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Depois de quatro anos sob investigação do Cade, a Apple sinaliza que aceita negociar um acordo para liberar o Pix por aproximação sem cobrança nos iPhones, conforme revelou a coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo nesta disputa por concorrência

Publicado em 07/06/2026 às 15:43
Atualizado em 07/06/2026 às 15:46
A Apple sinalizou ao Cade que aceita liberar o Pix por aproximação sem cobrança nos iPhones, abrindo o acesso ao chip NFC; veja o que muda nessa disputa.
A Apple sinalizou ao Cade que aceita liberar o Pix por aproximação sem cobrança nos iPhones, abrindo o acesso ao chip NFC; veja o que muda nessa disputa.
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A Apple sinalizou ao Cade disposição para firmar um acordo e liberar o Pix por aproximação sem cobrança nos iPhones, segundo a coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo. A mudança abriria o acesso ao chip NFC, hoje restrito, encerrando uma longa disputa por concorrência.

Quem usa iPhone pode estar perto de finalmente fazer Pix por aproximação sem barreiras. A Apple sinalizou ao Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que está disposta a firmar um acordo para liberar o Pix por aproximação, sem cobrança, nos iPhones. A informação foi revelada pela coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo.

A sinalização ocorre no âmbito de uma investigação por concorrência conduzida pelo Cade. Segundo a coluna, a disputa entre a Apple e o órgão já se arrasta há cerca de quatro anos. O ponto central é o acesso ao NFC, o chip que permite os pagamentos por aproximação e que hoje é controlado pela empresa. Por enquanto, trata-se de uma disposição de negociar, e não de um acordo fechado.

Por que a Apple cobra e o Android libera o Pix por aproximação

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

Conforme o portal Brasil 247, a raiz do problema está em como cada sistema trata o NFC, a tecnologia que viabiliza o pagamento ao encostar o celular na maquininha.

No Android, o acesso a esse chip é aberto, e os bancos passaram a oferecer o Pix por aproximação de graça desde fevereiro de 2025, quando a modalidade entrou em operação no Brasil.

O Pix, vale lembrar, foi criado pelo Banco Central e se tornou o principal meio de pagamento do país.

Já no iPhone, a situação é diferente. Toda a comunicação com o NFC passa obrigatoriamente pelo sistema da Apple, que cobrava uma taxa por cada transação realizada.

Na prática, essa cobrança encarecia e dificultava a oferta do Pix por aproximação nos aparelhos da marca, criando uma diferença clara em relação ao Android, onde o recurso saiu sem custo extra para as instituições financeiras.

A investigação do Cade e a disputa por concorrência

Foi justamente essa diferença que chamou a atenção do Cade. O órgão apura se a Apple criou barreiras anticompetitivas ao controlar o acesso ao NFC dos seus dispositivos.

Entre os marcos recentes, a empresa apresentou uma defesa formal em fevereiro de 2026, e o Cade abriu um inquérito sobre o tema em março de 2026, intimando a companhia a detalhar tarifas, requisitos técnicos e contratos firmados com desenvolvedores no Brasil.

A pressão vem de bancos e fintechs, que alegam que a cobrança inviabiliza um serviço que deveria ser gratuito, como é o Pix.

Embora a frente específica sobre o pagamento por aproximação seja recente, a relação entre Apple e Cade é marcada por atritos: em dezembro de 2025, os dois já haviam fechado um acordo em outro caso, ligado à App Store.

Agora, a sinalização de negociar o Pix por aproximação pode encerrar mais um capítulo dessa disputa por concorrência.

Os argumentos da Apple

Do outro lado, a Apple monta sua defesa. A empresa sustenta que seu modelo, baseado no próprio hardware e no Apple Pay, oferece um nível de segurança superior ao das soluções usadas no Android. Além disso, argumenta que o Pix por aproximação ainda tem baixa adesão: em janeiro de 2026, foram cerca de 1,05 milhão de transações por aproximação, contra 2,7 bilhões feitas por QR Code, o que, na visão da companhia, mostraria que o NFC não é um insumo indispensável para competir no mercado brasileiro.

A Apple também resiste a ser enquadrada como Iniciadora de Transação de Pagamento, figura que traria obrigações de abertura e interoperabilidade. A empresa costuma lembrar ainda que o iPhone representa cerca de 10% do mercado de smartphones no Brasil e que mais de 40 bancos já oferecem o Apple Pay desde 2018. São esses os pontos que sustentam a tese de que não haveria dano relevante à concorrência.

O que muda para o usuário de iPhone se o acordo sair

Para o consumidor, o efeito prático depende do desfecho das conversas. Caso as negociações avancem e um acordo seja de fato assinado, os usuários de iPhone poderão usar o Pix por aproximação sem a cobrança ligada à tecnologia, equiparando os aparelhos da Apple aos modelos Android. Seria o fim de uma desvantagem que incomoda quem tem um iPhone e quer pagar apenas encostando o celular.

Ainda assim, é importante manter a cautela: por ora, há apenas uma disposição de negociar, sem acordo assinado nem data definida. O caso brasileiro acompanha um movimento mundial, em que reguladores, como os da União Europeia, vêm pressionando grandes empresas de tecnologia a abrir o acesso ao NFC. Se prosperar, o entendimento entre Apple e Cade pode se tornar uma referência no debate sobre concorrência em pagamentos móveis.

Liberar o Pix por aproximação sem cobrança nos iPhones seria uma vitória do consumidor ou apenas o fim de uma cobrança que nunca deveria ter existido?

Conte nos comentários se você sente falta do Pix por aproximação no seu iPhone e o que acha da postura da Apple.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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