Navio romano foi encontrado em mina de carvão na Sérvia, a 8 metros de profundidade, e pode ter servido à antiga cidade de Viminacium, na fronteira do Império Romano.
Segundo a Live Science, o naufrágio antigo foi encontrado no fim de julho de 2023 na mina de carvão a céu aberto de Drmno, perto de Kostolac, a cerca de 50 quilômetros a leste de Belgrado, na Sérvia. Os restos de madeira estavam enterrados em uma camada de sedimento a cerca de 8 metros abaixo da superfície, e surgiram quando a escavadeira cortou a parede de terra para alcançar a camada de carvão. O casco exposto media cerca de 13 metros de comprimento e foi interpretado como parte de uma embarcação de fundo chato, provavelmente usada no transporte de carga e suprimentos entre o Danúbio e a antiga cidade de Viminacium.
Segundo a Reuters, os mineiros acionaram os arqueólogos do sítio de Viminacium logo após a descoberta. A madeira sobreviveu porque permaneceu selada em sedimento úmido por séculos, protegida do ar. No local, o arqueólogo Miomir Korac afirmou que achados anteriores sugerem que o navio pode datar dos séculos III ou IV d.C., quando Viminacium era a capital da província romana da Mésia Superior e mantinha um porto perto de um afluente do Danúbio.
Navio romano encontrado na Sérvia ajuda a explicar a logística de Viminacium
Segundo a Live Science, a descoberta só ganha sentido completo quando se entende o peso de Viminacium no mapa do Império Romano.
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A cidade foi um importante assentamento romano e uma base militar próxima da fronteira imperial, instalada muito perto de onde a mina opera hoje. Em seu auge, teria abrigado cerca de 45 mil habitantes, número alto para o período, além de estruturas como palácio, fórum, anfiteatro, templos, banhos e aquedutos.

Segundo a Reuters, esse porte urbano ajuda a explicar por que embarcações como a encontrada em Drmno eram vitais. Uma cidade dessa escala, instalada em uma região de fronteira e ligada ao sistema do Danúbio, dependia intensamente de transporte fluvial para mover mercadorias, materiais e suprimentos.
O navio desenterrado provavelmente fazia parte dessa engrenagem logística que conectava Viminacium ao restante do mundo romano.
Por que o navio apareceu a 8 metros de profundidade dentro de uma mina de carvão
Segundo a Live Science, o fato de o navio ter sido encontrado tão fundo no subsolo não significa que ele estivesse longe da água quando afundou.
Os arqueólogos acreditam que a embarcação navegava por vias fluviais entre o Danúbio e Viminacium, e que o local onde foi encontrada corresponde a uma antiga área de deposição de sedimentos, exatamente o tipo de ambiente deixado por cursos d’água que mudam de trajeto ao longo de muitos séculos.
Com o passar do tempo, o leito em que o navio afundou ou foi abandonado foi sendo coberto por sucessivas camadas de silte e lama.
O rio recuou, a paisagem mudou e aquilo que antes era fundo de uma artéria fluvial virou terra firme. A mina moderna acabou cortando justamente esse antigo canal soterrado e expôs o casco preservado.
Madeira de 1.500 anos exigiu operação imediata para não apodrecer ao sol
Segundo a Reuters, a preservação da embarcação virou uma corrida contra o tempo no exato momento em que a madeira foi exposta ao ar livre. Miomir Korac explicou que a equipe precisou borrifar água sobre o casco e mantê-lo coberto por uma lona para evitar deterioração rápida sob o calor do verão. Madeira antiga saturada de umidade pode rachar, encolher e se desfazer quando seca depressa demais.

Segundo a Live Science, essa umidade foi justamente o fator que permitiu à embarcação sobreviver por mais de um milênio e meio.
O próximo passo envolve preservação lenta, controlada e cuidadosa, porque mover o casco sem quebrá-lo exige estrutura especial, apoio de engenharia e transporte com guindaste.
Achado de 2023 não foi isolado e sugere que mais navios romanos estejam enterrados ali
Segundo a Live Science, o navio descoberto em 2023 não foi o primeiro encontrado na área. Em 2020, arqueólogos já haviam identificado outras embarcações antigas na mesma região, incluindo barcos menores talhados em troncos únicos e uma embarcação maior de quase 15 metros, também de fundo chato e com aparência compatível com técnicas romanas.

Segundo a Reuters, a repetição desses achados reforça a ideia de que o local guarda vestígios de uma antiga rota navegável ligada a Viminacium.
Se a área funcionou por séculos como um braço fluvial ativo próximo de uma cidade romana grande e militarmente estratégica, é plausível que mais embarcações tenham afundado, sido abandonadas ou ficado soterradas ali.
Barcaça de fundo chato revela como o Império Romano operava em sua fronteira no Danúbio
Segundo a Live Science, o formato de fundo chato da embarcação é compatível com navegação em águas rasas e transporte de carga em rios e canais. Os arqueólogos indicaram que o navio provavelmente era rebocado da margem ou movido a remos, podendo também usar vela auxiliar em condições adequadas.
Esse detalhe transforma o achado em algo maior do que uma curiosidade arqueológica. O navio de Kostolac oferece uma prova física de como funcionava a logística da fronteira norte do Império Romano. Em vez de mostrar apenas uma cidade antiga enterrada, ele mostra o sistema de circulação que mantinha essa cidade viva, abastecida e conectada ao restante do império por meio do Danúbio e de seus afluentes.


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