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Pela primeira vez na história, uma sonda fotografou o polo do Sol fora do plano orbital do sistema solar e descobriu que o campo magnético da estrela está desorganizado, a revelação força cientistas a repensar os modelos usados para prever tempestades solares capazes de derrubar satélites, GPS e redes elétricas na Terra

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/04/2026 às 16:37
Atualizado em 11/04/2026 às 21:42
Assista o vídeoSonda Solar Orbiter fotografa polo do Sol pela primeira vez e revela campo magnético desorganizado que pode impactar previsões de tempestades solares.
Sonda Solar Orbiter fotografa polo do Sol pela primeira vez e revela campo magnético desorganizado que pode impactar previsões de tempestades solares.
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Sonda Solar Orbiter fotografa polo do Sol pela primeira vez e revela campo magnético desorganizado que pode impactar previsões de tempestades solares.

Toda imagem do Sol já vista pela humanidade foi registrada a partir do plano equatorial. Não por escolha, mas por limitação física: a Terra, os planetas e as sondas orbitam dentro de um disco chamado plano eclíptico, com inclinação máxima de cerca de 7 graus em relação ao equador solar. Essa limitação impedia a observação direta dos polos da estrela. Segundo a ESA, a Scientific American, a Smithsonian Magazine e a BBC Sky at Night, em março de 2025 a sonda Solar Orbiter, missão de aproximadamente US$ 1,5 bilhão liderada pela Agência Espacial Europeia com participação da NASA, rompeu essa barreira ao inclinar sua órbita a 17 graus abaixo do equador solar e, em 11 de junho, divulgou as primeiras imagens diretas do polo sul do Sol.

O resultado representa uma mudança estrutural na forma como a ciência observa e compreende a estrela.

Plano eclíptico limitou observações solares por séculos e impediu visão dos polos

O sistema solar se formou a partir de um disco de poeira e gás em rotação, o que determinou a orientação orbital dos planetas e demais corpos celestes.

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Como consequência, todas as missões espaciais seguiram esse mesmo plano. Sair dessa geometria exige alto gasto energético e manobras gravitacionais complexas.

A missão Ulysses, operada entre 1990 e 2009, foi a única a estudar os polos solares anteriormente, mas não possuía câmeras. Coletou dados de partículas e campos magnéticos, porém não produziu imagens, mantendo os polos solares invisíveis até então.

Manobras gravitacionais com Vênus permitiram inclinação orbital inédita da Solar Orbiter

A Solar Orbiter foi lançada em fevereiro de 2020 e utilizou assistências gravitacionais de Vênus para alterar gradualmente sua trajetória.

Após múltiplas passagens pelo planeta, a sonda atingiu em 2025 uma inclinação de 17 graus em relação ao equador solar, mais que o dobro do alcançado por missões anteriores com capacidade de imageamento.

Esse avanço permitiu que os polos do Sol entrassem no campo de visão dos instrumentos ópticos pela primeira vez na história. As primeiras observações ocorreram em março de 2025, com três instrumentos operando simultaneamente.

O PHI registrou imagens em luz visível e mapeou o campo magnético da superfície. O EUI capturou a atmosfera solar em ultravioleta. O SPICE mediu a velocidade do material em diferentes camadas. A combinação desses dados permitiu uma análise tridimensional inédita da região polar do Sol.

Campo magnético do polo solar aparece desorganizado durante máximo do ciclo solar

As imagens revelaram um comportamento inesperado do campo magnético solar.

Em vez de apresentar uma polaridade dominante, o polo sul exibiu regiões com polaridades opostas misturadas, indicando um estado altamente desorganizado.

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Esse fenômeno está associado ao máximo solar, fase do ciclo de aproximadamente 11 anos em que o campo magnético da estrela se inverte.

A observação direta dessa condição fornece evidência visual de processos que antes eram apenas teóricos.

Ciclo solar de 11 anos ainda desafia previsões e depende de dados dos polos

O ciclo solar regula a atividade da estrela, alternando períodos de baixa e alta intensidade. Durante o máximo solar, há aumento de manchas solares, erupções e ejeções de massa coronal.

Os modelos atuais apresentam limitações porque foram construídos com base em observações restritas ao plano equatorial. A inclusão de dados polares representa um avanço crítico para melhorar a capacidade de previsão desses ciclos.

Dados coletados indicaram que o material magnético se desloca em direção aos polos a velocidades entre 10 e 20 metros por segundo.

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Esse valor é significativamente maior do que o previsto por modelos anteriores. Essa descoberta impacta diretamente a compreensão sobre a formação de ciclos solares futuros, já que os fluxos polares são responsáveis por definir a intensidade do próximo ciclo.

Tempestades solares podem afetar satélites, GPS e redes elétricas na Terra

A relevância dessas descobertas vai além da ciência teórica. Tempestades solares podem gerar impactos diretos na infraestrutura terrestre, incluindo falhas em satélites, interrupções em sistemas de navegação e danos a redes elétricas.

Eventos históricos demonstram esse risco, como o apagão de Quebec em 1989 e danos registrados em transformadores na África do Sul em 2003. A melhoria nas previsões é essencial para mitigar esses impactos.

Observação do vento solar em três dimensões amplia compreensão da heliosfera

A Solar Orbiter também mede o vento solar, fluxo contínuo de partículas carregadas emitidas pela estrela. A nova perspectiva permite analisar a expansão desse fluxo em três dimensões, contribuindo para o entendimento da heliosfera, a região que envolve o sistema solar e protege contra radiação cósmica.

Essa análise é fundamental para compreender o ambiente espacial que influencia satélites e missões tripuladas. A sonda já havia demonstrado sua capacidade ao registrar uma erupção solar de classe M7.7 em setembro de 2024.

Os dados revelaram a formação de estruturas magnéticas instáveis antes da erupção, indicando possíveis caminhos para prever esses eventos com maior antecedência. A missão continuará utilizando assistências gravitacionais para aumentar a inclinação orbital.

A previsão é atingir 24 graus em 2026 e 33 graus em 2029, permitindo observações ainda mais diretas dos polos solares. Cada avanço amplia a quantidade e a qualidade dos dados coletados.

Possível existência de estruturas polares no Sol pode redefinir modelos de dinâmica estelar

Dados iniciais indicam a possibilidade de estruturas dinâmicas na região polar, cuja natureza ainda está em análise.

Se confirmadas, essas formações podem representar novos elementos na dinâmica interna da estrela e exigir revisão dos modelos atuais.

A missão representa um marco na ciência solar ao fornecer uma visão que nunca havia sido possível. A observação direta dos polos abre caminho para avanços na compreensão da atividade solar e seus impactos.

A mudança de perspectiva revelou limitações nos modelos existentes e indicou a necessidade de revisão de conceitos consolidados. Com dados inéditos e observações diretas dos polos solares, a ciência passa a ter acesso a informações que podem redefinir previsões e estratégias de mitigação de riscos.

Na sua visão, essas descobertas serão suficientes para tornar as previsões solares mais precisas ou ainda existem lacunas importantes a serem preenchidas?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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