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Pesquisa com mais de 470 mil pessoas revela o paradoxo da marca Brasil: um país admirado pelo turismo, cultura e oportunidades econômicas, mas que ainda precisa vencer insegurança, desconfiança política e falta de continuidade para fortalecer sua imagem no mundo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 14/05/2026 às 13:14
Atualizado em 14/05/2026 às 13:16
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Brasil tenta fortalecer marca Brasil com turismo, confiança e menos insegurança após pesquisa global expor seus entraves.
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Pesquisa global mostra que o Brasil preserva força da marca Brasil em turismo, cultura e oportunidades econômicas, mas perde confiança por instabilidade institucional, insegurança e percepção negativa sobre governo e liderança, desafio que afeta reputação internacional e continuidade de projetos em meio a disputas políticas atuais brasileiras.

O Brasil aparece em uma pesquisa global com um contraste difícil de ignorar: é admirado por sua cultura, pelo turismo, por valores reconhecidos no exterior e por oportunidades econômicas, mas ainda enfrenta desconfiança quando o assunto é estabilidade política, segurança e liderança pública.

O levantamento, realizado pela consultoria On Strategy e destacado em reportagem especial da CNN Brasil em maio de 2026, ouviu mais de 470 mil pessoas entre brasileiros e estrangeiros. O resultado mostra que a marca Brasil tem força, mas ainda precisa transformar potencial em previsibilidade para ganhar reputação mais sólida no cenário internacional.

Pesquisa mostra um país admirado, mas visto como instável

A pesquisa aponta que o Brasil carrega atributos positivos importantes. Cultura, turismo, economia e valores nacionais aparecem como elementos capazes de sustentar uma imagem forte no exterior, especialmente quando o país é observado por visitantes, investidores e parceiros comerciais.

Ao mesmo tempo, o levantamento revela uma percepção de instabilidade. Os próprios brasileiros atribuíram nota 5,5, em uma escala de 0 a 10, ao ambiente político, econômico e social do país. Entre estrangeiros, a avaliação ficou ainda menor, em 5,2.

Esse contraste resume o paradoxo da marca Brasil. O país desperta interesse, admiração e curiosidade, mas também provoca cautela quando o assunto envolve confiança institucional, continuidade de políticas públicas e capacidade de planejamento de longo prazo.

Na prática, a imagem internacional não depende apenas de paisagens, cultura ou tamanho do mercado. Ela também é construída pela sensação de segurança jurídica, estabilidade política, transparência e previsibilidade para quem deseja visitar, investir ou fazer negócios.

Desconfiança política pesa sobre a imagem do país

Um dos pontos mais sensíveis do levantamento é a avaliação sobre governo e liderança. Brasileiros e estrangeiros deram notas próximas e baixas para esse quesito, pouco acima de cinco, indicando uma percepção de fragilidade institucional.

A leitura feita por especialistas ouvidos na reportagem é que a instabilidade reduz admiração e confiança. Quando há sensação de conflito permanente, incerteza ou falta de direção, a imagem do Brasil perde força mesmo quando outros setores apresentam bom desempenho.

A desconfiança política não afeta apenas a opinião pública. Ela influencia decisões de empresas, fundos, governos estrangeiros e profissionais que observam o país como destino de investimento, trabalho, turismo ou expansão comercial.

Esse ponto também aparece na experiência de brasileiros que decidem empreender fora do país. Mesmo reconhecendo potencial no mercado brasileiro, muitos veem a instabilidade como barreira para planejar negócios com segurança.

Falta de continuidade dificulta projeto de longo prazo

A pesquisa também reforça um problema antigo: o Brasil ainda enfrenta dificuldade para consolidar projetos de Estado com continuidade. Políticas públicas duradouras ajudam a criar confiança, porque mostram que determinadas áreas não mudam completamente a cada ciclo político.

Especialistas citam exemplos como o SUS e a política externa brasileira como áreas em que a previsibilidade se tornou um ativo. Esses casos mostram que, quando há continuidade, o país consegue transmitir mais estabilidade mesmo em contextos de tensão.

Para investidores, continuidade significa menos risco. Empresas e fundos precisam calcular cenários, estimar retorno, planejar operações e prever custos. Quando as regras parecem mudar demais, o capital tende a procurar destinos mais previsíveis.

Isso não significa ausência de debate democrático ou mudança de prioridades. O ponto central é a capacidade de manter direções estratégicas estáveis, independentemente das disputas políticas do momento.

Economia segue no radar apesar dos entraves

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Mesmo com desconfiança institucional, o Brasil continua atraindo interesse internacional. Setores como infraestrutura, energia e agronegócio aparecem como áreas com percepção positiva e potencial para receber investimentos.

A relação com fundos e empresas árabes, por exemplo, foi citada como um sinal de que o país ainda tem muito a oferecer. O Brasil reúne mercado consumidor grande, recursos naturais, capacidade produtiva e setores estratégicos para parceiros externos.

O desafio é transformar interesse em compromisso de longo prazo. Para isso, não basta mostrar oportunidades; é preciso reduzir dúvidas sobre regras, segurança, governança, estabilidade e ambiente de negócios.

A pesquisa mostra que o país não sofre por falta de potencial. O problema está em converter essa força em confiança contínua, capaz de atravessar governos, crises e ciclos eleitorais sem abalar a reputação nacional.

Turismo é trunfo, mas insegurança ainda limita percepção

A imagem turística do Brasil segue forte. O país é associado à cultura, paisagens, diversidade, hospitalidade e experiências que despertam interesse de estrangeiros. Esse é um dos pilares mais importantes da marca nacional.

No entanto, a insegurança aparece como um obstáculo recorrente. Mesmo quando o visitante admira o país, a percepção de risco pode pesar na decisão de viajar, circular por determinadas regiões ou recomendar o destino a outras pessoas.

A marca Brasil ganha quando o turismo encanta, mas perde quando a segurança gera dúvida. Isso vale tanto para estrangeiros quanto para brasileiros, porque a reputação de um destino depende da experiência real e da percepção formada antes da viagem.

Nesse cenário, melhorar a imagem internacional passa também por políticas urbanas, segurança pública, infraestrutura, comunicação institucional e continuidade na promoção turística. A reputação não se constrói apenas com campanha, mas com experiência consistente.

O paradoxo da marca Brasil

O levantamento com mais de 470 mil pessoas mostra que o Brasil vive um paradoxo: tem atributos fortes para ser admirado, mas ainda enfrenta barreiras que impedem sua reputação de alcançar todo o potencial.

O país é visto como rico em cultura, turismo, oportunidades e setores econômicos relevantes. Ao mesmo tempo, a desconfiança política, a insegurança e a falta de continuidade reduzem a força dessa imagem no exterior.

A questão central não é se o Brasil tem valor, mas se consegue transmitir confiança suficiente para sustentar esse valor no tempo. Sem previsibilidade, a admiração existe, mas pode não se transformar em investimento, turismo recorrente ou influência internacional mais forte.

Por isso, a marca Brasil depende de uma combinação difícil: preservar seus diferenciais culturais e econômicos enquanto melhora instituições, segurança, planejamento e comunicação pública.

O que falta para o Brasil virar confiança

O Brasil tem vantagens que poucos países conseguem reunir: diversidade cultural, força turística, mercado relevante, setores econômicos estratégicos e reconhecimento internacional. Mas a pesquisa indica que esses ativos ainda convivem com uma imagem marcada por cautela.

Para fortalecer sua reputação, o país precisa transformar potencial em continuidade, instabilidade em previsibilidade e admiração em confiança. Esse é o ponto que separa uma marca conhecida de uma marca respeitada de forma duradoura.

A pergunta que fica é se o Brasil conseguirá usar sua força cultural, econômica e turística para superar a desconfiança política e a insegurança na visão internacional. Você acha que a imagem do país no mundo melhorou, piorou ou continua presa aos mesmos problemas? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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