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Pesquisadores da Alemanha desenvolvem método para produzir proteína a partir de CO2 usando fotossíntese artificial, processo em múltiplas etapas reduz uso de terra e pode transformar produção de alimentos no mundo

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 18/02/2026 às 14:41 Atualizado em 18/02/2026 às 14:43
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Em Munique, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique realizaram a produção do aminoácido L alanina a partir de CO2 com processo em várias etapas para criar proteína de forma sustentável, provocando redução no uso de terra agrícola e chamando atenção do setor de biotecnologia e alimentação animal.

Garantir comida para uma população mundial em constante crescimento sempre foi um desafio. Quando essa missão se cruza com a necessidade urgente de reduzir impactos ambientais, o cenário fica ainda mais complexo.

Agora, uma descoberta feita na Alemanha pode mudar essa equação. Pesquisadores conseguiram transformar CO2, um dos principais gases de efeito estufa, em um aminoácido essencial para a produção de proteínas.

O que parecia impossível começa a ganhar forma concreta dentro dos laboratórios. E o detalhe que mais chamou atenção é que o novo método exige muito menos área do que a agricultura tradicional.

Produção de aminoácido a partir de CO2 vira destaque na Alemanha

A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, no Campus Straubing de Biotecnologia e Sustentabilidade.

O grupo liderado pelo professor Volker Sieber conseguiu produzir L-alanina, um dos principais blocos que formam as proteínas, utilizando CO2 retirado da atmosfera.

A inovação chama atenção porque a proteína usada em ração animal, e também em produtos substitutos da carne, normalmente depende de grandes áreas agrícolas, especialmente no hemisfério sul. Esse modelo tradicional exige vastas extensões de terra e pode gerar impactos negativos na biodiversidade.

Fotossíntese artificial para a produção de alimentos de forma ambientalmente sustentável. Da esquerda para a direita: a doutoranda Vivian Willers e o professor Volker Sieber

Como funciona o processo de fotossíntese artificial na prática

O método desenvolvido utiliza um conceito conhecido como fotossíntese artificial.

Primeiro, o CO2 capturado da atmosfera é convertido em metanol. Essa etapa usa eletricidade verde e hidrogênio.

Em seguida, o metanol passa por um processo em múltiplas etapas com enzimas sintéticas, que transformam o composto em L-alanina. O sistema é chamado de processo enzimático sem células.

Segundo os pesquisadores, o rendimento obtido é muito elevado. Isso significa maior eficiência na conversão e menos desperdício.

Menos terra, mais eficiência e impacto ambiental reduzido

Um dos pontos mais relevantes da descoberta está na comparação com o cultivo tradicional.

Para produzir a mesma quantidade de L-alanina, o método artificial exige muito menos espaço físico, desde que a energia utilizada venha de fontes renováveis como solar ou eólica.

O impacto pode ser significativo. Com menos terra ocupada para produção de proteína, a pressão sobre áreas agrícolas diminui. Isso abre caminho para uma redução na pegada ecológica da produção de alimentos.

Em um cenário de crescimento populacional global, essa eficiência pode fazer diferença nos próximos anos.

Bioeconomia e economia do hidrogênio ganham força juntas

A produção de L-alanina é apenas o primeiro passo.

Os cientistas afirmam que o objetivo agora é produzir outros aminoácidos a partir de CO2 utilizando energia renovável. A meta é ampliar o processo e aumentar ainda mais a eficiência.

Esse avanço é visto como um exemplo concreto da integração entre bioeconomia e economia do hidrogênio. A combinação dessas duas áreas pode acelerar soluções sustentáveis para a indústria de alimentos e energia.

A pesquisa foi publicada em 23 de janeiro de 2023 na revista científica Chem Catalysis, com DOI 10.1016 checat 2022 100502.

O desenvolvimento mostra que transformar gás de efeito estufa em proteína não é apenas teoria. A tecnologia já está em prática e pode mudar a forma como o mundo produz alimentos, reduzindo impactos ambientais e aumentando a eficiência produtiva.

Você acredita que a produção de proteína a partir de CO2 pode substituir parte da agricultura tradicional no futuro? Deixe sua opinião nos comentários.

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Cintia Tiemi Shigihara
Cintia Tiemi Shigihara
23/02/2026 18:54

Tenho mestrado em Biotecnologia e não desmereço estas novas tecnologias. Porém sou sul americana, brasileira, um dos maiores países produtores de grãos para ração e de animais de corte para o mundo , e NÃO acredito que estas tecnologias possam substituem a agricultura. A alimentação de um organismo exige muito mais que proteínas e carbohidratos. Necessita dos micro e micronutrientes, vitaminas, fibras, gorduras, etc. Além de que a pressão sobre o uso do solo não ocorre por causa da demanda de alimentos, mas sim por causa da má gestão de terras: desmatam-se florestas consumidoras de CO2 para agricultura e pecuária em larga escala, mas se abandonam terras degradadas inutilizadas pelo manejo incorreto. A solução está na recuperação de áreas degradadas e utilização/desenvolvimento de técnicas mais eficientes de manejo da agricultura. Tanto para alimentação quanto para o agronegócio.

Talles Soares Rosa
Talles Soares Rosa
22/02/2026 16:27

Infelizmente o artigo não permite que consigamos avaliar se as informações podem ter verossímilidade ou não, pois são omitidas muitas informações essenciais tais como de onde vem o “N” e “S” para a “construção” da proteína, quanto de energia é gasta por unidade produzida e custo dessa produção, dizer que a mesma é viável e resgata carbono mas não considera que a forragem resgata C da atmosfera (de forma mais eficiente e sem custos para a humanidade), e pelo que coloca deixa claro que se usarmos a energia de fontes tradicionais torna-se muito mais emissora de CO2!

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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