Desenvolvido na UFRGS, o filme biodegradável à base de fécula de mandioca e óleo de orégano inibe a Salmonella e a Listeria em carnes frescas. O material tem 85% de biodegradabilidade e se decompõe em apenas 20 dias.
A segurança alimentar ganhou um aliado tecnológico desenvolvido no Rio Grande do Sul: um filme biodegradável capaz de inibir o crescimento de bactérias perigosas em carnes. A inovação, apresentada pela pesquisadora Aline Kümmel Pizzini Goulart em sua dissertação de mestrado na UFRGS em 2025, utiliza uma barreira ativa contra microrganismos como a Salmonella e a Listeria.
Ao contrário das embalagens plásticas comuns, o novo material utiliza compostos de orégano e mandioca para aumentar a vida útil das proteínas frescas, combatendo diretamente os surtos alimentares e o desperdício de comida no varejo.
Eficácia sanitária contra patógenos alimentares
O grande destaque do filme biodegradável desenvolvido no Laboratório de Microbiologia da universidade gaúcha é sua capacidade de atuar como um escudo biológico. Em testes laboratoriais, a película demonstrou um desempenho excepcional contra a Salmonella enterica e a Listeria monocytogenes, agentes que frequentemente causam graves problemas de saúde pública.
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Diferente do plástico convencional, que apenas isola o alimento, esta nova solução sustentável oferece:
- Ação antimicrobiana potente: Elimina ativamente agentes causadores de infecções.
- Barreira contra luz e umidade: Protege a integridade física da carne moída.
- Estabilidade térmica superior: Mantém a proteção mesmo sob variações de temperatura.
A engenharia por trás do filme biodegradável
A ciência que torna esse filme biodegradável eficiente envolve o uso estratégico do carvacrol, uma substância extraída do óleo essencial de orégano.
Para potencializar seus efeitos, a pesquisadora Aline Goulart utilizou o nanoencapsulamento em mucilagem de chia.

Essa técnica cria uma espécie de reservatório microscópico que permite a liberação controlada e contínua do princípio ativo sobre o alimento.
Além disso, a base estrutural do material é composta por fécula de mandioca. Após sucessivos testes na UFRGS, a equipe chegou a uma formulação que equilibra resistência e elasticidade.
Essa combinação de insumos naturais resultou em um produto com 85% de biodegradabilidade, completando seu ciclo de decomposição em apenas 20 dias após o descarte.
Insumos nacionais e viabilidade econômica
A escolha dos ingredientes para o filme biodegradável levou em conta a realidade econômica do Brasil.
A fécula de mandioca foi selecionada por ser uma matéria-prima abundante, renovável e de baixo custo, o que facilita a futura adoção da tecnologia por frigoríficos e redes de supermercados.
A implementação dessa tecnologia pode mudar drasticamente o cenário do lixo plástico no país. Enquanto as embalagens tradicionais de PVC são descartadas diariamente aos milhares, o novo filme biodegradável oferece um destino ecológico e rápido.
Além do benefício direto ao solo, a tecnologia atua na preservação do próprio alimento. Ao prolongar a durabilidade da carne moída, o sistema ajuda a diminuir o volume de proteínas que acabam no lixo devido à degradação rápida.
Com informações do site Último Segundo

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