Países do BRICS+ impulsionam uma corrida espacial multipolar que rompe o antigo duopólio entre Estados Unidos e Rússia. China opera a estação Tiangong, Índia pousou no polo sul lunar com a Chandrayaan-3, Irã desenvolve lançadores próprios e Brasil e África do Sul expandem investimentos em satélites. O bloco combina lançamento independente, navegação global e iniciativas lunares compartilhadas.
Os países do BRICS estão redesenhando o mapa de poder do espaço em tempo recorde. Durante décadas, Estados Unidos e Rússia exerceram um duopólio quase absoluto sobre o domínio orbital, mas a entrada agressiva de nações como China, Índia e Irã no setor está forçando uma reconfiguração que os analistas já chamam de corrida espacial multipolar. A China opera sua estação espacial Tiangong e avança em projetos de mineração de asteroides, enquanto a Índia consolidou sua capacidade ao pousar a sonda Chandrayaan-3 no polo sul lunar em agosto de 2023, um feito que nenhum outro país havia conseguido antes. O Irã desenvolve veículos lançadores nacionais apesar das sanções internacionais, e Brasil e África do Sul elevam investimentos em satélites de observação da Terra e infraestrutura de lançamento própria.
O que os países do BRICS estão construindo vai além da soma de programas espaciais nacionais. O bloco BRICS+, que reúne Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, combina sistemas independentes de lançamento, redes globais de navegação por satélite, constelações orbitais e iniciativas para estações lunares compartilhadas. A Rússia, que já era potência espacial histórica, expande parcerias bilaterais e trilaterais com os novos atores, promovendo transferência de tecnologia que reforça a soberania coletiva do grupo. O resultado é uma estrutura espacial alternativa que reduz drasticamente a dependência de tecnologia ocidental e oferece aos países do BRICS capacidades que antes só os Estados Unidos e a Europa controlavam.
O que cada país do BRICS está fazendo no espaço
Segundo informações do portal ocafezinho, a China é o membro mais avançado do BRICS no domínio espacial. A estação Tiangong, colocada em órbita em partes ao longo dos últimos anos, é uma alternativa direta à Estação Espacial Internacional liderada pelos Estados Unidos, e permite à China realizar pesquisas orbitais com autonomia total. Os projetos lunares chineses se concentram nos polos do satélite natural, onde o gelo de água detectado pode sustentar bases humanas futuras, e a mineração de asteroides entrou na agenda como fronteira econômica de longo prazo.
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A Índia marcou seu lugar entre as grandes potências espaciais com a Chandrayaan-3. O pouso bem-sucedido no polo sul lunar em 2023 foi o primeiro da história, colocando a Índia ao lado dos Estados Unidos, Rússia e China como nações capazes de operar no solo lunar. O Irã desenvolve veículos lançadores nacionais como resposta às sanções internacionais que tentam conter seu programa, e o sucesso desses lançamentos demonstra que embargos podem acelerar a autonomia tecnológica em vez de paralisá-la. Brasil e África do Sul, membros fundadores do BRICS, expandem satélites de observação e infraestrutura de lançamento própria.
Como os países do BRICS competem com o programa Artemis dos Estados Unidos
A disputa pelo protagonismo lunar é uma das dimensões mais visíveis da corrida espacial entre o BRICS e o Ocidente. O programa Artemis, liderado pelos Estados Unidos, busca retornar astronautas à Lua e estabelecer presença permanente no satélite natural, e tem atraído aliados tradicionais americanos. Do lado oposto, a China promove a International Lunar Research Station (ILRS), uma iniciativa alternativa que já atraiu adesões de Paquistão, África do Sul e Belarús, além da cooperação russa.
O mais interessante é que múltiplos membros do BRICS mantêm engajamento simultâneo com ambos os projetos lunares. Essa postura demonstra um cálculo estratégico sofisticado: os países do BRICS não querem escolher entre os Estados Unidos e a China, preferem preservar autonomia enquanto ampliam acesso a capacidades avançadas de ambos os lados. Para nações que historicamente foram obrigadas a se alinhar a uma ou outra potência, essa flexibilidade é uma conquista diplomática significativa que a estrutura multipolar do espaço torna possível.
A rede de satélites que os países do BRICS estão construindo
Além dos projetos lunares, os países do BRICS avançam em infraestrutura orbital que redefine o acesso global a serviços espaciais. A China firmou dezenas de acordos com nações africanas para implantação de redes satelitais e estações terrestres de rastreamento, criando uma dependência tecnológica que concorre diretamente com ofertas americanas e europeias no continente. Essa expansão combina interesse comercial com estratégia geopolítica: quem controla os satélites que um país usa controla parte significativa de sua infraestrutura de comunicação e observação.
A Índia colabora em monitoramento climático, internet via satélite e exploração lunar com parceiros diversos, consolidando sua posição como fornecedor de serviços espaciais para países em desenvolvimento que não querem depender exclusivamente de empresas ocidentais. A combinação de constelações de satélites do BRICS oferece alternativa ao GPS americano, ao Galileo europeu e ao GLONASS russo, criando sistemas de navegação independentes que fortalecem a soberania digital dos membros e dos parceiros externos.
Os desafios que a corrida espacial do BRICS traz para a governança global
A ascensão dos países do BRICS no espaço gera consequências que vão muito além da tecnologia. A militarização do espaço, os novos regimes de governança orbital, a disputa por recursos lunares e a definição de proteções legais para satélites são questões que antes eram decididas praticamente entre Estados Unidos e Rússia, e que agora precisam incluir uma dúzia de países com interesses e abordagens diferentes. O Tratado do Espaço Exterior de 1967 precisa de atualização, mas as negociações se tornaram mais complexas.
Os modelos de cooperação defendidos pelos países do BRICS tendem a tratar o espaço como bem comum da humanidade, em oposição a abordagens securitárias que caracterizam iniciativas ocidentais frequentemente alinhadas a interesses militares e de controle tecnológico. Essa divergência filosófica não é menor: define como os recursos lunares serão explorados, quem terá direito de lançar constelações de satélites sem interferir nas dos outros e como disputas orbitais serão resolvidas. O BRICS propõe um espaço mais inclusivo, o que entra em choque com a lógica de “primeiro chegar, primeiro pegar” que beneficia os já estabelecidos.
O que o BRICS espacial significa para o Brasil
Para o Brasil, a corrida espacial multipolar do BRICS é uma oportunidade rara de se posicionar em um domínio tecnológico avançado sem depender exclusivamente das potências tradicionais. O país reforça programas nacionais de satélites, aumenta integração no âmbito do BRICS e demonstra interesse diplomático em parcerias para exploração lunar e estações orbitais, uma postura que o coloca como parceiro desejado pelos principais membros do bloco.
O impulso sustentado dos esforços dos países do BRICS aponta para um sistema espacial global em que uma rede de atores interdependentes molda regras, explora recursos e impulsiona inovação científica. Para o Brasil, que historicamente dependeu de parcerias com Estados Unidos e Europa para acesso ao espaço, a multipolaridade do BRICS oferece alternativas que podem acelerar o desenvolvimento do programa espacial nacional. A cooperação entre membros do bloco demonstra que a multipolaridade não representa fragmentação, mas construção concreta de uma ordem mais equilibrada no espaço exterior, onde países historicamente marginalizados passam a ocupar papel central.
Os países do BRICS estão quebrando o domínio de Estados Unidos e Rússia no espaço com projetos lunares e lançadores próprios. Você acha que essa corrida espacial multipolar é positiva? O Brasil deveria se aprofundar no BRICS espacial? Deixe sua opinião nos comentários.

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