Produção de petróleo no RN atinge o menor nível em décadas, reduz receitas públicas e impacta empregos no estado. Entenda os efeitos na economia e as perspectivas para o setor.
A produção de petróleo no RN atingiu, em dezembro de 2025, o patamar mais baixo das últimas quatro décadas. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e indicam que a média diária ficou em 33 mil barris, nível que não era registrado desde a década de 1980. Em outubro do mesmo ano, a produção era de 36 mil barris por dia. Há dez anos, segundo a própria agência reguladora, o volume extraído no estado era quase o dobro do atual.
Segundo matéria publicada pelo G1 nesta sexta-feira (20), o cenário acende um alerta no Rio Grande do Norte, onde o setor tem peso estratégico na economia estadual. A redução no volume produzido pressiona a arrecadação pública, afeta royalties e gera incertezas sobre empregos diretos e indiretos. Municípios produtores já sentem os efeitos da retração. A combinação entre queda de produção e recuo no preço internacional do barril no fim de 2025 intensificou os impactos fiscais. Para um estado cuja base industrial depende fortemente do setor energético, o momento é considerado delicado.
Produção de petróleo no RN recua ao menor nível em quatro décadas
Os dados consolidados da ANP mostram que o petróleo extraído no RN fechou dezembro de 2025 com média de 33 mil barris por dia. O número representa uma queda significativa em relação aos 36 mil barris diários registrados em outubro.
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Quando comparado ao desempenho de dez anos atrás, o recuo é ainda mais expressivo. Naquela época, a produção no Rio Grande do Norte era quase o dobro da atual, evidenciando um processo gradual de declínio.
Especialistas apontam que parte dessa redução está ligada à mudança estrutural no perfil das operadoras. A saída da Petrobras de campos terrestres e de águas rasas abriu espaço para empresas privadas de menor porte assumirem a exploração. Essa transição alterou o ritmo de investimentos e a estratégia operacional no estado.
O Sindipetro-RN avalia que a queda está diretamente relacionada à falta de aportes suficientes por parte das principais produtoras atuais. Segundo o presidente da entidade, Marcos Brasil, se houver investimento adequado nos 33 blocos ofertados pela ANP, a produção poderia alcançar entre 70 mil e 80 mil barris por dia.
Campos maduros exigem tecnologia cara e desafiam a economia do Rio Grande do Norte
O Rio Grande do Norte é caracterizado por campos maduros de petróleo, explorados há décadas. Nessas áreas, o declínio natural da produção é inevitável, exigindo técnicas avançadas de recuperação para manter a viabilidade econômica.
Em alguns poços, segundo especialistas do setor, a produção já chega a 98% de água, restando apenas 2% de óleo efetivamente extraído. Mesmo assim, a operação pode continuar viável, dependendo dos custos e do preço internacional do barril.
Esse perfil técnico impõe desafios adicionais ao RN. A necessidade de tecnologias mais complexas eleva os custos e reduz a margem de lucro das empresas. Ao mesmo tempo, a menor produtividade impacta diretamente a economia estadual.
Jean-Paul Prates, chairman do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, explicou que a queda na produção somada ao recuo do preço internacional do petróleo no final de 2025 afetou o caixa do governo estadual e das prefeituras produtoras. Ele ressaltou que o setor representa mais ou menos a metade do PIB industrial do estado e que as perdas acumuladas da ordem de 11,5% em 2025 refletem esse cenário adverso.
Petróleo, arrecadação e empregos no RN: impacto direto nos municípios produtores
O peso do petróleo na economia do RN é expressivo. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, o setor responde por mais de 40% do PIB industrial estadual.
Quando a produção cai, a arrecadação de royalties diminui. Isso afeta diretamente municípios como Mossoró, Macau e Guamaré, onde a atividade petrolífera movimenta o comércio, sustenta cadeias de serviços e garante milhares de empregos.
A retração também atinge empresas terceirizadas, transportadoras, fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços especializados. O efeito multiplicador é imediato. Menos produção significa menos circulação de renda e menor dinamismo econômico.
Segundo o Sindipetro-RN, caso haja investimento adequado, a produção poderia dobrar e gerar entre 15 mil e 20 mil empregos no estado. Esse potencial de expansão reforça a importância estratégica do setor para o Rio Grande do Norte.
Investimentos bilionários e a aposta na retomada do petróleo no Rio Grande do Norte
O governo estadual afirma que há previsão de aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos no setor até 2030. A expectativa é que esses aportes fortaleçam a cadeia produtiva do petróleo no RN e estimulem a modernização tecnológica.
Empresas que assumiram campos maduros afirmam que estão investindo em inovação para ampliar a eficiência operacional. Uma das principais produtoras informou que, em janeiro de 2026, extraiu cerca de 19 mil barris por dia e trabalha para reverter o declínio natural das áreas exploradas.
Especialistas também apontam a possibilidade de exploração na Margem Equatorial como fator que pode alterar o cenário nos próximos três a cinco anos. A expansão para águas ultraprofundas pode trazer novos volumes de óleo, ampliar royalties e fortalecer a economia estadual.
Ainda assim, esse movimento depende de licenciamento ambiental, decisões regulatórias e investimentos robustos. No curto prazo, o desafio permanece concentrado na recuperação dos campos já em operação no Rio Grande do Norte.
O que está em jogo para o RN diante da retração do setor de petróleo?
A queda na produção de petróleo no RN não é apenas um dado estatístico. Ela representa um ponto de inflexão para a estrutura econômica do estado. Com 33 mil barris diários em dezembro de 2025, frente aos 36 mil registrados em outubro e aos volumes quase duas vezes maiores de dez anos atrás, o estado enfrenta uma realidade desafiadora.
A dependência histórica do setor energético torna a economia do Rio Grande do Norte sensível às oscilações produtivas e de mercado. A perda de arrecadação compromete investimentos públicos, enquanto a redução da atividade impacta empregos e renda.
Ao mesmo tempo, o cenário evidencia a necessidade de planejamento estratégico. Investimentos nos 33 blocos ofertados, modernização tecnológica e possível expansão para novas fronteiras exploratórias podem redefinir o futuro do setor.
O debate agora gira em torno da capacidade de atrair capital e garantir segurança regulatória. O desempenho do petróleo continuará sendo determinante para o RN, influenciando decisões políticas, empresariais e sociais nos próximos anos.
Se a produção conseguir se recuperar para patamares entre 70 mil e 80 mil barris diários, como projeta o sindicato, o impacto positivo poderá ser significativo. Caso contrário, o estado precisará acelerar a diversificação de sua matriz econômica para reduzir a dependência histórica do setor petrolífero.
O momento é de atenção. O comportamento do petróleo no Rio Grande do Norte nos próximos anos definirá o ritmo de crescimento, a estabilidade fiscal e o futuro dos empregos que sustentam milhares de famílias potiguares.


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