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Cerveja que funciona como vacina? Cientista desenvolve método experimental com leveduras vivas, testa a própria bebida e divulga os resultados da pesquisa publicada no Zenodo

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 30/06/2026 às 00:22 Atualizado em 30/06/2026 às 00:24
Cientista manipula uma pipeta em laboratório ao lado de recipientes com líquido semelhante à cerveja durante pesquisa sobre vacina experimental com leveduras vivas.
Imagem ilustrativa mostra um cientista trabalhando com leveduras e soluções em laboratório, em referência ao estudo experimental sobre uma cerveja contendo uma vacina contra o poliomavírus BK.
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Pesquisa mostra como uma cerveja contendo leveduras modificadas estimulou a produção de anticorpos no próprio pesquisador. Entretanto, o método ainda é experimental e continua sendo debatido pela comunidade científica.

Quando se fala em vacina, muitas pessoas ainda associam a imunização ao uso de agulhas. Por isso, o virologista Christopher Buck, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (National Cancer Institute – NCI), decidiu investigar uma alternativa diferente.

Assim, o cientista desenvolveu uma cerveja contendo uma vacina experimental, com o objetivo de avaliar se a imunização poderia ocorrer por meio da ingestão da bebida.

O estudo foi publicado no repositório científico Zenodo, plataforma utilizada para divulgação de pesquisas. No entanto, o trabalho ainda não foi revisado por pares, etapa considerada essencial no processo científico.

Como funciona a cerveja com vacina experimental

Segundo Christopher Buck, a proposta consiste em utilizar leveduras vivas, responsáveis pela fermentação da cerveja, como veículo para transportar componentes da vacina.

Além disso, conforme explicou o pesquisador em vídeo de apresentação da pesquisa, a ideia é inserir o imunizante dentro das leveduras.

Dessa maneira, a resposta imunológica poderia ser estimulada pelo organismo.

Ainda de acordo com Buck, essa estratégia representa uma abordagem bastante simplificada para a produção de vacinas.

Como o experimento foi realizado

Para avaliar a proposta, o próprio pesquisador realizou o teste em si mesmo.

Inicialmente, durante cinco dias consecutivos, ele ingeriu um copo da cerveja contendo a vacina experimental.

Posteriormente, sete semanas depois, foi administrada uma nova etapa do experimento.

Novamente, durante cinco dias, a bebida foi consumida.

Depois disso, outras sete semanas se passaram, quando uma nova dose de reforço foi utilizada.

Resultados observados durante a pesquisa

Na sequência, exames de sangue foram realizados.

Com isso, foi verificado que anticorpos contra dois tipos do poliomavírus BK foram produzidos.

Além disso, nenhum efeito colateral foi relatado pelo pesquisador durante o experimento.

Segundo Buck, mesmo estando diluído em um líquido como a cerveja, o imunizante demonstrou capacidade de estimular o sistema imunológico.

O que é o poliomavírus BK

Conforme informado pelo pesquisador, o poliomavírus BK está presente em pelo menos 70% da população adulta.

Além disso, segundo o estudo, esse vírus pode estar associado a doenças que afetam:

  • os rins;
  • a bexiga;
  • o cérebro;
  • o sistema cardiovascular.

Comunidade científica questiona o método

Entretanto, embora os primeiros resultados tenham sido apresentados, a proposta não foi aceita imediatamente pela comunidade científica.

Inclusive, o próprio Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos questionou o fato de Christopher Buck ter conduzido o experimento utilizando apenas a si mesmo como participante.

Como consequência, o pesquisador criou a Gusteau Research Corporation, organização sem fins lucrativos voltada para dar continuidade ao trabalho.

Especialistas apontam limitações e necessidade de novos estudos

Além disso, outros pesquisadores levantaram questionamentos importantes.

Entre eles, destacam-se:

  • a segurança do método;
  • a eficácia da estratégia;
  • o fato de o estudo ainda não ter sido revisado por pares;
  • a possibilidade de interpretações equivocadas fortalecerem movimentos antivacina.

Por isso, o método permanece em fase de estudo e continua sendo debatido pela comunidade científica.

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Caio Aviz

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