milhões de metros cúbicos anuais.
Algarve aposta na dessalinização para enfrentar seca
Nos últimos anos, o Algarve passou a enfrentar um cenário de maior vulnerabilidade hídrica, marcado pela pressão sobre barragens, aquíferos e redes de distribuição em meio à seca prolongada e à irregularidade crescente das chuvas no sul de Portugal.
Como alternativa complementar às fontes tradicionais de abastecimento, a dessalinização foi incorporada ao planejamento regional com o objetivo de diversificar as origens da água e reduzir a dependência direta de reservatórios e reservas subterrâneas.
Ao mesmo tempo, o governo português criou um grupo de acompanhamento da obra com participação de entidades públicas, municípios, pescadores, universidades e organizações ambientais, estrutura destinada a monitorar a execução e ampliar o controle sobre o empreendimento.
Pelas diretrizes atuais do projeto, a exploração em plena capacidade ainda dependerá de avaliação da Agência Portuguesa do Ambiente, que considera a utilização máxima da estação como recurso estratégico para períodos de maior escassez hídrica.
Estrutura da dessalinizadora inclui condutas e emissário marítimo
Embora a estação de tratamento seja a parte mais conhecida da futura estrutura, uma parcela relevante da operação ficará submersa ou enterrada, incluindo captações oceânicas, condutas, sistemas de transporte e equipamentos ligados ao bombeamento da água.
Para moradores e turistas, grande parte da infraestrutura permanecerá praticamente invisível, mas a complexidade técnica da obra aumenta justamente pela necessidade de integrar ambiente marinho, estruturas terrestres e padrões rigorosos exigidos para água potável.
Além da captação no Atlântico, o sistema também prevê uma infraestrutura específica para rejeição da salmoura, subproduto gerado no processo de dessalinização, com emissário marítimo destinado ao lançamento controlado desse material em área previamente licenciada.
Durante a fase de licenciamento, a instalação das estruturas no espaço marítimo nacional passou por consulta pública, procedimento relacionado tanto à captação da água bruta quanto ao descarte associado ao funcionamento permanente da estação.
Produção diária coloca projeto entre os maiores reforços hídricos do Algarve
Com produção inicial estimada em 43,2 milhões de litros por dia, a obra ganhou relevância no planejamento hídrico português por ampliar a capacidade de abastecimento em uma das regiões mais dependentes da estabilidade do consumo durante períodos de maior procura.
Na prática, a água retirada do Atlântico seguirá por condutas submarinas até a unidade terrestre de tratamento, onde passará pelo processo de dessalinização antes de ser integrada ao sistema público de distribuição utilizado pela população.
Segundo a Águas do Algarve, a futura estação integra uma estratégia mais ampla de resposta às dificuldades de abastecimento enfrentadas pela região, especialmente diante de cenários climáticos associados à redução da pluviosidade e à irregularidade das chuvas.
Previsto para entrar em funcionamento em 2028, o empreendimento também tem enfrentado contestação local, sobretudo entre representantes ligados à pesca, ao ambiente e à gestão territorial, setores que cobram monitoramento contínuo dos impactos da construção e da operação.
Ainda assim, a dessalinizadora avançou como uma das principais intervenções hídricas em Portugal continental ao transformar o oceano em uma fonte complementar de abastecimento público durante períodos de maior pressão sobre barragens e aquíferos.
Com captação oceânica, condutas submarinas, tratamento em terra e integração à rede regional, o sistema foi estruturado para converter água salgada em reforço regular de abastecimento em uma região onde a segurança hídrica passou a ocupar posição estratégica.


Só um detalhe: 2 km da costa não é alto mar.
Só isso teria para comentar?