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Como esse estado do Nordeste viu a produção de petróleo despencar ao menor nível em décadas e agora enfrenta pressão fiscal e risco crescente para empregos

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 20/02/2026 às 16:53
Atualizado em 20/02/2026 às 16:55
Assista o vídeoBombas de petróleo terrestres enferrujadas em operação ao pôr do sol, com placa de alerta amarela em primeiro plano, simbolizando queda na produção no RN.
Petróleo enfrenta queda histórica no RN, pressiona arrecadação estadual e acende alerta sobre empregos e futuro da economia potiguar
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Produção de petróleo no RN atinge o menor nível em décadas, reduz receitas públicas e impacta empregos no estado. Entenda os efeitos na economia e as perspectivas para o setor.

A produção de petróleo no RN atingiu, em dezembro de 2025, o patamar mais baixo das últimas quatro décadas. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e indicam que a média diária ficou em 33 mil barris, nível que não era registrado desde a década de 1980. Em outubro do mesmo ano, a produção era de 36 mil barris por dia. Há dez anos, segundo a própria agência reguladora, o volume extraído no estado era quase o dobro do atual.

Segundo matéria publicada pelo G1 nesta sexta-feira (20), o cenário acende um alerta no Rio Grande do Norte, onde o setor tem peso estratégico na economia estadual. A redução no volume produzido pressiona a arrecadação pública, afeta royalties e gera incertezas sobre empregos diretos e indiretos. Municípios produtores já sentem os efeitos da retração. A combinação entre queda de produção e recuo no preço internacional do barril no fim de 2025 intensificou os impactos fiscais. Para um estado cuja base industrial depende fortemente do setor energético, o momento é considerado delicado.

Produção de petróleo no RN recua ao menor nível em quatro décadas

Os dados consolidados da ANP mostram que o petróleo extraído no RN fechou dezembro de 2025 com média de 33 mil barris por dia. O número representa uma queda significativa em relação aos 36 mil barris diários registrados em outubro.

Quando comparado ao desempenho de dez anos atrás, o recuo é ainda mais expressivo. Naquela época, a produção no Rio Grande do Norte era quase o dobro da atual, evidenciando um processo gradual de declínio.

Especialistas apontam que parte dessa redução está ligada à mudança estrutural no perfil das operadoras. A saída da Petrobras de campos terrestres e de águas rasas abriu espaço para empresas privadas de menor porte assumirem a exploração. Essa transição alterou o ritmo de investimentos e a estratégia operacional no estado.

O Sindipetro-RN avalia que a queda está diretamente relacionada à falta de aportes suficientes por parte das principais produtoras atuais. Segundo o presidente da entidade, Marcos Brasil, se houver investimento adequado nos 33 blocos ofertados pela ANP, a produção poderia alcançar entre 70 mil e 80 mil barris por dia.

Campos maduros exigem tecnologia cara e desafiam a economia do Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte é caracterizado por campos maduros de petróleo, explorados há décadas. Nessas áreas, o declínio natural da produção é inevitável, exigindo técnicas avançadas de recuperação para manter a viabilidade econômica.

Em alguns poços, segundo especialistas do setor, a produção já chega a 98% de água, restando apenas 2% de óleo efetivamente extraído. Mesmo assim, a operação pode continuar viável, dependendo dos custos e do preço internacional do barril.

Esse perfil técnico impõe desafios adicionais ao RN. A necessidade de tecnologias mais complexas eleva os custos e reduz a margem de lucro das empresas. Ao mesmo tempo, a menor produtividade impacta diretamente a economia estadual.

Jean-Paul Prates, chairman do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, explicou que a queda na produção somada ao recuo do preço internacional do petróleo no final de 2025 afetou o caixa do governo estadual e das prefeituras produtoras. Ele ressaltou que o setor representa mais ou menos a metade do PIB industrial do estado e que as perdas acumuladas da ordem de 11,5% em 2025 refletem esse cenário adverso.

Petróleo, arrecadação e empregos no RN: impacto direto nos municípios produtores

O peso do petróleo na economia do RN é expressivo. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, o setor responde por mais de 40% do PIB industrial estadual.

Quando a produção cai, a arrecadação de royalties diminui. Isso afeta diretamente municípios como Mossoró, Macau e Guamaré, onde a atividade petrolífera movimenta o comércio, sustenta cadeias de serviços e garante milhares de empregos.

A retração também atinge empresas terceirizadas, transportadoras, fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços especializados. O efeito multiplicador é imediato. Menos produção significa menos circulação de renda e menor dinamismo econômico.

Segundo o Sindipetro-RN, caso haja investimento adequado, a produção poderia dobrar e gerar entre 15 mil e 20 mil empregos no estado. Esse potencial de expansão reforça a importância estratégica do setor para o Rio Grande do Norte.

Investimentos bilionários e a aposta na retomada do petróleo no Rio Grande do Norte

O governo estadual afirma que há previsão de aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos no setor até 2030. A expectativa é que esses aportes fortaleçam a cadeia produtiva do petróleo no RN e estimulem a modernização tecnológica.

Empresas que assumiram campos maduros afirmam que estão investindo em inovação para ampliar a eficiência operacional. Uma das principais produtoras informou que, em janeiro de 2026, extraiu cerca de 19 mil barris por dia e trabalha para reverter o declínio natural das áreas exploradas.

Especialistas também apontam a possibilidade de exploração na Margem Equatorial como fator que pode alterar o cenário nos próximos três a cinco anos. A expansão para águas ultraprofundas pode trazer novos volumes de óleo, ampliar royalties e fortalecer a economia estadual.

Ainda assim, esse movimento depende de licenciamento ambiental, decisões regulatórias e investimentos robustos. No curto prazo, o desafio permanece concentrado na recuperação dos campos já em operação no Rio Grande do Norte.

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O que está em jogo para o RN diante da retração do setor de petróleo?

A queda na produção de petróleo no RN não é apenas um dado estatístico. Ela representa um ponto de inflexão para a estrutura econômica do estado. Com 33 mil barris diários em dezembro de 2025, frente aos 36 mil registrados em outubro e aos volumes quase duas vezes maiores de dez anos atrás, o estado enfrenta uma realidade desafiadora.

A dependência histórica do setor energético torna a economia do Rio Grande do Norte sensível às oscilações produtivas e de mercado. A perda de arrecadação compromete investimentos públicos, enquanto a redução da atividade impacta empregos e renda.

Ao mesmo tempo, o cenário evidencia a necessidade de planejamento estratégico. Investimentos nos 33 blocos ofertados, modernização tecnológica e possível expansão para novas fronteiras exploratórias podem redefinir o futuro do setor.

O debate agora gira em torno da capacidade de atrair capital e garantir segurança regulatória. O desempenho do petróleo continuará sendo determinante para o RN, influenciando decisões políticas, empresariais e sociais nos próximos anos.

Se a produção conseguir se recuperar para patamares entre 70 mil e 80 mil barris diários, como projeta o sindicato, o impacto positivo poderá ser significativo. Caso contrário, o estado precisará acelerar a diversificação de sua matriz econômica para reduzir a dependência histórica do setor petrolífero.

O momento é de atenção. O comportamento do petróleo no Rio Grande do Norte nos próximos anos definirá o ritmo de crescimento, a estabilidade fiscal e o futuro dos empregos que sustentam milhares de famílias potiguares.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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