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Pior é nada, mas a redução anunciada por Trump foi de apenas 10%, um gesto mínimo que não muda o jogo para as exportações brasileiras

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 16/11/2025 às 12:40
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Os EUA reduziram apenas 10% das tarifas e mantiveram o tarifaço de 40%, deixando o Brasil com um alívio mínimo enquanto as negociações seguem travadas e setores exportadores continuam pressionados

A decisão do governo Donald Trump de reduzir parte das tarifas aplicadas ao Brasil parecia, à primeira vista, uma vitória diplomática relevante. No entanto, quando se analisam os números e o contexto político, o gesto perde força.

O recuo efetivo foi de apenas dez por cento, valor insuficiente para aliviar de forma concreta o peso que o tarifaço de quarenta por cento vem impondo às exportações brasileiras desde agosto. O anúncio não desmonta o coração da medida americana e evidencia que a tensão comercial entre os dois países continua longe de ser resolvida.

Mesmo com a retirada parcial das alíquotas, o governo brasileiro afirma que o impacto econômico é muito menor do que o divulgado inicialmente. A isenção adicional ampliou de vinte e três para vinte e seis por cento o volume de produtos brasileiros que entram sem sobretaxa, uma variação modesta diante da dimensão do mercado americano.

A mensagem que Brasília recebeu é clara: Washington recuou o mínimo possível enquanto avalia o cenário eleitoral interno e monitora pressões econômicas crescentes.

O tarifaço de 40% permanece firme e segue como maior obstáculo

A medida mais dura da política comercial dos Estados Unidos não foi alterada. A sobretaxa de quarenta por cento segue aplicada à maior parte das exportações brasileiras, especialmente sobre produtos agrícolas e industriais. Na prática, mesmo com a retirada da taxa extra de dez por cento, boa parte dos itens continua enfrentando um custo total de importação que chega a cinquenta por cento em alguns casos.

Esse peso tarifário tem provocado queda nos embarques de setores inteiros. As vendas de café brasileiro para os EUA, por exemplo, despencaram quase pela metade em setembro em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Produtores de frutas, processadores de alimentos e frigoríficos relatam contratos cancelados, carregamentos encalhados e margens comprometidas. Para esses grupos, a redução anunciada por Trump não traz alívio real, já que o grosso da cobrança permanece intocado.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil vai continuar pressionando pela remoção completa das tarifas adicionais. Segundo ele, não há justificativa econômica para manter sobretaxas tão elevadas sobre produtos que os americanos importam em larga escala. A equipe econômica vê o gesto como apenas um passo inicial, insuficiente para restabelecer a previsibilidade do comércio bilateral.

O cálculo político e a inflação nos EUA explicam o recuo limitado

A ordem executiva que retirou os dez por cento menciona fatores técnicos, recomendações internas e ajustes estratégicos nas negociações internacionais. O motivo real, porém, está relacionado ao ambiente doméstico dos Estados Unidos. A inflação na área de alimentos aumentou a pressão sobre o governo Trump, que tenta equilibrar seu discurso protecionista com o custo de vida que afeta diretamente seu eleitorado.

Itens brasileiros tiveram papel importante nessa escalada de preços. A redução das tarifas de apenas dez por cento funciona como uma espécie de contenção de danos, permitindo amenizar pressões sem desmontar completamente a retórica de proteção da indústria americana.

Para Trump, recuar demais poderia ser interpretado como fraqueza em um ano de forte disputa política. Por isso o governo optou por uma redução mínima, mantendo o tarifaço como sinal de força e controle.

Mesmo assim, a decisão indica que a Casa Branca reconhece o impacto negativo causado pelas medidas. Na primeira conversa com Lula sobre o tema, Trump admitiu que o país estava sentindo falta de determinados produtos brasileiros e citou explicitamente o café. O gesto atual confirma que a pressão do consumidor americano começou a influenciar o tom das negociações.

As disputas continuam e o Brasil espera mais do que 10%

Apesar do clima de reaproximação entre Lula e Trump nos últimos meses, o gesto de reduzir apenas dez por cento não atende às expectativas de Brasília. O governo brasileiro acredita que um avanço significativo só ocorrerá com a eliminação ou ao menos o rebaixamento da tarifa de quarenta por cento, ponto central das conversas iniciadas em setembro.

Mauro Vieira e Marco Rubio se reuniram duas vezes nesta semana e deixaram aberta a possibilidade de um acordo ainda neste mês. Segundo o chanceler, o Brasil apresentou uma contraproposta detalhada e aguarda a resposta americana.

A avaliação no Itamaraty é que o recuo parcial foi um sinal positivo, mas insuficiente. Enquanto o tarifaço continuar valendo, o comércio bilateral seguirá comprometido e setores inteiros seguirão sob risco.

Em Brasília, a leitura dominante é que o gesto de Trump abre uma porta, mas não um caminho. A redução de apenas dez por cento foi tratada como simbólica, não estrutural. A disputa comercial permanece ativa e, até agora, o Brasil segue enfrentando barreiras pesadas que afetam diretamente seu desempenho no maior mercado consumidor do planeta.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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