A Petrobras anunciou em 10 de junho de 2026 acordo com a Equinor para a aquisição de 50% de participação no bloco Itaimbezinho, localizado no pré-sal da Bacia de Campos, a aproximadamente 190 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro, em operação que amplia a presença da estatal brasileira em uma das bacias mais produtivas do país.
Estrutura da transação e composição do consórcio

O acordo prevê que, após o fechamento da operação, o consórcio do bloco Itaimbezinho será formado pela Equinor como operadora, com 50% de participação, e pela Petrobras, com os outros 50%. A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) atuará como gestora do Contrato de Partilha de Produção.
A transação ainda depende de submissão ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com conclusão condicionada ao cumprimento das condições precedentes, incluindo aprovações governamentais e regulatórias.
O valor financeiro da transação não foi divulgado pelas partes.
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Localização estratégica e sinergia com ativos vizinhos
O bloco Itaimbezinho está inserido no Polígono do Pré-Sal e localizado na Bacia de Campos, região que responde por parcela significativa da produção nacional de petróleo. O campo é adjacente ao projeto Raia e à licença exploratória Jaspe, onde Petrobras e Equinor já atuam em parceria, o que maximiza sinergias operacionais e logísticas na área.
A Bacia de Campos é historicamente a maior produtora de petróleo do Brasil e concentra parte relevante da infraestrutura offshore da Petrobras, incluindo plataformas, dutos e terminais de escoamento. A aquisição do bloco Itaimbezinho reforça a estratégia da estatal de consolidar sua presença em blocos com potencial exploratório adjacente a campos já em produção.
A Equinor opera outros blocos em parceria com a Petrobras na mesma bacia, tornando a estrutura de governança do consórcio Itaimbezinho familiar para ambas as empresas.
Contexto de expansão da Petrobras no pré-sal

A aquisição de Itaimbezinho integra o plano estratégico da Petrobras de expansão no pré-sal brasileiro. Em dezembro de 2025, a FPSO P-78 entrou em operação no campo de Búzios com capacidade para produzir 180.000 barris de óleo por dia. A produção total da Petrobras atingiu 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2025, crescimento de 11% em relação ao ano anterior.
No início de 2026, a produção de petróleo e gás natural do Brasil bateu recorde em fevereiro, atingindo 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com a Petrobras respondendo por 89,46% do total nacional. A empresa registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
A Equinor, por sua vez, opera blocos exploratórios e de produção no Brasil desde a década de 1990 e figura entre as principais parceiras internacionais da Petrobras no pré-sal, com participações em campos como Raia, Peregrino e Carcará.
Próximos passos regulatórios
O fechamento da transação está condicionado à aprovação do CADE, que avalia aspectos concorrenciais, e da ANP, responsável pela regulação das atividades de exploração e produção de petróleo e gás no país. Não há prazo definido para a conclusão do processo regulatório.
A Petrobras e a Equinor não divulgaram detalhes sobre o cronograma de atividades exploratórias no bloco Itaimbezinho após o fechamento da operação. As atividades exploratórias iniciais deverão ser definidas após a regularização das aprovações governamentais exigidas pelo contrato de partilha de produção.
A aquisição do bloco Itaimbezinho é a mais recente de uma série de movimentos da Petrobras para ampliar seu portfólio exploratório no pré-sal. O plano estratégico da estatal para 2025-2029 prevê investimentos de US$ 111 bilhões, com a maior parcela destinada à exploração e produção no pré-sal. O bloco Itaimbezinho representa oportunidade exploratória adjacente à infraestrutura já existente, o que pode reduzir custos de desenvolvimento caso confirmada a presença de petróleo em volumes comerciais.
A Bacia de Campos permanece como região prioritária para a Petrobras, que já opera nela campos como Marlim, Roncador, Barracuda e outros ativos que respondem por parcela relevante da produção nacional. A parceria com a Equinor, que traz expertise em operações offshore em águas profundas desenvolvida no Mar do Norte norueguês, agrega conhecimento técnico ao consórcio do bloco Itaimbezinho.
