Dois ataques registrados em pouco mais de 24 horas ajudaram especialistas a explicar como fatores ambientais e hábitos naturais dos tubarões influenciam esses incidentes.
Dois ataques de tubarão registrados entre os dias 31 de maio e 1º de junho voltaram a chamar atenção para os riscos existentes em determinadas praias do Grande Recife.
A jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi mordida por um tubarão-tigre na tarde de segunda-feira (1º), na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
O menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, sofreu uma mordida de tubarão cabeça-chata no domingo (31), na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
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Informações do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) apontam que as duas vítimas permanecem internadas em estado grave no Hospital da Restauração.
Como os especialistas identificaram as espécies
A identificação dos animais foi realizada por especialistas do Cemit a partir das características das lesões observadas nas vítimas.
A pesquisadora Mariana Rêgo, integrante do comitê e vinculada ao Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), explicou que cada espécie apresenta um padrão específico de dentição.
Características da mordida, localização do incidente e comportamento do animal também foram consideradas durante a análise técnica.
Os estudos indicaram a participação de um tubarão-tigre adulto, com aproximadamente três metros de comprimento, no caso ocorrido em Boa Viagem.
Análises realizadas pelos especialistas apontaram um tubarão cabeça-chata como responsável pelo incidente registrado em Piedade.
Diferenças entre tubarão-tigre e cabeça-chata
Pesquisadores destacam que as duas espécies possuem hábitos bastante distintos.
O tubarão-tigre apresenta comportamento migratório e percorre diferentes regiões ao longo de sua vida.
O cabeça-chata, por outro lado, demonstra comportamento mais territorial e costuma permanecer por longos períodos em áreas específicas.
Há diferenças também nos hábitos alimentares.
O tubarão-tigre consome diversos tipos de organismos encontrados no ambiente marinho.
O cabeça-chata concentra sua alimentação principalmente em peixes e espécies menores encontradas em águas rasas.
A dentição também muda significativamente entre as espécies.
Dentes largos, arredondados e serrilhados caracterizam o tubarão-tigre.
Dentes inferiores finos e pontiagudos, combinados com dentes superiores triangulares e cortantes, distinguem o cabeça-chata.
Maré cheia e lua cheia aumentaram as condições de risco
A secretária executiva do Cemit, Danise Alves, destacou que o tubarão-tigre costuma apresentar maior atividade nos períodos em que o sol está mais baixo.
Horários do início da manhã e do final da tarde são considerados momentos de maior atenção para banhistas.
Condições ambientais observadas durante os dois incidentes também chamaram atenção dos especialistas.
Períodos de lua cheia costumam provocar marés mais elevadas e ondas mais intensas.
Áreas normalmente protegidas podem permanecer cobertas pela água durante esses ciclos.
Hábitos costeiros das duas espécies favorecem sua aproximação das regiões mais rasas em busca de alimento.
Água turva dificulta a visualização e preocupa especialistas
Dados apresentados pelo Cemit mostram que os tubarões possuem capacidade visual superior à dos seres humanos.
Condições de água turva reduzem a visibilidade e podem aumentar a possibilidade de incidentes.
Esse cenário ocorre com frequência durante o período chuvoso no Grande Recife, compreendido entre os meses de março e agosto.
Especialistas explicam que a redução da visibilidade interfere na forma como esses predadores interpretam estímulos presentes na água.
Movimentos e vibrações emitidos pelos banhistas podem ser percebidos pelos animais em situações de baixa visibilidade.
Prevenção continua sendo a principal recomendação
Mariana Rêgo ressaltou que o tubarão-tigre e o cabeça-chata são considerados espécies agressivas e ocupam posições de destaque na cadeia alimentar marinha.
Orientações de segurança recomendam evitar o banho de mar durante períodos de chuva, maré alta e baixa visibilidade.
Áreas sem proteção de barreiras de corais exigem atenção ainda maior dos frequentadores.
Sinalizações instaladas nas praias fazem parte das medidas preventivas adotadas para reduzir a ocorrência de novos incidentes.
Respeitar os avisos de segurança continua sendo uma das principais estratégias para diminuir o risco de encontros entre seres humanos e tubarões no litoral pernambucano.
Será que a maioria dos banhistas conhece todos os fatores naturais que podem aumentar a presença desses predadores próximos da faixa de areia?
