Descoberta sob igreja em Mitla revela complexa rede subterrânea zapoteca, reforçando lendas, rituais e a importância cultural da antiga cidade mexicana
Arqueólogos identificaram, sob a igreja católica de São Paulo Apóstolo, em Mitla, México, um complexo sistema de câmaras e túneis subterrâneos. A descoberta, feita em julho de 2023, confirma relatos orais sobre a existência de uma “passagem para o submundo” da civilização zapoteca, que habitou a região entre 700 a.C. e o início do século 15.
O trabalho foi realizado pelo Projeto Lyobaa, em parceria com o Instituto Nacional Mexicano de Antropologia e História (INAH), a Universidade Autônoma do México e o Projeto ARX.
Lyobaa, que significa “lugar de descanso”, é como os zapotecas chamavam o local, visto como porta de entrada para a terra dos mortos.
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Tecnologia avançada para revelar o subterrâneo
A equipe utilizou radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica e tomografia sísmica para criar um modelo virtual 3D das ruínas.
Esses métodos permitiram medir a reflexão de ondas eletromagnéticas e sísmicas ao atravessar o subsolo, revelando um grande buraco sob o altar principal e duas passagens conectadas a ele, a cerca de 5 a 8 metros de profundidade.
Essas técnicas já haviam sido empregadas em outros sítios mesoamericanos, como Teotihuacán, onde também foram identificadas estruturas associadas ao submundo.
Em Mitla, as evidências confirmam a complexidade arquitetônica e a engenhosidade zapoteca, com mosaicos, monumentos e tumbas repletas de tesouros para o pós-vida.
Centro religioso e legado cultural
Mitla foi o principal centro religioso zapoteca até o final do século 15. Com a conquista pelos astecas, o local foi abandonado e, posteriormente, usado como base para a construção da igreja católica, já durante a dominação espanhola entre 1519 e 1521.
Relatos coloniais indicam que os túneis eram palco de rituais e cerimônias dedicadas aos mortos e ancestrais.
A conexão entre a estrutura subterrânea e essas práticas reforça a importância de Mitla para a espiritualidade zapoteca.
Oaxaca e o Dia dos Mortos
O complexo de Mitla fica a 44 km de Oaxaca, cidade que preserva mosaicos únicos e se mantém como referência cultural no México.
Oaxaca é também um dos principais centros da celebração do Día de los muertos, realizado entre o fim de outubro e o início de novembro.
A festa é marcada por visitas a cemitérios, montagem de altares, uso de caveiras de açúcar, esqueletos decorados e a presença simbólica da famosa La Catrina.
Mais do que uma data religiosa, o Dia dos Mortos é uma tradição ancestral, originária de povos como astecas e maias, e que inicialmente ocorria em agosto.
Com a chegada dos espanhóis, os rituais foram adaptados para coincidir com o Dia de Todos os Santos. Em 2003, a Unesco declarou a celebração Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Apesar de difundida por todo o país, a festa é mais tradicional em estados como Aguas Calientes, Cidade do México, Morelos, Oaxaca e Quintana Roo.
Ela pode durar até sete dias, começando por volta de 26 de outubro e seguindo até 3 de novembro.
Com informações de O Tempo.

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