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Pela primeira vez em sete anos o presidente chinês Xi Jinping desembarca na Coreia do Norte para uma visita de dois dias e dá a Kim Jong-un o palco perfeito para mostrar ao mundo que tem o apoio de uma superpotência

Publicado em 08/06/2026 às 12:05
Atualizado em 08/06/2026 às 12:08
Xi Jinping visita a Coreia do Norte e encontra Kim Jong-un pela primeira vez em sete anos, num gesto da China em meio à aproximação de Pyongyang com a Rússia.
Xi Jinping visita a Coreia do Norte e encontra Kim Jong-un pela primeira vez em sete anos, num gesto da China em meio à aproximação de Pyongyang com a Rússia.
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O presidente Xi Jinping fez a primeira visita de um líder da China à Coreia do Norte em sete anos, num encontro de dois dias com Kim Jong-un. A viagem é lida como uma forma de reafirmar a influência de Pequim sobre o vizinho, que se aproximou da Rússia.

Pela primeira vez em quase sete anos, o presidente da China, Xi Jinping, desembarcou na Coreia do Norte. Segundo informações do portal IG, ele chegou nesta segunda-feira (8) a Pyongyang para uma visita de Estado de dois dias, a convite do líder norte-coreano, Kim Jong-un. É também a primeira viagem de Xi Jinping ao exterior em 2026.

A visita é vista por analistas como um gesto de peso. Para Kim Jong-un, é a chance de mostrar ao próprio povo e ao mundo que uma superpotência reconhece a Coreia do Norte como aliada. Para a China, é uma forma de reafirmar sua influência sobre o vizinho, que vinha se aproximando cada vez mais da Rússia.

Por que a visita de Xi Jinping é tão rara e importante

A última vez que Xi Jinping havia pisado na Coreia do Norte foi em junho de 2019, o que torna esta viagem um evento incomum entre os dois países. O peso do gesto aumenta por ser a primeira viagem internacional do presidente em 2026, sinal da prioridade que Pequim dá ao assunto. O anúncio foi feito em 5 de junho pelas mídias estatais dos dois lados, e, ao chegar, Xi Jinping foi recebido com uma cerimônia de boas-vindas em Pyongyang, pedindo o aprofundamento da coordenação estratégica e da cooperação em áreas como economia, comércio, agricultura e ciência.

O momento também chama atenção. A viagem ocorre poucas semanas depois de a China ter recebido em Pequim os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, em uma sequência de cúpulas. Xi Jinping e Kim Jong-un já haviam se encontrado em setembro de 2025, durante um desfile militar na capital chinesa que marcou os 80 anos do fim da Segunda Guerra na Ásia, evento que também teve a presença de Putin.

O fator Rússia: a China se sente ignorada

O pano de fundo da visita tem nome: Rússia. Nos últimos anos, Kim Jong-un estreitou laços com Moscou, chegando a enviar tropas e armas para a guerra contra a Ucrânia, enquanto os dois países convivem com sanções internacionais. Segundo Choo Jae-woo, professor de política externa da Universidade Kyung Hee, na Coreia do Sul, a China se sente preterida e o principal objetivo de Xi Jinping é consolidar e fortalecer a relação com a Coreia do Norte.

O calendário reforça essa leitura. A viagem acontece cerca de um mês antes do 65º aniversário do tratado de amizade entre os dois países, assinado em 1961 e até hoje o único tratado de aliança militar formal da China, que prevê assistência “por todos os meios” em caso de ataque. Para Choo, antecipar a visita, em vez de esperar a data do tratado, sugere que Xi Jinping está preocupado com a possibilidade de a Coreia do Norte se aproximar demais da Rússia.

O que Kim Jong-un quer: ser visto como Estado normal

Do lado norte-coreano, as ambições vão além do simbolismo. Analistas afirmam que Kim Jong-un, de 42 anos, quer que a Coreia do Norte seja vista internacionalmente como um Estado normal e como um país que os outros devem levar a sério. Uma das apostas seria usar a visita para ampliar a diplomacia, buscando, por exemplo, espaço em blocos como a Organização de Cooperação de Xangai, criada pela China em 2001, ou o Brics, dos quais o país não participa nem como observador.

Há também o interesse econômico. Kim Jong-un busca laços mais estreitos com a China para impulsionar a economia debilitada, que, segundo dados do banco central sul-coreano, voltou a crescer cerca de 3% após anos de estagnação. Não por acaso, o líder reafirmou seu apoio ao princípio de “uma só China” e à visão de Taiwan como parte do território chinês, além de esperar mais turistas chineses em resorts como o de Wonsan-Kalma.

A mensagem de Xi Jinping para o Indo-Pacífico

A visita carrega ainda um recado para a região. Para Kim Sang-woo, ex-político sul-coreano ligado à Fundação para a Paz Kim Dae-jung, Xi Jinping quer demonstrar que a China é a potência dominante no Indo-Pacífico e que o compromisso dos Estados Unidos por ali se tornou incerto, em uma mensagem dirigida a vizinhos como Coreia do Sul, Japão, Índia, Filipinas e Austrália.

No tabuleiro maior, pesa também a relação com Washington. Donald Trump sinalizou disposição de retomar a diplomacia com Kim Jong-un, mas a Coreia do Norte exige que os Estados Unidos abandonem a desnuclearização como pré-condição, e alguns analistas especulam que Xi Jinping poderia levar uma mensagem nesse sentido. A aliança, vale lembrar, remonta à Guerra da Coreia, nos anos 1950, quando o líder chinês Mao Tsé-Tung descreveu a proximidade entre os países como a de “lábios e dentes”. Ainda assim, especialistas ponderam que dois dias de visita não resolvem, sozinhos, as questões da península.

A primeira visita de Xi Jinping à Coreia do Norte em sete anos mostra como China, Rússia e Estados Unidos disputam influência sobre Kim Jong-un.

Conte nos comentários se você acredita que essa aproximação entre Pequim e Pyongyang muda o equilíbrio de forças no mundo.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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