Rico em recursos minerais e com articulação diplomática ativa, o país busca no BRICS um caminho para ampliar parcerias, ganhar relevância internacional e valorizar suas reservas de ouro
Um movimento diplomático de grande impacto vem sendo construído silenciosamente no continente africano, atraindo atenção internacional.
Desde 2024, um país africano com uma das maiores reservas de ouro da África intensificou articulações diplomáticas com os países do BRICS, como parte de um esforço estratégico para integrar o grupo.
A iniciativa foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores e do Comércio Internacional, Amon Murwira, que descreveu o movimento como essencial para ampliar a participação do país no sistema econômico internacional.
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Segundo o chanceler, a aproximação com economias emergentes pode abrir novas oportunidades de cooperação, além de reduzir a dependência de parceiros tradicionais e diversificar relações externas.

Articulação diplomática avança dentro da estrutura do bloco
O avanço das negociações ocorre sob coordenação direta da presidência.
De acordo com Murwira, o presidente Emmerson Mnangagwa determinou que o processo fosse acompanhado de perto pela chancelaria, dada a relevância estratégica da iniciativa.
Nesse contexto, o país já realizou contatos formais com todos os Estados-membros do BRICS, buscando compreender as categorias e mecanismos de participação previstos na estrutura do grupo.
“Abordamos formalmente todos os Estados-membros do BRICS e estamos ansiosos para participar do grupo nas categorias permitidas dentro de sua estrutura”, afirmou Murwira, em declaração oficial feita em 2025.
Reservas de ouro colocam país em posição estratégica
O interesse em integrar o BRICS surge em um momento em que o país busca transformar seus recursos naturais em alavanca de desenvolvimento econômico.
O território abriga algumas das maiores reservas de ouro do continente africano, frequentemente citadas como as segundas maiores da África, atrás apenas da África do Sul.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que, em 2023, a África do Sul liderava as reservas econômicas comprovadas de ouro, com cerca de 5.000 toneladas.
No caso do país africano interessado no BRICS, aproximadamente 1.600 toneladas constam oficialmente como reservas comprovadas, segundo registros internacionais.
Potencial mineral vai além dos números oficiais
Apesar dos dados reconhecidos oficialmente, estimativas do setor de mineração indicam um potencial muito mais amplo.
Fontes locais e especialistas apontam que o volume total de ouro pode alcançar até 13 milhões de toneladas, concentradas em áreas que ainda não passaram por exploração sistemática.
Essas reservas potenciais estão localizadas principalmente na região do Great Dyke, uma das formações geológicas mais ricas do país, além de cinturões minerais em áreas como Midlands e Manicaland.
De acordo com essas estimativas, o país poderia concentrar entre 4% e 7% de todo o ouro existente no continente africano, cujo total é calculado em cerca de 30.000 toneladas.
Apoio internacional fortalece candidatura
O avanço diplomático ocorre em paralelo ao apoio explícito de importantes membros do bloco.
Anteriormente, o governo já havia manifestado interesse formal tanto em aderir ao BRICS quanto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), instituição financeira vinculada ao grupo.
Nesse processo, Rússia, África do Sul e Brasil declararam publicamente apoio à candidatura do país africano, reforçando sua posição dentro das discussões sobre a expansão do bloco.
Com vastas reservas de ouro, articulação diplomática ativa e respaldo internacional, o país surge como um candidato estratégico no processo de ampliação do BRICS.
A questão que permanece é: até que ponto a entrada de um grande detentor de ouro pode redefinir o equilíbrio econômico e geopolítico do grupo nos próximos anos?
