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Pecuária brasileira ganha capim novo da Embrapa que rende até 32% a mais de folhas nas chuvas, sustenta o boi melhor na seca e foi criado para o solo fraco e ácido do interior do país, onde o capim comum sofre mais para crescer

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/05/2026 às 21:32
Atualizado em 19/05/2026 às 21:34
Assista o vídeoEmbrapa lança o novo capim BRS Carinás, primeira braquiária híbrida brasileira: rende 18% mais nas chuvas, 40% mais na seca e prospera em solo ácido do Cerrado.
Embrapa lança o novo capim BRS Carinás, primeira braquiária híbrida brasileira: rende 18% mais nas chuvas, 40% mais na seca e prospera em solo ácido do Cerrado.
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A Embrapa lançou em abril de 2026 a BRS Carinás, primeira braquiária híbrida brasileira da espécie Brachiaria decumbens. O novo capim rende 18% mais forragem nas chuvas, 30% mais folhas e até 40% a mais de pasto na seca, com adaptação ao solo ácido e pobre do Cerrado. A cultivar promete elevar a produtividade da pecuária nacional.

Em 15 de abril de 2026, quarta-feira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), lançou oficialmente na sede da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a cultivar BRS Carinás, primeira braquiária híbrida da espécie Brachiaria decumbens desenvolvida no Brasil. O novo capim havia sido apresentado dois dias antes, em 13 de abril, durante a Expogrande, na capital sul-mato-grossense, e chega ao mercado com a promessa de elevar a produtividade da pecuária nacional ao oferecer mais forragem, mais folhas e maior tolerância à seca em comparação com a tradicional Basilisk, conhecida no campo como braquiarinha.

Segundo dados divulgados pela própria Embrapa e replicados por veículos do setor como A Lavoura, Portal DBO, Rádio Itatiaia e Broto Notícias, a BRS Carinás pode alcançar até 16 toneladas de matéria seca por hectare em condições adequadas de manejo, com produtividade até 18% superior à Basilisk durante o período chuvoso e até 40% a mais de forragem viva no período seco. A pesquisadora Jaqueline Verzignassi, da Embrapa Gado de Corte, destacou que ensaios conduzidos por dois anos em Planaltina, no Distrito Federal, comprovaram bom desempenho da nova cultivar no ganho de peso de bovinos da raça Nelore em fase de recria. As sementes do novo capim estarão disponíveis aos produtores no início do segundo semestre de 2026.

Por que a chegada do novo capim BRS Carinás é estratégica para o Brasil

Embrapa lança o novo capim BRS Carinás, primeira braquiária híbrida brasileira: rende 18% mais nas chuvas, 40% mais na seca e prospera em solo ácido do Cerrado.
Embrapa lança o novo capim BRS Carinás, primeira braquiária híbrida brasileira: rende 18% mais nas chuvas, 40% mais na seca e prospera em solo ácido do Cerrado.

A pecuária brasileira é hoje uma das maiores do planeta. O rebanho nacional está em torno de 200 milhões de cabeças, distribuídas em aproximadamente 160 milhões de hectares de pastagens em todo o território. Durante décadas, a estratégia para ampliar a produção foi simples: avançar com o pasto sobre novas áreas. Esse modelo extensivo perdeu fôlego nos últimos anos por causa da pressão ambiental, dos custos crescentes da abertura de novas áreas e dos limites territoriais reais do país, que cada vez mais demandam soluções de intensificação na mesma área.

Foi nesse contexto que a qualidade da forrageira passou a ser tratada como prioridade, e não mais como detalhe técnico. Um capim mais produtivo aumenta a taxa de lotação por hectare, eleva o ganho de peso animal, reduz a dependência de ração suplementar e diminui o custo total de produção. O lançamento do capim BRS Carinás entra justamente nesse movimento, oferecendo ao produtor uma alternativa nacional para áreas em que a Basilisk reinou sozinha por mais de 50 anos, especialmente no Cerrado e em outros biomas brasileiros.

O que faz a BRS Carinás diferente da braquiarinha tradicional

A BRS Carinás é uma gramínea forrageira tropical, apomítica e tetraploide, com 36 cromossomos, segundo o comunicado técnico publicado pela Embrapa. Em comparação direta com a Basilisk, registrada na Austrália na década de 1960 e introduzida em larga escala no Cerrado brasileiro nos anos 1970, a nova cultivar apresenta plantas mais altas, lâminas foliares mais longas e largas, hastes e eixos florais mais compridos e maior número médio de rácemos. Esse conjunto de características explica os ganhos de produtividade observados nos ensaios da Embrapa.

Na prática, isso significa mais alimento por área e melhor aproveitamento pelo animal. Estudos da Embrapa demonstraram que a BRS Carinás pode entregar até 30% mais lâminas foliares do que a Basilisk em determinadas épocas, com proteína bruta variando entre 7,5% e 12,5% e digestibilidade in vitro entre 55% e 65%, conforme o estágio fenológico e a estação. A combinação de mais folhas e qualidade nutricional comparável faz desse capim híbrido uma alternativa interessante para o produtor que quer aumentar a produtividade sem mudar radicalmente o sistema de manejo já adotado na propriedade.

Resistência à seca e adaptação ao solo ácido do Cerrado

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Um dos pontos mais celebrados pela Embrapa é o desempenho do novo capim durante o período seco. Segundo dados divulgados pela própria empresa de pesquisa, a BRS Carinás pode entregar até 40% a mais de forragem viva na estiagem em comparação com a Basilisk, característica essencial em regiões do Cerrado, onde a seca prolongada costuma reduzir drasticamente a oferta de alimento e forçar suplementação cara para manter o desempenho do rebanho. A cultivar pode ser vedada no final do verão e reservada estrategicamente para uso na seca, função que se aproxima do conceito de banco de forragem.

Outro destaque é a adaptação a solos de baixa fertilidade. A BRS Carinás tolera bem a acidez do solo e baixos teores de fósforo, características muito comuns no Cerrado brasileiro. Ao mesmo tempo, responde positivamente à adubação fosfatada, permitindo que o produtor ajuste o investimento conforme o nível tecnológico da propriedade. Para quem trabalha em áreas marginais ou em recuperação, esse novo capim oferece uma alternativa viável sem exigir investimentos pesados em correção de solo logo no primeiro ciclo de implantação da pastagem.

Mais folhas e mais ganho de peso por hectare

O capim ideal não é só o que produz mais massa: é o que produz folhas, justamente o componente mais nutritivo e mais digestível para o boi. A BRS Carinás se destacou nos ensaios da Embrapa pela alta produção de lâminas foliares, com ganho consistente em relação à Basilisk. Em termos de desempenho animal, isso se traduz em maior taxa de lotação e maior ganho de peso vivo por área, dois indicadores diretamente ligados à rentabilidade do pecuarista de corte e de leite no Brasil.

Outro dado importante é a velocidade de rebrota. Segundo a Embrapa, a BRS Carinás acumula cerca de 4 toneladas de massa seca de forragem em apenas 60 dias no início do período chuvoso, o que permite ao produtor antecipar a entrada dos animais na pastagem ou usar o pasto como reserva estratégica. Esse atributo é particularmente valioso em sistemas com lotação rotacionada, em que o tempo de descanso e a rebrota controlada definem a eficiência total do uso do capim na propriedade rural.

Onde a BRS Carinás pode ser cultivada no Brasil

Segundo o registro do produto no portal da Embrapa, a BRS Carinás é indicada para os biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, com cultivo recomendado em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, além de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, no Nordeste. No Norte, abrange Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. No Sudeste, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. No Sul, é recomendada para o Paraná. Essa amplitude geográfica torna o capim acessível a produtores em praticamente todas as regiões pecuárias do país.

O foco principal, no entanto, é o Cerrado e o chamado Matopiba, polo do agronegócio brasileiro que reúne áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nessas regiões, a combinação de solos ácidos, baixa fertilidade e seca prolongada se encaixa exatamente no perfil de adaptação da BRS Carinás. A expectativa da Embrapa é de que, em médio prazo, o capim brasileiro também alcance países da América Latina onde a pecuária baseada em Brachiaria decumbens é tradicional, ampliando a presença internacional da pesquisa agropecuária nacional.

Aplicação em integração lavoura-pecuária e cobertura do solo

Outro diferencial da BRS Carinás é a versatilidade. Segundo a Embrapa, a cultivar pode ser usada em pastejo solteiro, em consórcio com leguminosas ou em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), sem interferir negativamente na produtividade dos cultivos anuais conduzidos na mesma área. Esse desempenho é importante porque os sistemas ILP têm ganhado espaço no agro brasileiro como solução para diversificação de renda, melhoria da fertilidade do solo e redução de pragas e doenças entre safras.

A cultivar também apresenta excelente cobertura do solo, característica que reduz o crescimento de plantas invasoras e protege a área contra erosão durante o período seco. Em áreas em recuperação, a BRS Carinás pode atuar como ferramenta de restauração ambiental e produtiva ao mesmo tempo. Em testes em casa de vegetação conduzidos pela Embrapa, o novo capim também demonstrou maior tolerância ao alagamento do solo quando comparado a outra braquiária popular, a Xaraés, embora a empresa ressalte que ensaios adicionais em campo, em solos mal drenados, ainda são necessários para confirmar essa vantagem específica em escala comercial.

Quando e onde comprar sementes do novo capim BRS Carinás

Segundo informações divulgadas pela Embrapa e pela Unipasto, as sementes da BRS Carinás estarão disponíveis aos produtores rurais brasileiros a partir do início do segundo semestre de 2026, por meio dos associados da Unipasto, que reúne empresas de sementes especializadas em forrageiras tropicais. A lista de fornecedores oficiais pode ser consultada no site institucional da própria Unipasto, com contato direto disponível para encomendas e esclarecimentos técnicos sobre o produto.

O lançamento já conta com oferta inicial significativa, conforme comunicação oficial dos órgãos envolvidos, o que deve permitir a rápida adoção da tecnologia em diferentes regiões. Para o produtor interessado, a recomendação técnica é avaliar o nível tecnológico da propriedade, o histórico de fertilidade do solo e o tipo de sistema utilizado, seja pastejo extensivo, semi-intensivo ou integração lavoura-pecuária. Essa análise prévia ajuda a definir se o capim BRS Carinás é a melhor escolha para cada caso específico ou se outra cultivar atende melhor às particularidades da fazenda.

O lançamento da BRS Carinás representa um marco para o melhoramento genético de forrageiras no Brasil. É a primeira vez que o país consegue colocar no mercado uma cultivar híbrida nacional da espécie Brachiaria decumbens, depois de mais de 50 anos dependendo exclusivamente da Basilisk australiana. Para o pecuarista, é uma chance real de ganhar produtividade, sustentar o rebanho com mais segurança na seca e reduzir custos de suplementação, especialmente em regiões de Cerrado, onde o solo ácido e a estiagem prolongada impõem desafios constantes.

Você produz pasto no Cerrado ou em outra região do Brasil e já considerou substituir o seu capim atual pela BRS Carinás? Acha que essa nova braquiária da Embrapa pode mudar a competitividade da pecuária nacional frente a concorrentes como Estados Unidos e Austrália? Deixe seu comentário, conte qual cultivar você usa hoje e compartilhe a matéria com produtores, técnicos e amigos do agronegócio que precisam acompanhar essa novidade.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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