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Os EUA e a Ucrânia assinaram, em 2025, um acordo que dá a Washington acesso prioritário a lítio, titânio, urânio e terras raras em troca de ajuda militar e o país, que tem um terço das reservas de lítio da Europa e 7% do titânio do continente, está negociando soberania sobre recursos que valem trilhões usando mapas geológicos feitos pela União Soviética há 60 anos

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/05/2026 às 10:40
Atualizado em 29/05/2026 às 10:44
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Acordo entre EUA e Ucrânia cria fundo de reconstrução com acesso preferencial a minerais críticos
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Acordo entre EUA e Ucrânia cria fundo de reconstrução com acesso preferencial a minerais críticos, mas enfrenta dúvidas geológicas, guerra e prazo longo de produção.

Segundo a Al Jazeera, os governos dos Estados Unidos e da Ucrânia assinaram em 30 de abril de 2025, em Washington, o Acordo de Parceria Econômica EUA Ucrânia, criando o US Ukraine Reconstruction Investment Fund. O mecanismo dá aos EUA acesso preferencial a novas licenças de minerais e recursos naturais ucranianos em troca de assistência financeira e militar.

O acordo inclui lítio, titânio, urânio, grafita, petróleo, gás natural e outros materiais extraíveis, justamente os insumos que ganharam peso estratégico na disputa global por cadeias de suprimento. A Ucrânia afirma deter cerca de 5% das reservas globais de minerais críticos, mas o valor real desse acesso depende de três fatores que tornam o acordo muito mais complexo do que parece: dados geológicos antigos, depósitos em áreas sob ocupação russa e prazo extremamente longo para transformar reserva em produção comercial.

Acordo EUA Ucrânia mira minerais críticos, mas foco real está em lítio, titânio e grafita

Durante as negociações, Donald Trump mencionou repetidamente as terras raras da Ucrânia, usando os recursos minerais como justificativa para o investimento americano na segurança do país. O problema é que a situação geológica ucraniana é mais complexa do que a retórica política sugere.

A Ucrânia não aparece com grandes volumes de terras raras no sentido técnico mais rigoroso, mas possui reservas relevantes de titânio, grafita e lítio, materiais essenciais para a indústria de defesa, baterias, veículos elétricos e setores de alta tecnologia.

O Atlantic Council descreveu esses minerais como recursos fundacionais para a indústria de defesa americana e para a economia tecnológica.

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O principal problema é que os dados sobre essas reservas são antigos. Segundo o Atlantic Council, os levantamentos têm entre 30 e 60 anos e foram produzidos ainda na era soviética, com técnicas hoje consideradas desatualizadas. Isso significa que o acordo pode se apoiar em estimativas que ainda precisam de validação moderna.

Minerais da Ucrânia estão em áreas ocupadas pela Rússia, o que reduz valor prático do acordo

A maior fragilidade geográfica do acordo está no mapa da guerra. Uma parte importante dos minerais críticos da Ucrânia está concentrada justamente no terço leste do país, região que se tornou o principal eixo de combate desde 2014 e que segue parcialmente sob controle russo desde 2022.

As províncias de Donetsk, Zaporizhzhia, Kherson e Luhansk, formalmente anexadas pela Rússia em setembro de 2022, estão sobre algumas das reservas mais significativas de lítio, titânio e grafita citadas nos levantamentos soviéticos.

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Isso significa que parte do acesso preferencial concedido aos Estados Unidos pode continuar inacessível na prática por muitos anos, ou até de forma permanente.

A CEPA resumiu esse ponto ao afirmar que uma parcela significativa desses recursos, ativos e inexplorados, está na faixa leste da Ucrânia, exatamente onde os combates se concentram há anos. Em outras palavras, o acordo de Washington pode garantir prioridade formal sobre reservas que os EUA talvez não consigam explorar.

Debate jurídico sobre o acordo questiona se houve coerção contra a Ucrânia

Além do problema geológico e territorial, o acordo também abriu um debate jurídico delicado. Juristas passaram a discutir se a Ucrânia foi coagida a assinar um tratado que entrega acesso preferencial a recursos naturais em um momento em que sua sobrevivência militar depende diretamente do apoio americano.

O Just Security tratou desse ponto em março de 2026 ao questionar se os EUA buscaram um tratado de minerais com a Ucrânia sob força política e econômica. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados estabelece que um tratado é nulo se tiver sido obtido por coerção de um Estado, mas a aplicação dessa regra ao caso ainda depende da interpretação jurídica e de fatos completos sobre as negociações.

A reunião acalorada no Salão Oval, em fevereiro de 2025, entre Trump, J.D. Vance e Volodymyr Zelenskyy, é citada como evidência central do contexto de pressão. Zelenskyy saiu sem acordo, voltou meses depois e assinou. O que aconteceu entre esses dois momentos ainda segue como tema de análise jurídica e investigação jornalística.

Fundo de reconstrução entre EUA e Ucrânia é vago nos pontos mais sensíveis

O texto do acordo, segundo a análise apresentada, foi redigido com vagueza estratégica para permitir que os dois lados assinassem sem travar publicamente nos pontos mais sensíveis. O documento cria um fundo conjunto de reconstrução, com gestão paritária entre Estados Unidos e Ucrânia, sem transferir controle unilateral dos recursos para Washington.

A Ucrânia mantém a soberania formal sobre os recursos naturais, e os projetos de mineração que já estavam em andamento ficaram fora do escopo. O acordo cobre apenas novas licenças, e a ajuda militar já fornecida anteriormente pelos EUA não entra como dívida a ser reembolsada pelo fundo, ponto considerado uma vitória negociatória de Zelenskyy.

Ao mesmo tempo, o texto afirma que os recursos do fundo serão reinvestidos na Ucrânia para promover segurança, proteção e prosperidade, mas não define de forma concreta o que isso significa. Essa indefinição foi deixada para um acordo complementar que, segundo o texto, ainda não havia sido negociado.

Prazo de até 16 anos reduz impacto imediato do acordo mineral entre EUA e Ucrânia

O ponto menos lembrado no debate público é o tempo. Segundo análise da Columbia University, o prazo médio global entre descoberta e produção de minerais críticos é de 16 anos. Isso muda completamente a leitura estratégica do acordo.

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Mesmo que a guerra terminasse imediatamente, que novos mapeamentos geológicos fossem iniciados sem atraso e que os projetos de exploração avançassem em ritmo acelerado, a Ucrânia provavelmente só conseguiria produzir lítio, titânio e grafita em escala comercial por volta de 2040. Isso está muito além de qualquer horizonte político imediato em Washington.

Na prática, os Estados Unidos garantiram prioridade sobre recursos que podem não existir nas quantidades estimadas, podem estar em áreas fora do controle de Kiev e podem levar uma década ou mais para gerar resultado econômico real. A Ucrânia, por sua vez, garantiu a continuidade do apoio americano em meio a uma guerra sem prazo definido para terminar.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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