Donald Trump anunciou que pretende reduzir tarifas sobre o café importado, mas sem citar países. O Brasil, principal fornecedor do produto, aguarda detalhes sobre a medida que pode reaquecer o comércio entre as duas nações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende reduzir “algumas tarifas” aplicadas às importações de café, mas sem especificar quais países seriam beneficiados pela medida. A declaração foi feita durante uma entrevista concedida à emissora Fox News nesta terça-feira (11), e rapidamente repercutiu entre produtores e exportadores brasileiros, já que o Brasil é o principal fornecedor de café para o mercado norte-americano.
A fala de Trump ocorre em um momento delicado para o setor. Desde que o governo norte-americano impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o café tornou-se um dos itens mais afetados pela alta de preços nos Estados Unidos. A inflação do produto, que já vinha em crescimento devido ao aumento dos custos logísticos e climáticos, foi amplificada pelo tarifaço, pressionando tanto os importadores quanto os consumidores.

Durante um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro, na Malásia, Trump reconheceu publicamente que os EUA estão “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros, especialmente o café, segundo informações da BBC News Brasil. O gesto foi interpretado como um sinal de reaproximação comercial entre os dois países, embora ainda não existam prazos definidos para a retirada total ou parcial das tarifas.
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O encontro bilateral também serviu como ponto de partida para novas negociações comerciais, mas nenhuma decisão concreta foi tomada. Fontes próximas ao governo brasileiro indicam que o Palácio do Planalto busca garantir que o café volte a entrar no mercado norte-americano com competitividade, especialmente diante da crescente demanda global pelo arábica brasileiro, reconhecido pela qualidade e volume de produção.
Lula afirmou no último dia 4 que pretende retomar o diálogo com Washington caso as conversas não avancem até o encerramento da COP30, marcada para ocorrer em Belém. “Se as negociações não progredirem, vou ligar novamente para o presidente Trump”, disse o chefe de Estado brasileiro.
Até o momento, os Estados Unidos não enviaram representantes para a conferência climática, o que tem sido interpretado como um sinal de distanciamento diplomático temporário.
A decisão de reduzir tarifas pode representar uma oportunidade significativa para o agronegócio brasileiro, que exporta anualmente milhões de sacas de café para os EUA. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o mercado norte-americano absorve cerca de 20% de todo o café exportado pelo Brasil, movimentando bilhões de reais por ano.
Uma revisão tarifária positiva poderia estimular novas parcerias comerciais, impulsionar a cadeia produtiva e reforçar a posição do Brasil como maior exportador mundial de café.
Por enquanto, o setor segue atento aos próximos passos da Casa Branca. Apesar das declarações otimistas, Trump não definiu datas nem critérios claros para a redução tarifária, o que mantém o cenário de incerteza para produtores e importadores.
Analistas apontam que o gesto pode estar ligado a uma estratégia política voltada para a reaproximação com países latino-americanos em meio à pressão interna por reduzir custos de produtos essenciais no mercado norte-americano.

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