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País de Gales gasta mais de £700 mil em indenizações a fazendas de caça por aves abatidas após surtos de gripe aviária, gerando críticas sobre uso de dinheiro público

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 29/01/2026 às 16:41
Abates, Aves, Pais de Gales
Imagem: Ilustração artística
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Organizações criticam uso de recursos públicos para compensar abate de aves criadas para entretenimento, enquanto pedem fim da soltura e mais prevenção governamental contra novos surtos futuros no país galês

O governo galês pagou indenizações que somam mais de 700 mil libras desde 2021 a fazendas de caça cujas aves foram abatidas após infecção por gripe aviária. Os dados foram obtidos por grupos de defesa dos animais por meio de pedidos de acesso à informação e reacenderam o debate sobre o uso de recursos públicos para compensar empresas que criam aves destinadas ao abate como entretenimento diário.

A Animal Aid, que lidera uma campanha sobre o tema, afirma que esse tipo de gasto é injustificável e contribui para sustentar práticas que, segundo a organização, causam sofrimento em larga escala e danos ao campo.

Indenizações concentradas e números expressivos de abates

Entre 2020 e 2025, ocorreram cinco surtos de gripe aviária em fazendas de caça no País de Gales, resultando no abate de até 52.409 faisões e perdizes.

Apesar de haver menos surtos do que na Inglaterra, o número de aves abatidas no território galês é significativamente maior, sobretudo por causa de um único episódio registrado em 2023.

Cinco reservas de caça no País de Gales receberam indenização. Em julho de 2025, um pedido de acesso à informação submetido pela Liga Contra os Esportes Cruéis obteve a resposta de que um total de £702.981,88 foi pago em compensações.

Já um pedido feito pela Animal Aid em 2023 indicou que houve apenas uma fazenda no País de Gales com surto de influenza aviária naquele ano.

Bettws Hall e o surto de 2023

Segundo a resposta recebida pela Liga Contra os Esportes Cruéis, a indenização paga às fazendas de caça em 2023 foi de £ 551.095,24.

Fiona Pereira, gerente de campanha da Animal Aid, afirmou que, pelo que conseguiu deduzir, a fazenda Bettws Hall, em Powys, considerada a maior do país, foi a única beneficiária.

Ela destacou que os métodos de abate utilizados foram descritos como horríveis.

A operação ocorreu com unidades de gaseamento em contêineres e, quando necessário, aves foram abatidas individualmente de forma humanitária por funcionários treinados da APHA (Agência de Saúde Animal e Vegetal).

Métodos de gaseificação e sofrimento animal

De acordo com o Defra, a capacidade de gaseificação de toda a casa (WHG) com base em dióxido de carbono (CO2) aumentou significativamente e atualmente é o método preferido quando pode ser implementado de forma eficaz e rápida.

No entanto, dependendo do gás utilizado, esse processo pode causar grande sofrimento às aves, que ofegam, batem as asas e tentam escapar.

A Sra. Pereira ressaltou que esses riscos reforçam as preocupações expressas em sua campanha contra a caça ilegal, intitulada “Matando o Nosso Campo”, lançada em maio deste ano.

Pressão por mudanças e críticas à indústria

Nos últimos anos, a RSPB pediu o fim da soltura de aves para caça, e seu escritório no País de Gales voltou a destacar os riscos em setembro.

O governo do Reino Unido também atualizou suas diretrizes e, em agosto, alertou para o aumento do risco de gripe aviária em aves de caça, especialmente em condados costeiros.

Segundo Fiona Pereira, a indústria da caça cria e liberta até 60 milhões de faisões e perdizes todos os anos, o que amplia a probabilidade de novos surtos e de mais indenizações pagas pelos contribuintes.

A campanha da Animal Aid defende que o governo assuma maior responsabilidade na prevenção e enfrente os impactos dessa prática sobre a vida selvagem e o campo, tema abordado nas páginas 21 e 22 do relatório “Matando o Nosso Campo”.

Com informações de Nation.

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Romário Pereira de Carvalho

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