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Pesquisadores da UnB criam o Rapha, um dispositivo que une o látex natural da seringueira e luz de LED para curar feridas do pé diabético e evitar as cerca de 50 mil amputações por ano no Brasil

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/06/2026 às 00:00 Atualizado em 30/06/2026 às 00:02
Na UnB, o Rapha é um dispositivo para pé diabético que une látex natural da seringueira e luz de LED para curar feridas e evitar amputações.
Na UnB, o Rapha é um dispositivo para pé diabético que une látex natural da seringueira e luz de LED para curar feridas e evitar amputações.
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Na Universidade de Brasília, a UnB, pesquisadores criaram o Rapha, um dispositivo para pé diabético que combina o látex natural da seringueira e luz de LED para cicatrizar feridas mais rápido e ajudar a evitar as cerca de 50 mil amputações por ano no Brasil, fruto de quase 20 anos de pesquisa.

O pé diabético é uma das complicações mais temidas do diabetes, e leva milhares de pessoas à amputação todo ano no Brasil. Pesquisadores da Universidade de Brasília, a UnB, criaram um aparelho que quer mudar esse cenário. Batizado de Rapha, o dispositivo para pé diabético combina dois elementos brasileiros e baratos: o látex natural da seringueira e a luz de LED. Juntos, eles aceleram a cicatrização das feridas e podem ajudar a evitar boa parte das cerca de 50 mil amputações por ano no país.

A invenção foi noticiada pelo Só Notícia Boa, que mostrou o resultado de quase duas décadas de pesquisa. O Rapha já recebeu o selo de segurança do Inmetro e aguarda o registro da Anvisa para ser produzido em larga escala. Não é promessa de laboratório distante: é tecnologia nacional, feita com matéria-prima do próprio Brasil, perto de chegar aos pacientes.

Látex da seringueira e luz de LED juntos

Na UnB, o Rapha é um dispositivo para pé diabético que une látex natural da seringueira e luz de LED para curar feridas e evitar amputações.
A sacada do aparelho é unir biomaterial e fototerapia.

O Rapha usa um curativo feito de látex natural extraído da seringueira, a mesma árvore da borracha, colocado sobre a ferida.

Por cima do curativo, entra um emissor de luz de LED, que age junto com o látex para estimular a pele a se regenerar mais rápido. São duas tecnologias trabalhando ao mesmo tempo no mesmo ferimento.

De um lado, o látex natural; do outro, a luz. Esse dispositivo para pé diabético junta o que a natureza e a engenharia têm de melhor numa solução só.

Como o Rapha cura a ferida

Cada parte do aparelho tem uma função específica. O látex natural da seringueira ajuda o corpo a formar novos vasos sanguíneos na região da ferida, o que leva mais sangue e nutrientes ao local e acelera a recuperação.

A luz de LED, por sua vez, ativa as células da pele, dando um empurrão extra na cicatrização. Na prática, depois de limpar a ferida, aplica-se a camada de látex e posiciona-se a luz por cerca de 30 minutos, e o curativo fica no lugar por 24 horas.

É um tratamento simples de aplicar, mas com ciência pesada por trás. O Rapha transforma um processo lento em algo mais rápido e eficiente.

O problema: 50 mil amputações por ano

O alvo do aparelho é uma tragédia silenciosa de saúde pública. O Brasil tem mais de 16 milhões de pessoas com diabetes, e o pé diabético é uma das complicações mais graves da doença.

Quando uma ferida no pé não cicatriza direito, ela pode evoluir para infecção e levar à amputação, num total de cerca de 50 mil amputações por ano no país. Cada uma dessas cirurgias muda uma vida para sempre.

Acelerar a cicatrização dessas feridas é, portanto, uma forma direta de evitar amputações. É exatamente esse gargalo que o dispositivo para pé diabético quer atacar.

Quase 20 anos de pesquisa na UnB

Na UnB, o Rapha é um dispositivo para pé diabético que une látex natural da seringueira e luz de LED para curar feridas e evitar amputações.
O Rapha não nasceu da noite para o dia.

O aparelho é fruto de quase duas décadas de pesquisa na Universidade de Brasília, lideradas pela professora Suélia Rodrigues, do grupo de Engenharia Biomédica da UnB.

A história começou por volta de 2005, quando ela, ainda doutoranda, percebeu o potencial do látex para estimular a formação de vasos sanguíneos. Ao longo dos anos, outros nomes entraram no projeto, como o pesquisador Adson Ferreira da Rocha, segundo a UnB.

Foram anos de teses, testes e ajustes até o equipamento ficar pronto. É ciência brasileira de fôlego longo, construída tijolo por tijolo na UnB.

Selo do Inmetro e espera pela Anvisa

A tecnologia já avança rumo ao mercado e ao SUS. O Rapha recebeu o selo de segurança do Inmetro, um passo importante para qualquer equipamento médico.

Agora, o dispositivo para pé diabético aguarda o registro da Anvisa, a agência que precisa liberar o produto para que ele possa ser fabricado em larga escala. A tecnologia foi licenciada para a empresa brasileira Life Care Medical, que cuidará da produção.

O objetivo final é que o aparelho chegue à rede pública de saúde e atenda quem mais precisa. De projeto acadêmico a produto regulado, o caminho está quase completo.

Por que a matéria-prima nacional importa

Um detalhe torna o Rapha ainda mais brasileiro. O látex usado vem da seringueira, a Hevea brasiliensis, árvore nativa da Amazônia e base da borracha natural.

Usar o látex natural da seringueira como matéria-prima significa uma tecnologia de baixo custo e com cara nacional, em vez de depender de insumos importados e caros. Isso pode baratear o tratamento e facilitar a produção dentro do país.

Valorizar a seringueira também conecta a saúde a uma cadeia produtiva tradicional brasileira. É inovação de ponta usando o que o Brasil já tem de sobra.

O que o Rapha mostra

A maior lição é o que a ciência brasileira pode fazer com recursos próprios. O Rapha mostra que pesquisadores da UnB conseguiram transformar o látex natural da seringueira e uma luz de LED num dispositivo para pé diabético capaz de ajudar a evitar amputações.

Vale, claro, manter o pé no chão. O aparelho ainda aguarda o registro da Anvisa para ser produzido em escala, então a chegada em massa aos pacientes depende dessa aprovação e da produção, e não é da noite para o dia.

Ainda assim, ver um produto nascido de quase 20 anos de pesquisa na UnB, feito com matéria-prima nacional, perto de combater 50 mil amputações por ano é o tipo de avanço que dá orgulho. Da seringueira à cama do paciente, o Rapha une natureza, engenharia e saúde pública, e prova que pesquisa de longo prazo, bem financiada, salva pés e vidas.

E você, sabia que o látex da borracha pode ajudar a curar feridas e evitar amputações? Conta pra gente nos comentários o que acha desse tipo de inovação da ciência brasileira.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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