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Pareciam ossos comuns, mas cientistas se surpreenderam ao encontrar uma relíquia de mais de 12 mil anos que datam antes da Idade do Bronze

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 10/04/2026 às 16:55 Atualizado em 10/04/2026 às 16:58
Dados, Ossos, Idade do Bronze
Imagem: Ilustração
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Pesquisa publicada na American Antiquity mostra que caçadores-coletores das Grandes Planícies usavam dados de osso intencionais no fim da última Era Glacial

Muito antes de cassinos, moedas ou números registrados, caçadores-coletores nativos da América do Norte já utilizavam dados de ossos em jogos de azar há mais de 12.000 anos, aponta estudo publicado na revista American Antiquity.

Estudo recua origem dos jogos

A pesquisa foi liderada por Robert J. Madden, da Universidade Estadual do Colorado, e analisou artefatos do fim da última Era Glacial.

O trabalho indica que esses objetos são mais antigos que peças semelhantes conhecidas na Eurásia da Idade do Bronze.

As descobertas nas Grandes Planícies recuam a origem dos jogos de azar. O estudo também abre espaço para revisar ideias sobre onde e quando humanos começaram a lidar com resultados aleatórios.

Dados, Ossos, Idade do Bronze
Fragmentos ósseos antigos, agora identificados como alguns dos dados mais antigos conhecidos. Crédito: American Antiquity

Como eram os dados de ossos

As peças mais antigas datam de entre 12.800 e 12.200 anos atrás. Elas foram encontradas em Wyoming, Colorado e Novo México, e não tinham formato cúbico, mas sim a forma de pequenos objetos de osso com duas faces distintas.

Esses objetos são descritos como “lotes binários”. Cada um tinha duas faces diferentes, por vezes marcadas por cor ou textura, para produzir um resultado de tipo “sim ou não”, em funcionamento parecido com lançar uma moeda para o ar.

Em vez de uma única peça, várias eram lançadas ao mesmo tempo. Depois, era feita a contagem de quantas caíam em um lado específico.

Para Madden, isso mostra que os dados de osso não eram restos ocasionais do trabalho com matéria-prima animal.

Ferramentas feitas para o acaso

Madden afirmou que as peças eram “ferramentas simples e elegantes”, mas também “inegavelmente funcionais”.

Ele destacou que não se tratava de subprodutos casuais do trabalho com ossos, e sim de objetos produzidos para gerar resultados aleatórios.

A definição reforça o caráter intencional dos dados de osso encontrados nos sítios arqueológicos. O estudo afasta a leitura de que seriam fragmentos sem função própria e sustenta que havia finalidade clara ligada ao uso do acaso.

Presença ampla em 57 sítios

A pesquisa também identificou a extensão desse costume. Dados foram encontrados em 57 sítios arqueológicos distribuídos por uma área que cobre 12 estados, atravessando diversos períodos culturais desde a era paleoíndia.

Esse alcance sugere uma prática mantida ao longo de gerações. Para Madden, os jogos não serviam apenas como entretenimento.

Eles criavam “espaços neutros, regidos por regras”, permitindo interação entre pessoas de grupos diferentes.

Mais que diversão entre grupos

Na avaliação apresentada no estudo, esses jogos permitiam que diferentes grupos interagissem, trocassem bens e informações, formassem alianças e gerenciassem a incertza.

Por isso, Madden definiu esse tipo de prática como uma poderosa tecnologia social.

A interpretação coloca os dados de osso em papel amplo dentro das sociedades primitivas.

O jogo ajudava a organizar relações e lidar com situações incertas muito antes da existência de qualquer teoria formal da probabilidade.

Assim, as descobertas mostram que o uso de resultados aleatórios na América do Norte tem raízes antigas.

E indicam que essas peças participaram da construção de regras, trocas e vínculos em diferentes comunidades ao longo do tempo.

Com informações de Daily Galaxy.

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Romário Pereira de Carvalho

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