Petrobras reduz ambição na energia eólica offshore, retira projeto no Espírito Santo do plano de negócios e direciona investimentos para biocombustíveis, solar e pesquisa de longo prazo, mantendo apenas um piloto no Rio de Janeiro.
A Petrobras redefiniu suas apostas no campo da energia eólica, especialmente na modalidade offshore. Em um movimento estratégico que altera o ritmo previsto para a transição energética da estatal, a companhia retirou do plano de negócios o projeto que seria instalado no Sul do Espírito Santo.
Esse recuo não reflete abandono, mas sim uma priorização mais rígida de investimentos, movida pela necessidade de avançar somente quando houver demanda e segurança regulatória suficientes.
Enquanto isso, a energia eólica offshore permanece, por ora, como uma alternativa de longo prazo. O foco se desloca para iniciativas consideradas mais maduras, como biocombustíveis, biorrefino e produção de etanol e biometano.
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Ainda assim, estudos e ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação continuam ativos, especialmente com o projeto-piloto no Rio de Janeiro.
Projetos de energia eólica offshore seguem vivos, mas restritos à pesquisa
Para compreender a nova rota da Petrobras, é preciso observar o que permanece e o que muda. A estatal reforça que a energia eólica offshore segue em análise, mas em compasso de espera.
Conforme explica a companhia, o Plano de Negócios 2026-2030 concentra recursos destinados à geração renovável principalmente em iniciativas de PD&I, que permitem testar tecnologias, reduzir incertezas e aprofundar o conhecimento sobre ventos e características ambientais da costa brasileira.
Nesse contexto, ganham destaque estudos de potencial eólico realizados ao longo do litoral. A Petrobras tem investido no uso de LiDAR para medir ventos oceânicos e no desenvolvimento do sistema Bravo, uma boia anemométrica e meteoceanográfica criada no Brasil. A meta é levar o Bravo ao estágio 3 de maturidade comercial, seguindo padrões do “Carbon Trust Offshore Wind Accelerator Roadmap for The Commercial Acceptance of Floating LiDAR Technology”.
Essas ações mostram que a energia eólica offshore não foi descartada. Ela apenas avançará quando houver clareza sobre mercado, custos, regulação e demanda de consumo.
Retirada do projeto no Espírito Santo e o impacto da nova estratégia
O projeto de energia eólica offshore anunciado para o litoral Sul do Espírito Santo, que incluía os parques Espírito Santo I e Aracatu, desaparece do plano atual. Essas instalações só figuravam como oportunidades a serem desenvolvidas quando houvesse marco regulatório e leilões adequados. Agora, saem completamente do radar de curto prazo.
A Petrobras deixou claro: a entrada no mercado offshore ocorrerá apenas “no momento correto”, evitando investimentos que possam não se pagar diante das incertezas atuais. É um ajuste pragmático.
A redução do capital destinado às energias de baixo carbono afeta quase exclusivamente projetos de geração, incluindo a energia eólica offshore.
Assim, a estatal empurra investimentos para depois de 2031, direcionando esforços aos setores mais capazes de rápido retorno. Durante um workshop sobre transição energética, executivos detalharam que essa readequação está alinhada com a necessidade de evitar riscos e priorizar segmentos já consolidados.
Piloto no Rio de Janeiro vira a principal aposta da Petrobras em energia eólica offshore
Enquanto projetos comerciais são suspensos, o piloto em desenvolvimento no Rio de Janeiro ganha importância.
Roberta Mendes, gerente geral de Transição Energética no Cenpes, destacou que o projeto difere de um parque tradicional. Ele nasce com objetivo técnico: gerar energia eólica próxima às plataformas do pré-sal, o que ajuda a aumentar o fator de recuperação do óleo.
Segundo ela, “é crucial atrelar a geração de energia diretamente às plataformas”, reduzindo a dependência de longos cabos submarinos, que exigem tecnologia e investimentos mais complexos. O projeto analisa o subsolo e busca uma solução integrada entre offshore e operações petrolíferas.
A Petrobras reforça que esse piloto, além de promissor, orienta todo o desenvolvimento futuro da energia eólica offshore. Ele gera dados, aprimora modelos e fortalece a base de conhecimento necessária para, um dia, avançar para empreendimentos comerciais.
De acordo com a apresentação do gerente de Gestão Integrada da Transição Energética, Carlos Marçal, a empresa segue uma lógica escalonada para alocação de investimentos. Primeiro vêm os segmentos com maturidade regulatória e demanda consolidada. Somente depois surgem alternativas com maior complexidade, como a energia eólica offshore.
Assim, nos cinco primeiros anos do plano, a prioridade recai sobre:
- biodiesel
- biorrefino
- etanol
- biometano
- diesel R
- SAF
- biobunker
Logo depois aparecem energia solar e energia eólica onshore, previstas para receber investimentos a partir de 2026. A captura de carbono (CCS) e o armazenamento de energia entram por volta de 2028. Já o hidrogênio de baixa emissão surge mais adiante.
A energia eólica offshore fica, portanto, nas últimas posições, com previsão de entrada apenas após 2031.
Por que a energia eólica offshore foi desacelerada?
A Petrobras argumenta que a sobreoferta de energia no Brasil, especialmente de fontes renováveis, obriga cautela. Com menor demanda e produção elevada, o Operador Nacional do Sistema enfrenta desafios para equilibrar o grid.
A estatal afirma que incluir mais geração agora poderia agravar riscos, “podendo causar blecautes por excesso de energia”.
Além disso, falta ainda um marco regulatório robusto para a exploração offshore, o que impede a entrada imediata de projetos comerciais. Essa combinação reforça a necessidade de aguardar o momento certo.
Apesar da retirada do projeto comercial do plano de negócios, a Petrobras segue realizando levantamentos no litoral capixaba. A empresa afirma que o Sul do Espírito Santo continua dentro dos estudos preliminares sobre potencial eólico e características ambientais.
Essa etapa é considerada fundamental para reduzir incertezas e alimentar futuras decisões estratégicas.

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