País de Gales usa 107 mil fraldas recicladas no asfalto da A487 e transforma resíduo difícil em pavimento experimental.
O País de Gales testou uma solução incomum para um dos resíduos domésticos mais difíceis de reciclar: transformar fraldas descartáveis usadas em componente para asfalto. O projeto foi aplicado em um trecho de 1,4 milha da rodovia A487, entre Cardigan e Aberystwyth, no oeste galês. Segundo a ITV Wales, cerca de 107 mil fraldas foram usadas no recapeamento do trecho. A conversão da extensão mostra a escala da obra: 1,4 milha x 1,609 km = aproximadamente 2,25 km de pavimento experimental.
O governo galês informou que 4,3 toneladas de fibras recuperadas de fraldas usadas substituíram materiais normalmente importados para a produção do asfalto. A mistura foi adicionada ao betume, o ligante que une os agregados e forma a camada asfáltica.
Rodovia A487 virou laboratório para transformar fraldas descartáveis em pavimento reciclado
O projeto foi conduzido como uma iniciativa conjunta entre o governo galês, a empresa Pura e a NappiCycle, especializada em reciclagem de fraldas e produtos absorventes. A tecnologia foi aplicada em um trecho real da A487, não apenas em laboratório.
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As fraldas não entram diretamente na estrada. O material passa por um processo de higienização, separação e reaproveitamento, no qual plásticos e fibras de celulose são separados para novos usos.
No caso da A487, a fibra recuperada foi usada como aditivo no betume. A NappiCycle afirma que esse tipo de aplicação pode ajudar a produzir pavimentos mais silenciosos e de maior duração.
Mais de 107 mil fraldas deixaram de ir para aterros e viraram parte da estrada
Segundo a ITV Wales, 107 mil fraldas foram usadas no recapeamento, evitando que esse material fosse enviado diretamente para aterros.
Esse tipo de resíduo é problemático porque combina plástico, celulose, polímeros absorventes e material orgânico. Por isso, fraldas descartáveis normalmente têm baixo valor de reciclagem e costumam seguir para aterros ou incineração.
A NappiCycle se apresenta como uma empresa dedicada justamente a recuperar materiais valiosos de fraldas usadas e produtos absorventes. A companhia afirma que esses materiais podem virar placas, painéis, isolamento e também fibras para pavimentação.
Asfalto com fibra de fralda substituiu materiais importados e usou agregado local
O governo galês destacou outro ponto técnico importante: as fibras recuperadas substituíram materiais usados no asfalto que normalmente seriam enviados de outros países da Europa ou de regiões ainda mais distantes.

Além disso, o agregado usado na obra foi obtido em um raio de 45 milhas, cerca de 72 km, o que reduziu a distância de transporte e manteve parte da cadeia produtiva dentro da região.
A estrada virou teste de economia circular: resíduo local, processamento local, agregado regional e aplicação em infraestrutura pública.
Tecnologia tenta tornar o pavimento mais durável, mas ainda precisa ser tratada como teste
A Pura, a NappiCycle e reportagens locais afirmam que o asfalto com fibra de fraldas pode ser mais durável que o asfalto convencional e ter menor pegada de carbono.
A parte mais surpreendente da tecnologia é que ela usa um material que quase ninguém associa à engenharia rodoviária. Fraldas descartáveis normalmente representam custo ambiental, volume em aterro e dificuldade de reaproveitamento.
No teste galês, esse resíduo virou fibra incorporada ao ligante do asfalto, ajudando a transformar lixo doméstico em uma camada de infraestrutura pública. É uma solução pequena diante do volume total de fraldas descartadas, mas tecnicamente simbólica.
No fim, a A487 virou uma vitrine estranha e poderosa: uma estrada onde mais de 107 mil fraldas deixaram de ser lixo e passaram a sustentar carros, caminhões e ônibus sob uma camada de asfalto reciclado.

