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A 116 anos-luz da Terra, classificada como anã vermelha, a estrela LHS 1903 abriga quatro planetas em sequência invertida, com dois gigantes gasosos seguidos por um mundo rochoso externo de alta densidade, que contraria o padrão observado no Sistema Solar

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 16/02/2026 às 12:47 Atualizado em 16/02/2026 às 12:49
Estudo publicado na Science mostra que a estrela LHS 1903 abriga planetas em ordem “invertida”. Configuração incomum pode mudar modelos de formação planetária.
Estudo publicado na Science mostra que a estrela LHS 1903 abriga planetas em ordem “invertida”. Configuração incomum pode mudar modelos de formação planetária. Foto: Agência Espacial Européia
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Estudo publicado na Science mostra que a estrela LHS 1903 abriga planetas em ordem “invertida”. Configuração incomum pode mudar modelos de formação planetária.

A cerca de 116 anos-luz da Terra, a estrela LHS 1903 tornou-se protagonista de uma descoberta incomum. Astrônomos identificaram quatro planetas em órbita, mas a organização desses mundos chamou atenção por fugir do esperado.

O estudo, divulgado na revista Science, descreve um arranjo classificado como planetas em ordem “invertida”. A configuração contraria os modelos clássicos adotados pela astronomia.

Estrela LHS 1903 abriga quatro planetas em ordem “invertida”, com mundo rochoso além de gigantes gasosos e desafia modelos clássicos de formação planetária

Em sistemas planetários tradicionais, planetas rochosos tendem a ocupar regiões próximas à estrela. Já gigantes gasosos costumam se formar mais distantes, onde as temperaturas são menores.

No entanto, a estrela LHS 1903 apresenta uma sequência diferente. Após dois planetas gasosos, surge novamente um corpo pequeno e denso.

Ou seja, um planeta rochoso em posição externa.

Como os cientistas chegaram à descoberta?

A identificação dos planetas exigiu a combinação de observações feitas na Terra e no espaço.

Telescópios forneceram dados essenciais sobre massa, tamanho e comportamento orbital.

Posteriormente, medições refinadas foram realizadas com o satélite CHEOPS, missão da Agência Espacial Europeia. Esse passo foi decisivo para compreender a natureza do planeta mais distante.

O planeta que mudou a interpretação do sistema?

Inicialmente, os três mundos internos pareciam compatíveis com o padrão esperado. O mais próximo indicava composição rochosa, enquanto os dois seguintes apresentavam características gasosas.

Entretanto, o quarto planeta trouxe a surpresa. As análises revelaram alta densidade e dimensões reduzidas. Assim, os cientistas concluíram que ele também é rochoso.

Comparação com o Sistema Solar ajuda a entender

No Sistema Solar, planetas sólidos como Terra e Marte estão nas regiões internas. Enquanto isso, Júpiter e Saturno dominam as áreas externas como gigantes gasosos.

A explicação envolve radiação e temperatura. Próximo à estrela, gases leves são dissipados.

Em áreas frias, por outro lado, eles conseguem se acumular e formar grandes atmosferas.

A estrela LHS 1903 é uma anã vermelha fria, menor e menos luminosa que o Sol. Estrelas desse tipo são abundantes na Via Láctea e frequentemente abrigam sistemas planetários.

Ainda assim, encontrar planetas em ordem “invertida” ao redor de uma anã vermelha é raro. Por isso, o sistema passou a ser analisado como um caso atípico.

O que dizem os pesquisadores?

Segundo Thomas Wilson, pesquisador em exoplanetas da Universidade de Warwick, “essa estranha desordem faz dele um sistema único, invertido”.

Em comunicado, ele acrescenta que “planetas rochosos geralmente não se formam muito longe de sua estrela hospedeira, na parte externa dos mundos gasosos”.

A declaração reforça o caráter incomum da descoberta. Além disso, destaca o impacto teórico do achado.

Hipóteses consideradas durante o estudo

Diante da configuração inesperada, os cientistas avaliaram possíveis explicações alternativas. Entre elas, estavam migrações orbitais ou grandes colisões que poderiam alterar a estrutura do sistema.

Contudo, os dados coletados não sustentaram esses cenários. As evidências indicaram que tais eventos seriam improváveis.

Formação “de dentro para fora” surge como explicação

A hipótese mais consistente sugere que o sistema se desenvolveu de “dentro para fora”. Nesse modelo, os planetas se formam em sequência, começando nas regiões internas.

Cada novo planeta consome parte do gás e da poeira disponíveis. Quando o último começou a se formar, possivelmente restava pouco material gasoso. Consequentemente, isso teria limitado seu crescimento.

A estrela LHS 1903 apresenta uma arquitetura orbital invertida que contraria o padrão observado no Sistema Solar

A descoberta indica que a formação planetária pode ser mais diversa do que os modelos atuais preveem. Assim, teorias consolidadas podem precisar de ajustes.

Astrônomos agora buscam sistemas semelhantes ao da estrela LHS 1903. O objetivo é verificar se a configuração é exceção ou parte de uma variedade ainda pouco observada.

Casos como o da estrela LHS 1903 ampliam o entendimento sobre a complexidade do Universo. Além disso, mostram que a arquitetura dos sistemas planetários pode ser muito mais variada.

Enquanto novas observações são realizadas, a estrela segue como um laboratório natural. E, ao que tudo indica, ainda pode revelar outras surpresas.

Com informações do Olhar Digital

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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