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Piauí pode receber tecnologia solar inédita no Brasil com espelhos gigantes e armazenamento térmico, em projeto de 100 MW que tenta guardar o calor do sol para gerar energia mesmo depois do anoitecer 

Escrito por Ana Alice
Publicado em 11/05/2026 às 23:59
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Projeto no Piauí estuda energia solar concentrada com espelhos gigantes e armazenamento térmico, tecnologia que usa calor acumulado para gerar eletricidade e pode abrir nova frente de pesquisa renovável no Brasil.

O Piauí pode receber uma planta-piloto de energia solar concentrada com armazenamento térmico, tecnologia ainda inédita no Brasil.

O projeto é estudado pela CGN Brasil em parceria com o Governo do Piauí e o Piauí Instituto de Tecnologia, com previsão de análise para uma unidade de aproximadamente 100 MW no estado.

A proposta não trata, por enquanto, de uma obra em execução.

A etapa atual envolve estudos de viabilidade técnica, econômica e regulatória para verificar se a tecnologia pode ser implantada no território piauiense.

O objetivo declarado pelos responsáveis é avaliar uma forma de geração solar capaz de armazenar calor e produzir eletricidade mesmo após o fim da incidência direta do sol.

Diferentemente dos painéis fotovoltaicos, que convertem a luz solar diretamente em energia elétrica, a tecnologia conhecida como CSP, sigla em inglês para energia solar concentrada, usa espelhos para direcionar a radiação a um ponto específico.

Esse processo gera temperaturas elevadas, aquece fluidos térmicos e permite que o calor seja usado posteriormente para movimentar turbinas e produzir eletricidade.

Como funciona a energia solar concentrada

A energia solar concentrada opera a partir de grandes superfícies refletoras.

Esses espelhos acompanham a posição do sol e concentram a radiação em uma torre ou receptor térmico, onde o calor é transferido para fluidos ou materiais capazes de manter altas temperaturas por determinado período.

A diferença em relação à geração fotovoltaica está na forma de aproveitamento da energia.

Nos sistemas convencionais de placas solares, a produção depende diretamente da luz disponível naquele momento.

Na CSP com armazenamento térmico, o calor captado pode ser preservado e usado depois, de acordo com a configuração técnica da usina.

Por esse motivo, os responsáveis pelo estudo tratam o armazenamento térmico como uma alternativa para ampliar a geração renovável despachável.

No setor elétrico, esse termo se refere a fontes que podem ser acionadas ou controladas conforme a necessidade do sistema, dentro das condições técnicas de operação.

A CGN Brasil afirma que a iniciativa busca contribuir para enfrentar problemas como a intermitência das fontes solares e as limitações de escoamento da rede elétrica.

A empresa também informa que a tecnologia pode permitir geração mesmo sem incidência solar imediata, o que depende do desempenho do sistema de armazenamento adotado.

Imagem: Reprodução/CGN Brasil
Imagem: Reprodução/CGN Brasil

Por que o Piauí aparece no centro do estudo

O Piauí foi escolhido para a análise por causa de sua relação com fontes renováveis e da presença de empreendimentos solares e eólicos no estado.

Segundo o Piauí Instituto de Tecnologia, a matriz elétrica estadual tem participação majoritária de fontes renováveis, com destaque para geração solar e eólica.

A tecnologia CSP costuma ser associada a áreas com alta incidência de radiação solar direta, condição necessária para que os espelhos concentrem calor de maneira eficiente.

Em documentos do projeto, o PIT cita experiências e referências internacionais em países como China, Estados Unidos, Espanha, Chile e Marrocos.

Esses exemplos não significam que a implantação brasileira esteja garantida.

A comparação serve como base técnica para avaliar desempenho, custos, materiais, requisitos ambientais e adaptação às condições locais.

A viabilidade depende de estudos específicos sobre clima, infraestrutura, conexão à rede e regulação.

No caso piauiense, a análise deve considerar dados de irradiância direta normal, temperatura, regime de nuvens e disponibilidade de áreas compatíveis com a instalação de espelhos.

Também entram na avaliação a capacidade de armazenamento térmico, a integração ao sistema elétrico e os possíveis impactos ambientais.

Estudo vai avaliar custos, materiais e normas

O acordo firmado entre a CGN Brasil e o Piauí Instituto de Tecnologia prevê estudos voltados à implantação de uma planta-piloto de cerca de 100 MW.

A fase de pesquisa inclui análises sobre engenharia, regulação, custos, licenciamento e operação da tecnologia em território brasileiro.

O Edital PIT nº 08/2026, lançado em 15 de abril de 2026, abriu seleção para quatro bolsistas que devem integrar a equipe técnica do projeto.

A composição prevista inclui três pesquisadores-mestres e um assistente de pesquisa, com atuação em áreas relacionadas a sistemas térmicos, processos químicos, materiais de alto desempenho e avaliação ambiental.

Entre as atividades previstas estão simulações de produção e armazenamento de energia elétrica e térmica, levantamento de normas nacionais e internacionais e comparação com projetos em operação fora do Brasil.

O edital também menciona estudos sobre riscos ambientais e análise de alternativas tecnológicas aplicáveis ao projeto.

A seleção dos pesquisadores indica que a iniciativa ainda está concentrada na etapa de pesquisa e desenvolvimento.

Não há, nas fontes oficiais consultadas, cronograma público que confirme início de obras, prazo de conclusão da planta ou data de entrada em operação.

Cooperação técnica com visitas à China

A proposta inclui cooperação técnica e intercâmbio de profissionais brasileiros, além de visitas a plantas operacionais na China.

Segundo a CGN Brasil, essa etapa deve permitir contato com experiências já implantadas em outros mercados e apoiar a avaliação de adaptação da tecnologia ao Brasil.

O presidente da CGN Brasil, Mingzhu Li, afirmou, em comunicado da empresa, que “o projeto representa um passo importante para ampliar a confiabilidade das energias renováveis no Brasil, combinando inovação tecnológica e desenvolvimento regional”.

A declaração foi divulgada no anúncio da parceria com o governo estadual.

O governador Rafael Fonteles também se manifestou no comunicado.

Segundo ele, “o Piauí tem buscado se posicionar como um polo de inovação em energias renováveis” e a parceria pode contribuir para atrair investimentos, gerar conhecimento e fortalecer o desenvolvimento regional.

As falas foram mantidas por constarem em divulgação oficial da empresa.

As avaliações sobre impacto, inovação e desenvolvimento foram atribuídas aos respectivos autores, sem serem apresentadas como constatações independentes.

O desafio de armazenar energia em forma de calor

O ponto técnico que diferencia o projeto está no armazenamento térmico.

Em vez de guardar eletricidade em baterias químicas, a proposta é armazenar calor produzido pela concentração da radiação solar.

Depois, esse calor pode ser usado para gerar vapor, acionar turbinas e produzir eletricidade.

A abordagem busca responder a uma limitação conhecida da energia solar: a queda da geração quando a luz diminui no fim do dia.

Com armazenamento térmico, uma planta CSP pode continuar produzindo por determinado período após o pôr do sol, desde que o sistema tenha capacidade suficiente para conservar e utilizar o calor acumulado.

Essa possibilidade, porém, depende de fatores técnicos e econômicos.

A tecnologia exige radiação solar direta adequada, áreas amplas para instalação dos espelhos, materiais resistentes a altas temperaturas e sistemas de controle capazes de operar em condições específicas.

Os custos também precisam ser avaliados em comparação com outras formas de geração e armazenamento.

Por isso, a etapa de viabilidade deve indicar se o modelo é compatível com o cenário brasileiro.

O estudo precisa considerar tanto o desempenho energético quanto a regulação do setor elétrico, a conexão com a rede e as exigências ambientais aplicáveis ao projeto.

CGN já opera ativos renováveis no estado

A CGN Brasil informa que possui mais de 100 GW de capacidade instalada no mundo.

No Piauí, a empresa declara ter um portfólio operacional de 506 MW entre ativos solares e eólicos.

A companhia atua no Brasil no setor de energia limpa e mantém empreendimentos em diferentes estados.

A experiência internacional da empresa com projetos de energia é um dos elementos citados no acordo.

Ainda assim, a implantação da CSP com armazenamento térmico no Piauí depende do resultado dos estudos conduzidos com o Piauí Instituto de Tecnologia.

Para pesquisadores e agentes do setor elétrico, tecnologias de armazenamento são consideradas relevantes porque podem ajudar a lidar com a variação natural de fontes renováveis.

No caso da CSP, essa discussão se concentra no uso do calor como reserva energética temporária.

A possível planta-piloto no Piauí, portanto, ainda está na fase de estudo, mas coloca em debate uma forma diferente de aproveitar a energia solar.

Em vez de transformar apenas a luz imediata em eletricidade, o projeto avalia se o calor concentrado pelos espelhos pode ser armazenado e usado depois.

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Claudemir
Claudemir
16/05/2026 13:40

Nesta reportagem é possível compreender que este investimento está fadado ao fracasso por diversos motivos: https://bmcnews.com.br/curiosidades/fim-de-uma-era-por-que-a-maior-usina-solar-termica-do-mundo-fechou-apos-incidentes-com-aves-e-falhas-de-desempenho/

Firmino
Firmino
13/05/2026 08:27

Esse sistema gera uma temperatura tão alta em seu entorno que mata todo ser vivo que passar próximo tipo aves, é com muita tristeza que os órgãos reguladores permitam tamanho dano a natureza

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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