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O que existe no PIX que assustou os EUA? Sistema brasileiro usado por milhões entra em relatório de Trump e vira argumento para tarifa contra o Brasil

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 02/06/2026 às 09:45
Atualizado em 02/06/2026 às 09:54
EUA criticam PIX gratuito, destaque nos apps dos bancos e papel do Banco Central em disputa comercial com o Brasil.
EUA criticam PIX gratuito, destaque nos apps dos bancos e papel do Banco Central em disputa comercial com o Brasil.
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Relatório do USTR coloca o PIX entre os argumentos para uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros, ao lado de críticas sobre comércio digital, etanol, propriedade intelectual, corrupção e desmatamento ilegal, em processo ainda sujeito a consultas públicas nos Estados Unidos.

As tarifas de Trump contra o Brasil colocaram o PIX no centro de uma disputa comercial mais ampla entre Washington e Brasília. Em relatório divulgado na segunda-feira, 1º, os Estados Unidos propuseram taxar em 25% produtos brasileiros e apontaram o sistema de pagamentos como prática discriminatória.

PIX entra no foco das tarifas de Trump

A investigação foi conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O procedimento havia sido aberto em julho de 2025 por determinação de Donald Trump.

O relatório americano sustenta que determinadas políticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e estariam onerando ou restringindo o comércio dos Estados Unidos. A proposta ainda não está em vigor e depende de consultas públicas antes de qualquer aplicação.

No caso do PIX, Washington questiona a forma como o Banco Central do Brasil regula, opera e promove o sistema. Para o governo americano, esse duplo papel criaria conflito de interesses sem salvaguardas processuais adequadas.

O documento afirma que o Banco Central teria atuado como regulador para prejudicar provedores americanos de serviços de pagamento eletrônico e favorecer o PIX. A crítica mira regras de funcionamento, visibilidade nos aplicativos bancários e limites de cobrança.

Entre os pontos citados está a obrigação de instituições financeiras com mais de 500 mil contas oferecerem o PIX. O USTR também questiona a exigência de que a ferramenta apareça na tela principal dos aplicativos participantes.

Na avaliação americana, o destaque dado ao sistema brasileiro deve ser igual ou superior ao de qualquer outro serviço de pagamento ou transferência. O relatório interpreta essa regra como vantagem competitiva concedida a um concorrente local.

Outro ponto sensível é a gratuidade para pessoas físicas. O governo americano afirma que o Banco Central incentiva o uso do PIX ao exigir oferta gratuita nesse público e limitar tarifas cobradas de empresas em transações realizadas pelo sistema.

TRUMP
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Relatório também mira comércio digital, etanol e meio ambiente

Embora o PIX tenha ganhado destaque, a investigação não se limita aos meios de pagamento. O USTR reuniu críticas em seis áreas principais, envolvendo comércio digital, tarifas preferenciais, etanol, propriedade intelectual, corrupção e desmatamento ilegal.

Na parte de comércio digital e plataformas, os Estados Unidos afirmam que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais americanas. O tema aparece dentro do conjunto de práticas contestadas.

O relatório também critica acordos tarifários firmados pelo Brasil com Índia e México. A alegação é que esses países receberiam tratamento preferencial em determinados setores, o que, na visão americana, afetaria interesses comerciais dos Estados Unidos.

No etanol, Washington afirma que o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário recíproco ao produto americano desde 2017. A questão aparece como mais um elemento da avaliação de que práticas brasileiras prejudicariam exportadores dos Estados Unidos.

Em propriedade intelectual, o documento aponta demora na análise de patentes, falhas no combate à falsificação de produtos e insuficiência de medidas antipirataria. A Rua 25 de Março, em São Paulo, é citada como exemplo de preocupação.

O relatório também menciona corrupção e suborno. Nessa frente, os Estados Unidos afirmam que o Brasil não adotaria medidas suficientes, citando decisões relacionadas à Operação Lava Jato e queda em rankings internacionais de percepção da corrupção.

Na área ambiental, a crítica se concentra no desmatamento ilegal. O USTR reconhece a existência de legislação ambiental no Brasil, mas sustenta que o país teria falhado historicamente em aplicá-la de maneira eficaz.

Tarifa de 25% ainda depende de consulta pública

A proposta americana prevê tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil, mas o processo ainda tem etapas antes de uma decisão final. A fase de consultas públicas será usada para receber manifestações e realizar audiência.

O cronograma informado prevê 22 de junho de 2026 como prazo para pedidos de participação em audiência pública. Comentários escritos poderão ser enviados até 1º de julho, e a audiência do USTR está marcada para 6 de julho.

O prazo final para eventual definição das medidas é 15 de julho de 2026. Até lá, as tarifas de Trump seguem como proposta, enquanto Brasil e Estados Unidos mantêm negociação diplomática para tentar evitar novas barreiras comerciais.

A lista americana também prevê exceções. Aeronaves e peças aeronáuticas, determinadas carnes, café, chá, especiarias, frutas, fertilizantes, produtos farmacêuticos, minerais, terras raras, cereais, sementes, plantas medicinais e químicos orgânicos ficariam fora da cobrança.

A inclusão do PIX no debate amplia o alcance da disputa comercial. O sistema, apresentado pelo Brasil como ferramenta de inclusão financeira, é tratado pelo governo americano como exemplo de política pública que afetaria empresas privadas estrangeiras.

O governo brasileiro rejeita essa interpretação e sustenta que o PIX ampliou a inclusão financeira sem impedir a atuação de empresas privadas. A controvérsia passa a integrar a decisão sobre eventual tarifa de 25%.

Com informações de Veja.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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