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Por que tantas pessoas evitam ligações e preferem resolver tudo por mensagem?

Escrito por Keila Andrade
Publicado em 22/06/2026 às 10:18
Atualizado em 22/06/2026 às 10:20
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Atender uma ligação telefônica já foi uma das formas mais comuns de comunicação. Hoje, porém, muitas pessoas preferem responder por mensagens de texto, áudios ou aplicativos como WhatsApp e Telegram. O comportamento, cada vez mais frequente, tem chamado a atenção de pesquisadores, psicólogos e especialistas em comunicação digital.

A mudança não acontece apenas por causa da tecnologia. Estudos e pesquisas mostram que fatores como ansiedade, necessidade de controle sobre as conversas, medo de golpes e transformações culturais ajudam a explicar por que as mensagens ganharam espaço enquanto as ligações perderam popularidade.

Pesquisa mostra preferência crescente pelas mensagens

Um levantamento realizado pela plataforma britânica Uswitch com cerca de 2 mil participantes revelou que aproximadamente 70% das pessoas entre 18 e 34 anos preferem trocar mensagens de texto a atender chamadas telefônicas. Além disso, cerca de 25% afirmaram que nunca atendem o telefone quando ele toca. A pesquisa também mostrou que 68% dos jovens preferem que uma ligação seja combinada previamente, enquanto 56% associam chamadas inesperadas a notícias negativas ou problemas urgentes.

Os dados indicam uma mudança significativa nos hábitos de comunicação, especialmente entre as gerações que cresceram em um ambiente digital, onde a interação escrita se tornou mais comum do que a conversa por voz.

A preferência pelo texto reflete um desejo contemporâneo por maior controle sobre o tempo e a própria imagem nas interações sociais
Foto: Wavebreak Media LTD/ND Mais
A preferência pelo texto reflete um desejo contemporâneo por maior controle sobre o tempo e a própria imagem nas interações sociaisFoto: Wavebreak Media LTD/ND Mais

Ansiedade é uma das explicações apontadas pela ciência

Pesquisadores e profissionais da área de saúde mental identificam um fenômeno conhecido como “telefonofobia”, caracterizado pela ansiedade relacionada a chamadas telefônicas.

A psicóloga Cibele Santos explica que uma ligação exige respostas imediatas e reduz o controle sobre a interação. Em aplicativos de mensagens, por outro lado, a pessoa pode pensar antes de responder, revisar o conteúdo e escolher o melhor momento para continuar a conversa. Esse controle reduz a pressão emocional e torna a comunicação mais confortável para muitas pessoas.

O psicólogo Jailton Souza também destaca que as ligações costumam ser percebidas como invasivas porque interrompem atividades em andamento e exigem atenção imediata. Já as mensagens permitem que cada pessoa administre seu próprio tempo de resposta.

Comunicação escrita oferece mais controle

Além da ansiedade, a comunicação por texto oferece vantagens práticas que ajudam a explicar sua popularidade.

Ao escrever uma mensagem, é possível organizar ideias, corrigir erros e refletir antes de responder. Em uma ligação, a conversa acontece em tempo real e exige improviso constante.

A vice-presidente da consultoria Korn Ferry para a América do Sul, Aline Riccio, observa que muitos jovens consideram as chamadas telefônicas desnecessárias quando o mesmo assunto pode ser resolvido por mensagem. Segundo ela, a ligação interrompe o fluxo de trabalho ou de lazer, enquanto a comunicação escrita permite mais autonomia e flexibilidade.

Medo de golpes também influencia comportamento

Outro fator importante é o aumento das fraudes telefônicas.

Nos últimos anos, cresceram os relatos de golpes envolvendo falsas centrais bancárias, cobranças indevidas, tentativas de roubo de dados e chamadas automatizadas. Como consequência, muitas pessoas passaram a desconfiar de números desconhecidos.

Pesquisas sobre comportamento digital mostram que uma parcela significativa dos usuários prefere pesquisar o número na internet ou aguardar uma mensagem antes de decidir retornar o contato. Aplicativos de identificação de chamadas e filtros contra spam reforçaram ainda mais esse hábito.

Mudança é mais forte entre os jovens

A transformação também possui um componente geracional.

Enquanto pessoas mais velhas cresceram utilizando telefones fixos e chamadas de voz como principal meio de comunicação, integrantes da Geração Z já nasceram em um ambiente dominado por mensagens instantâneas, redes sociais e aplicativos digitais.

Por isso, muitos jovens consideram natural enviar uma mensagem em vez de realizar uma ligação. Em vários casos, chamadas inesperadas são vistas como interrupções desnecessárias, enquanto mensagens oferecem uma experiência mais compatível com os hábitos digitais atuais.

Diferente do texto, que permite a leitura dinâmica e o escaneamento de informações principais, o áudio exige um compromisso de tempo linear que nem todos estão dispostos a ceder
Diferente do texto, que permite a leitura dinâmica e o escaneamento de informações principais, o áudio exige um compromisso de tempo linear que nem todos estão dispostos a ceder

Ligações continuam importantes em algumas situações

Apesar da preferência crescente pelas mensagens, pesquisas indicam que as chamadas de voz ainda desempenham um papel importante.

Momentos emocionalmente relevantes, conversas delicadas e situações de emergência continuam sendo circunstâncias em que muitas pessoas preferem ouvir a voz do interlocutor. Estudos citados pela Uswitch mostram que mais da metade dos jovens afirma que ficaria decepcionada se não recebesse uma ligação em ocasiões importantes.

Além disso, especialistas apontam que conversas por voz ajudam a transmitir emoções, entonações e nuances que nem sempre aparecem em mensagens escritas.

Uma transformação na forma de se comunicar

O hábito de evitar ligações não significa necessariamente desinteresse ou falta de educação. Na maioria dos casos, ele reflete mudanças culturais, tecnológicas e comportamentais que transformaram a maneira como as pessoas se relacionam.

A combinação entre praticidade, controle sobre o tempo, redução da ansiedade e preocupação com golpes fez das mensagens o principal meio de comunicação para milhões de pessoas. Enquanto isso, as ligações passaram a ser reservadas para situações específicas, urgentes ou emocionalmente mais importantes.

Fonte: ND Mais, com dados da pesquisa da Uswitch e análises de psicólogos e especialistas em comportamento digital.

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Keila Andrade

Jornalista há 20 anos, especialista em produção e planejamento de conteúdos online e offline para estruturas do marketing digital. Jornalista, especialista em SEO para estruturas do marketing digital (sites, blogs, redes sociais, infoprodutos, email-marketing, funil inbound marketing, landing pages).

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