Estudo apresentado no Mossoró Oil & Gas Energy 2025 revela como o petróleo e o gás onshore ampliam empregos, renda e arrecadação no Rio Grande do Norte, com impacto direto no PIB industrial.
A cadeia do petróleo e do gás natural segue como eixo estruturante da economia do Rio Grande do Norte. Dados apresentados durante o Mossoró Oil & Gas Energy 2025 reforçam que a atividade extrativa onshore exerce influência direta sobre emprego, renda e arrecadação pública no estado, sobretudo no Oeste Potiguar.
Ao mesmo tempo, o estudo indica que decisões estratégicas e avanços regulatórios podem ampliar ainda mais esse impacto nos próximos anos.
O levantamento foi conduzido pela Neoway, em parceria com o Sebrae RN e a Nilo Engenharia, e tem como base uma extensa análise de municípios produtores e recebedores de royalties em todo o país. O recorte potiguar, porém, chama atenção pela força do setor na composição do PIB industrial e pela capacidade de dinamizar municípios historicamente estratégicos para a produção de petróleo em terra.
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Cadeia do petróleo responde por parcela relevante do PIB industrial
Segundo o estudo “Impacto do Onshore no Desenvolvimento Econômico”, a indústria de petróleo e gás onshore é responsável por aproximadamente 40% do PIB industrial do Rio Grande do Norte. Além disso, o setor responde por cerca de 23% da arrecadação estadual de ICMS, consolidando-se como uma das principais fontes de receitas públicas.
Esse protagonismo aparece de forma mais evidente na região de Mossoró, onde a atividade extrativa contribui de maneira decisiva para a sustentação da economia local. O fortalecimento dessa cadeia produtiva tem reflexos diretos sobre serviços, comércio, logística e contratação de mão de obra especializada e indireta.
Municípios com petróleo em expansão registram crescimento acelerado
Ao reorganizar os dados por perfil de atividade econômica, o levantamento identificou diferenças expressivas entre os municípios. Entre 2011 e 2021, as cidades onde a indústria extrativa ganhou espaço apresentaram crescimento acumulado mediano de 437,6% no valor adicionado da indústria. Por outro lado, localidades com setor estável cresceram 37,6%, enquanto aquelas que sofreram retração registraram queda de 14%.
Esses números, portanto, evidenciam que a expansão do petróleo onshore não apenas acompanha o desenvolvimento regional, mas atua como catalisador econômico. Além disso, o impacto se estende para municípios vizinhos, reforçando a lógica de encadeamento produtivo típica desse segmento.
PIB per capita acompanha avanço do petróleo onshore
Outro indicador relevante analisado no estudo foi o PIB per capita. Na última década, municípios que ampliaram a presença da indústria extrativa tiveram crescimento mediano de 116%. Em comparação, cidades onde o setor não avançou apresentaram aumentos mais modestos, de 111% e 80,8%, dependendo do grau de estabilidade ou retração da atividade.
Assim, os dados demonstram que o petróleo contribui não apenas para o aumento da arrecadação e da produção industrial, mas também para a melhora relativa da renda média da população. Isso reforça o papel do setor como ferramenta de desenvolvimento econômico local.
Projeções indicam ganhos adicionais com expansão da indústria
Além da análise histórica, o estudo apresentou projeções futuras. A modelagem considerou 1.111 municípios produtores ou beneficiados por royalties entre 2014 e 2024 e simulou os efeitos de uma eventual duplicação da atividade de óleo e gás.
De acordo com as estimativas, dobrar as intervenções em poços poderia gerar aumento de 14,3% no número de empregos e de 18% nos salários. Já a ampliação das atividades relacionadas ao abandono de poços teria impacto ainda maior, com crescimento de 32,4% nos empregos e de 33% na massa salarial em municípios vizinhos.
Além disso, a arrecadação de ICMS poderia subir 14,8%, enquanto o ISS avançaria 28%, reforçando o papel do petróleo como fonte de receitas fiscais.
Licenciamento ambiental surge como fator-chave
Apesar do cenário positivo, o estudo ressalta que o licenciamento ambiental é determinante para viabilizar novos investimentos e ampliar os efeitos econômicos do setor. Intervenções técnicas como perfuração, completação, workover e abandono de poços são apontadas como motores diretos de geração de empregos e arrecadação, mas dependem de processos regulatórios mais eficientes.
Durante a apresentação, o diretor superintendente do Sebrae RN, José Ferreira de Melo Neto, destacou a importância de transformar os dados em estratégia. “A gente tem que construir, juntos, um arranjo produtivo que beneficie todo mundo, que seja mais inclusivo, unindo as empresas, a federação das indústrias, as universidades e demais entidades para incorporar inovação tecnológica e qualificação de recursos humanos nesse processo. Esse estudo apresentado aqui hoje é um roteiro para iniciarmos essa caminhada, que vai nos ajudar a enfrentar problemas sérios do setor, como o licenciamento ambiental”, declarou.
Indústria e governo veem potencial de longo prazo no petróleo
A leitura estratégica do estudo também foi reforçada pelo presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz. “Desafio aceito. A pauta para o setor foi apresentada nesse estudo, e precisamos agora saber aproveitar tais informações para um melhor direcionamento das ações e, de forma estratégica, calibrar esse ambiente de negócios e desenvolver ainda mais o potencial gigante que o setor possui”, disse.
O evento contou ainda com a presença da governadora Fátima Bezerra, do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e de lideranças empresariais. O presidente da Redepetro RN, José Nilo de Souza Júnior, lembrou que as empresas associadas à rede já respondem por cerca de 12 mil empregos diretos, reforçando o peso do petróleo na economia regional.
Realizado pela Redepetro RN, com apoio do Sebrae RN e da Ufersa, o Mossoró Oil & Gas Energy chega à décima edição consolidado como um dos principais fóruns do setor onshore no Brasil e na América Latina, reunindo dados, projeções e discussões que sinalizam o papel contínuo do petróleo no desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
