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Em vez de deixar o calor de uma fábrica de papel escapar, porto francês usa resíduos industriais e tubulações para levar energia a até 30 mil moradias

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 30/06/2026 às 19:57 Atualizado em 30/06/2026 às 19:59
Rede de aquecimento urbano de Estrasburgo aproveita calor industrial de fábrica de papel e resíduos perigosos
Rede de aquecimento urbano de Estrasburgo aproveita calor industrial de fábrica de papel e resíduos perigosos
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A rede de aquecimento urbano de Estrasburgo aproveita calor industrial de fábrica de papel e resíduos perigosos, movimenta água quente por tubulações e revela como o calor residual pode evitar desperdícios de energia quando indústria e cidade ficam próximas.

Em vez de escapar durante a produção, o calor de uma fábrica de papel no Porto de Estrasburgo entrou em uma rede urbana criada para aquecer prédios e moradias. A estrutura R PAS reúne a fábrica Blue Paper e uma unidade de tratamento de resíduos perigosos chamada Trédi.

Em publicação de 12 de abril de 2024, o Groupe Séché, grupo francês de gestão e tratamento de resíduos, registrou que a rede recuperava calor da Blue Paper desde 2021 e recebeu a contribuição da Trédi em 2023. A previsão divulgada para 2024 era superar 150 GWh de calor recuperado, volume comparado ao consumo de até 30 mil moradias.

O dado de 150 GWh representava uma meta para 2024, não uma confirmação posterior de entrega. Ainda assim, o projeto mostra como uma indústria pode enviar parte do calor que sobra de sua operação para locais próximos que precisam de aquecimento.

Como uma rede de aquecimento urbano leva calor da indústria até os prédios

Uma rede de aquecimento urbano funciona com água quente circulando em tubulações. A fábrica fornece o calor, a água leva essa energia até os prédios conectados e depois retorna para receber calor outra vez.

O calor de uma fábrica de papel no Porto de Estrasburgo entrou em uma rede urbana criada para aquecer prédios e moradias
O calor de uma fábrica de papel no Porto de Estrasburgo entrou em uma rede urbana criada para aquecer prédios e moradias

O chamado calor residual é a energia que sobra de máquinas e processos industriais. Em muitos casos, esse calor sai da fábrica sem uso. Quando é recuperado, pode ajudar a aquecer água, ambientes e instalações próximas.

A lógica depende da distância entre fábrica e consumidores. Quanto maior o trajeto das tubulações, maior tende a ser o custo da obra e maior pode ser a perda de temperatura no caminho.

Por isso, áreas portuárias e polos industriais próximos de bairros, hospitais, escolas e centros comerciais podem ter condições mais favoráveis para esse tipo de estrutura.

Blue Paper e Trédi fornecem calor para a rede R PAS

A Blue Paper foi a primeira fonte de calor ligada ao sistema. A fábrica de papel passou a transferir parte da energia que sobra de sua operação para a rede que atende o entorno do Porto de Estrasburgo.

A Trédi entrou no projeto em 2023. A unidade trabalha com tratamento térmico de resíduos perigosos, processo que usa temperaturas elevadas para lidar com materiais que exigem cuidados especiais.

As duas fontes mostram uma diferença importante. O calor útil não precisa sair apenas de uma fábrica de papel, pois também pode vir de processos industriais que tratam resíduos e geram altas temperaturas.

Blue Paper e Trédi fornecem calor para a rede R PAS
Blue Paper e Trédi fornecem calor para a rede R PAS

Esse reaproveitamento não elimina todos os impactos de uma atividade industrial. A função da rede é aproveitar uma parcela de energia que já existe no processo e que antes poderia ficar sem destino.

A previsão de superar 150 GWh em 2024 era comparada ao consumo de 30 mil moradias

O número de 150 GWh ajuda a mostrar a escala da energia prevista para a rede. GWh significa gigawatt hora, uma medida usada para indicar a quantidade total de energia oferecida em um período.

A comparação com até 30 mil moradias serve para tornar esse volume mais fácil de entender. Ela não significa que cada residência receberia uma ligação individual ou que toda a cidade seria atendida pela rede.

O planejamento citado para 2024 incluía locais como o bairro Coop, a clínica Rhéna, a sede dos Portos de Estrasburgo, as Malteries Soufflet e a escola Port du Rhin.

Na prática, a rede concentra sua atuação em uma área onde há indústria capaz de fornecer calor e consumidores localizados perto o bastante para receber essa energia por tubulações.

Onze quilômetros de tubulações e 40 milhões de euros mostram o tamanho da infraestrutura

A rede R PAS instalou 11 quilômetros de tubulações nos primeiros anos do projeto. A estrutura conectou primeiro a Blue Paper e, depois, a unidade Trédi.

O Groupe Séché, grupo francês de gestão e tratamento de resíduos, detalhou investimentos realizados e programados de 40 milhões de euros para o projeto. O valor envolve uma estrutura capaz de captar, transportar e distribuir calor entre a indústria e os consumidores atendidos.

Tubulações, bombas e equipamentos de controle fazem parte dessa operação. A água precisa circular com temperatura e pressão adequadas para que o calor chegue ao destino sem comprometer a segurança do sistema.

Esse ponto explica por que uma rede de aquecimento urbano exige planejamento. Não basta existir uma fábrica com calor disponível, pois é preciso construir a ligação física até os locais que vão usar a energia.

Contratos de longo prazo ajudam a manter o fornecimento de calor

Uma rede de calor depende de uma relação contínua entre quem gera a energia, quem opera as tubulações e quem recebe o calor. Os contratos de longo prazo ajudam a definir responsabilidades e a dar estabilidade a uma estrutura que demanda investimento alto.

Esses acordos podem tratar da disponibilidade do calor, da manutenção e das condições de fornecimento. A previsibilidade é importante porque as tubulações e equipamentos são usados por muitos anos.

A segurança operacional também precisa acompanhar toda a rotina. Medição de temperatura, pressão e fluxo de água ajuda a manter o sistema estável e reduz riscos durante o transporte do calor.

Para quem recebe a energia, o principal benefício é ter uma fonte de aquecimento ligada a uma estrutura coletiva. Para quem fornece, o ganho está em dar valor a uma energia que antes não tinha uso fora da própria fábrica.

Papel, celulose, química e siderurgia podem inspirar estudos no Brasil

O exemplo de Estrasburgo não prova que toda indústria brasileira pode criar uma rede parecida. Cada local precisa avaliar a quantidade de calor disponível, o custo das tubulações, a distância até os consumidores e a continuidade da atividade industrial.

Mesmo assim, polos de papel e celulose, indústria química e siderurgia podem observar esse modelo. Essas atividades usam processos que geram calor e, em alguns casos, ficam próximas de áreas com prédios e serviços.

Portos e distritos industriais também podem estudar essa possibilidade quando houver consumidores de energia no entorno. O ponto central é verificar se o calor que sobra de uma operação pode ser aproveitado de forma segura e financeiramente viável.

A experiência francesa reforça que o calor industrial pode deixar de ser apenas uma perda. Quando há planejamento, infraestrutura e consumidores próximos, essa energia pode ganhar utilidade fora dos muros da fábrica.

O projeto R PAS mostrou uma alternativa para aproveitar calor de uma fábrica de papel e de uma unidade de resíduos perigosos em uma rede urbana. A meta divulgada para 2024 previa superar 150 GWh e atender o equivalente a até 30 mil moradias.

O caso também deixa um alerta importante para o Brasil. O reaproveitamento de calor depende de distância curta, obras caras, operação segura e contratos capazes de manter o fornecimento por muitos anos.

Na sua região, o calor que sai de uma indústria poderia atender quais prédios próximos sem exigir uma nova fonte de energia? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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