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Parecer da AGU impulsiona a Petrobras a explorar petróleo e gás na Margem Equatorial, contrariando preocupações ambientais de Marina Silva e do Ibama

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 23/08/2023 às 06:33
A postura do Ibama e da ministra Marina Silva, em contraposição à visão da AGU e do STF, cria uma tensão política significativa. Criando um futuro incerto para que a Petrobras realize a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial.
Foto: Rodolfo Almeida/SUMAÚMA
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A postura do Ibama e da ministra Marina Silva, em contraposição à visão da AGU e do STF, cria uma tensão política significativa. Esse cenário complexo, enraizado em questões ambientais e econômicas, desenha um futuro incerto para que a Petrobras realize a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial.

Na última terça-feira, (22/08), a Advocacia-Geral da União (AGU) surpreendeu ao divulgar um parecer que poderá redefinir os rumos da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial. A medida, apesar de contrariar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sustenta que a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) é dispensável durante o processo de licenciamento ambiental de projetos relacionados à exploração e produção de hidrocarbonetos. Esse desenvolvimento pode ter um impacto significativo nos planos da Petrobras, em particular no projeto do bloco FZA-M-59, localizado a 500 km da foz do Rio Amazonas, próximo à costa do Amapá.

Advocacia-Geral da União surpreende com parecer que dispensa Avaliação Ambiental de Área Sedimentar em projetos de exploração de petróleo e gás

A controvérsia surge em meio a uma série de obstáculos levantados pelo Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), visando conter as perfurações de poços de petróleo.

Entre as principais justificativas do Ibama para a negação da licença estão a necessidade de estudos estratégicos na bacia da Foz do Amazonas, os potenciais impactos nas comunidades indígenas devido aos voos sobre o local e a velocidade de resposta em caso de derramamento de petróleo.

Contrariamente a essas alegações, a AGU estabeleceu sua posição, sustentando que a viabilidade ambiental de empreendimentos deve ser certificada durante o próprio processo de licenciamento, em oposição à Avaliação Ambiental de Área Sedimentar.

Segundo a AGU, “o primeiro é um instrumento que fornece informações gerais ao processo de planejamento estratégico na concessão de blocos exploratórios, enquanto o licenciamento ambiental é um procedimento que avalia a viabilidade de projetos específicos, identificando impactos potenciais associados a eles.”

Conflito entre a AGU e Ministério do Meio Ambiente evidencia impasse político e desafia equilíbrio entre indústria petrolífera, comunidades indígenas e preservação ambiental

A interpretação da AGU não é apenas uma opinião isolada.

Ela é respaldada por manifestações jurídicas de órgãos federais ligados ao setor e também foi validada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em recentes julgamentos.

Nas Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs nº 825 e nº 887), o STF decidiu que a viabilidade ambiental deve ser determinada no próprio licenciamento, dispensando a necessidade de uma AAAS.

Além do parecer favorável à Petrobras para a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, a AGU tomou uma medida adicional, solicitando a abertura de um processo administrativo de conciliação entre os órgãos federais envolvidos no caso.

A Câmara de Mediação e Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF), encarregada desses processos, buscará uma solução consensual para o conflito.

Consultores jurídicos, representantes dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, além de outras partes interessadas, serão convocados para analisar a viabilidade da proposta negocial e os riscos associados.

Enquanto os debates em torno da exploração na Margem Equatorial persistem, a AGU parece ter lançado uma nova perspectiva ao cenário.

A posição da ministra Marina Silva contrasta fortemente com as visões manifestadas pela AGU e pelo STF.

Esse impasse político, associado às complexidades ambientais e econômicas, sinaliza um caminho incerto à frente, deixando a indústria do petróleo, as comunidades indígenas e a preservação ambiental em um delicado equilíbrio.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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