Espuma branca no Rio Tietê voltou a chamar atenção em Salto, no interior paulista, em meio a chuvas, aumento da vazão, poluição acumulada e novas ações de saneamento que tentam reduzir os impactos históricos sobre a qualidade da água.
Uma camada branca e densa voltou a cobrir parte do Rio Tietê em Salto, no interior de São Paulo, na tarde de quinta-feira (25), chamando a atenção de moradores e reforçando o alerta sobre a poluição no trecho.
Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o fenômeno está ligado ao aumento da vazão do rio no período de chuvas, em combinação com a presença de carga poluidora na água.
A explicação da Cetesb aponta que a espuma não surge por um único fator isolado, já que a elevação do volume de água intensifica a movimentação do rio e favorece a formação da camada visível na superfície.
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Em áreas de maior turbulência, resíduos e poluentes presentes no curso d’água tendem a se misturar com mais intensidade, o que ajuda a explicar por que a espuma aparece de forma tão marcante em determinados pontos.
Espuma no Rio Tietê em Salto
Ao comentar o caso, o presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, afirmou que a ocorrência se torna mais perceptível quando há aumento da vazão no Rio Tietê, especialmente em períodos de chuva na região.
“Isso acontece principalmente na cabeceira do Rio Tietê, quando o aumento da vazão no rio aumenta o volume de água e a produção de espuma”, disse.
Embora as chuvas ajudem a explicar a força do fenômeno, a presença da espuma também expõe a carga de poluição que ainda chega ao rio, um problema diretamente relacionado ao saneamento básico.
Toledo destacou que a melhora da qualidade da água depende da ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, porque esses poluentes continuam entre os principais fatores de degradação do Tietê.

“Como temos bastante carga de poluição, é muito importante que aconteçam os investimentos em saneamento”, afirmou o presidente da Cetesb.
Na mesma declaração, ele reforçou que “não há outra forma” de melhorar a qualidade do rio sem ampliar esse tipo de investimento.
Em Salto, a espuma costuma ganhar repercussão porque aparece em grande volume, muda a paisagem do rio e torna visível um problema ambiental que permanece associado à ocupação urbana e ao despejo de poluentes.
O episódio, no entanto, faz parte de uma discussão mais ampla sobre coleta e tratamento de esgoto na bacia do Tietê, que atravessa áreas densamente urbanizadas e recebe impacto direto da Região Metropolitana de São Paulo.
Saneamento e recuperação do Tietê
Para enfrentar esse cenário, o Governo de São Paulo mantém o programa IntegraTietê como uma das principais frentes para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto, recuperar áreas degradadas e melhorar a qualidade das águas.
A iniciativa reúne obras executadas pela Sabesp e ações coordenadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, com foco em municípios da Região Metropolitana de São Paulo e do Alto Tietê.
De acordo com a Semil, desde 2023 a Sabesp conectou mais de 1,1 milhão de domicílios à rede de esgoto, dentro do conjunto de ações previstas para a recuperação da bacia.
A meta do programa é alcançar 1,5 milhão de novas ligações até 2026 e mais de 2,2 milhões até 2029, ampliando a infraestrutura necessária para reduzir o lançamento de esgoto nos rios.
Essa expansão é considerada essencial porque a formação de espuma está associada à combinação entre vazão, agitação da água e presença de poluentes, especialmente em trechos onde o rio sofre maior impacto urbano.
Com mais esgoto coletado e tratado antes de chegar aos cursos d’água, a tendência é reduzir a carga orgânica despejada no sistema hídrico, embora os resultados dependam de execução contínua, fiscalização e monitoramento.
Em 2026, a Cetesb informou redução de 20% da carga orgânica no Tietê, segundo declaração atribuída ao presidente da companhia, que relacionou o avanço às ações de saneamento e acompanhamento ambiental.
Thomaz Toledo afirmou que, com esses números, será possível enfrentar o problema da espuma na região de Salto, em conjunto com ações do Estado voltadas à fiscalização e ao monitoramento da qualidade da água.
Monitoramento da qualidade da água
Além das obras de saneamento, a Cetesb ampliou a rede de acompanhamento do Rio Tietê para medir com mais precisão as mudanças na qualidade da água ao longo da bacia.
Em abril de 2024, a companhia informou que os pontos de medição passaram de 11 para 30, dentro do IntegraTietê, e adotou o Carbono Orgânico Total como indicador para monitorar a carga orgânica.
Segundo a Semil, o novo indicador leva em conta a vazão média diária e a concentração medida no momento da coleta, permitindo acompanhar variações que podem interferir diretamente na avaliação do rio.
Em 2023, a medição ocorreu em duas frentes: a carga orgânica gerada na bacia do Alto Tietê e a concentração média nos afluentes do rio localizados nessa mesma região.
A secretaria informou que os primeiros resultados do novo modelo mostraram melhora acima do esperado em 12 meses, com carga média anual de 202 toneladas por dia, abaixo da meta de 210 toneladas por dia.
No mesmo levantamento, a média ponderada de carbono orgânico total ficou em 30,6 mg/L, índice inferior ao limite previsto de 34 mg/L para o período monitorado.
Em paralelo, a companhia mantém estações automáticas em pontos estratégicos, como Mogi das Cruzes, Pirapora-Rasgão, Itu e Laranjal Paulista, para acompanhar parâmetros da água com maior frequência.
Esses equipamentos registram oxigênio dissolvido, pH, turbidez, condutividade elétrica e temperatura em intervalos de cinco minutos, oferecendo dados que ajudam a interpretar alterações provocadas por chuva, vazão e poluição.
Como o comportamento de um rio sofre influência direta de fatores climáticos, avaliações sobre melhora ou piora da água precisam considerar médias, sazonalidade das chuvas e variações de vazão, não apenas episódios isolados.
No trecho de Salto, a espuma voltou a funcionar como sinal visível de um problema antigo, enquanto a redução da carga orgânica e a ampliação do saneamento indicam avanço gradual na recuperação do Tietê.
Ainda assim, a presença recorrente da camada branca mostra que a melhora da qualidade da água depende da continuidade de obras, fiscalização ambiental e acompanhamento permanente em toda a bacia.

