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País de Gales transforma mais de 107 mil fraldas descartáveis usadas em asfalto para recobrir trecho de 1,4 milha da rodovia A487; tecnologia adiciona 4,3 toneladas de fibras recicladas ao betume e tenta trocar aterros por estradas mais duráveis

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 25/05/2026 às 16:28 Atualizado em 25/05/2026 às 17:03
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País de Gales usa 107 mil fraldas recicladas no asfalto da A487 e transforma resíduo difícil em pavimento experimental.
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País de Gales usa 107 mil fraldas recicladas no asfalto da A487 e transforma resíduo difícil em pavimento experimental.

O País de Gales testou uma solução incomum para um dos resíduos domésticos mais difíceis de reciclar: transformar fraldas descartáveis usadas em componente para asfalto. O projeto foi aplicado em um trecho de 1,4 milha da rodovia A487, entre Cardigan e Aberystwyth, no oeste galês. Segundo a ITV Wales, cerca de 107 mil fraldas foram usadas no recapeamento do trecho. A conversão da extensão mostra a escala da obra: 1,4 milha x 1,609 km = aproximadamente 2,25 km de pavimento experimental.

O governo galês informou que 4,3 toneladas de fibras recuperadas de fraldas usadas substituíram materiais normalmente importados para a produção do asfalto. A mistura foi adicionada ao betume, o ligante que une os agregados e forma a camada asfáltica.

Rodovia A487 virou laboratório para transformar fraldas descartáveis em pavimento reciclado

O projeto foi conduzido como uma iniciativa conjunta entre o governo galês, a empresa Pura e a NappiCycle, especializada em reciclagem de fraldas e produtos absorventes. A tecnologia foi aplicada em um trecho real da A487, não apenas em laboratório.

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As fraldas não entram diretamente na estrada. O material passa por um processo de higienização, separação e reaproveitamento, no qual plásticos e fibras de celulose são separados para novos usos.

No caso da A487, a fibra recuperada foi usada como aditivo no betume. A NappiCycle afirma que esse tipo de aplicação pode ajudar a produzir pavimentos mais silenciosos e de maior duração.

Mais de 107 mil fraldas deixaram de ir para aterros e viraram parte da estrada

Segundo a ITV Wales, 107 mil fraldas foram usadas no recapeamento, evitando que esse material fosse enviado diretamente para aterros.

Esse tipo de resíduo é problemático porque combina plástico, celulose, polímeros absorventes e material orgânico. Por isso, fraldas descartáveis normalmente têm baixo valor de reciclagem e costumam seguir para aterros ou incineração.

A NappiCycle se apresenta como uma empresa dedicada justamente a recuperar materiais valiosos de fraldas usadas e produtos absorventes. A companhia afirma que esses materiais podem virar placas, painéis, isolamento e também fibras para pavimentação.

Asfalto com fibra de fralda substituiu materiais importados e usou agregado local

O governo galês destacou outro ponto técnico importante: as fibras recuperadas substituíram materiais usados no asfalto que normalmente seriam enviados de outros países da Europa ou de regiões ainda mais distantes.

País de Gales usa 107 mil fraldas recicladas no asfalto da A487 e transforma resíduo difícil em pavimento experimental.
País de Gales usa 107 mil fraldas recicladas no asfalto da A487 e transforma resíduo difícil em pavimento experimental.

Além disso, o agregado usado na obra foi obtido em um raio de 45 milhas, cerca de 72 km, o que reduziu a distância de transporte e manteve parte da cadeia produtiva dentro da região.

A estrada virou teste de economia circular: resíduo local, processamento local, agregado regional e aplicação em infraestrutura pública.

Tecnologia tenta tornar o pavimento mais durável, mas ainda precisa ser tratada como teste

A Pura, a NappiCycle e reportagens locais afirmam que o asfalto com fibra de fraldas pode ser mais durável que o asfalto convencional e ter menor pegada de carbono.

A parte mais surpreendente da tecnologia é que ela usa um material que quase ninguém associa à engenharia rodoviária. Fraldas descartáveis normalmente representam custo ambiental, volume em aterro e dificuldade de reaproveitamento.

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No teste galês, esse resíduo virou fibra incorporada ao ligante do asfalto, ajudando a transformar lixo doméstico em uma camada de infraestrutura pública. É uma solução pequena diante do volume total de fraldas descartadas, mas tecnicamente simbólica.

No fim, a A487 virou uma vitrine estranha e poderosa: uma estrada onde mais de 107 mil fraldas deixaram de ser lixo e passaram a sustentar carros, caminhões e ônibus sob uma camada de asfalto reciclado.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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