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Papiro de 1.900 anos achado no Deserto da Judeia revela crime do Império Romano com fraude, falsificação e audiência judicial detalhada

Publicado em 30/03/2026 às 13:04
Atualizado em 30/03/2026 às 13:06
Papiro, Romano
Imagem: Shai Halevi
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Estudo revela que um papiro em grego preservou a audiência de um crime ocorrido há 1.900 anos, detalhando fraude fiscal, falsificação de documentos e atuação da justiça romana na Judeia

No ano passado, foi concluído o estudo de um papiro em grego que registra a audiência judicial de um crime ocorrido há 1.900 anos nas províncias romanas da Judeia e da Arábia, caso relevante por expor fraude, cobrança imperial e práticas legais do período.

Redescoberta do papiro

O documento foi encontrado em 1950 em uma das cavernas de Nahal Hever, no Deserto da Judeia.

Na época, porém, o texto foi classificado de forma errada como nabateu e acabou passando despercebido durante décadas.

A situação mudou em 2014, quando a professora Hannah Cotton Paltiel, da Universidade Hebraica, redescobriu o material.

Depois disso, o texto recebeu o nome de Papiro de Cotton e passou a ser estudado com mais atenção.

O que o documento registra

Com mais de 133 linhas, o papiro é o mais longo texto em grego já achado no Deserto da Judeia.

O estudo foi conduzido por Hannah Cotton Paltiel e colegas da Universidade de Viena, da Academia Austríaca de Ciências e da Universidade Hebraica.

Segundo os pesquisadores, o documento preserva anotações dos promotores de um julgamento presidido por oficiais romanos.

O caso tratava da falsificação de documentos ligados à venda e à alforria de pessoas escravizadas para escapar do fisco imperial, controlado pelo imperador.

A audiência e os acusados

Além das notas preparatórias, o papiro traz um esboço rápido de transcrição da audiência judicial.

A linguagem registrada é direta e mostra um promotor orientando outro sobre a força das evidências e sobre estratégias para responder a objeções.

Para os cientistas, essa parte é a mais extraordinária do papiro, por revelar a etapa preparatória de um julgamento no Império Romano.

Fora o julgamento de Jesus, trata-se do caso de corte melhor documentado da Judeia, de acordo com os estudiosos.

Os principais réus eram Gadalias e Saulos, acusados de corrupção, falsificação, evasão fiscal e participação em vendas e alforrias fraudulentas.

O contexto romano

Gadalias era filho de um notário e provavelmente cidadão romano, com histórico de violência, extorsão, falsificação e incitação à rebelião.

Saulos teria atuado como colaborador, organizando vendas falsas sem o pagamento das taxas romanas exigidas.

O julgamento ocorreu entre a Revolta da Diáspora Judaica, de 115 a 117 d.C., e a Revolta de Barcoqueba.

O papiro também menciona a visita do imperador Adriano entre 129 e 130 d.C., além de citar Tineius Rufus, governador da Judeia no início da segunda revolta.

Importância histórica

O texto sugere ligação dos acusados com atividades rebeldes durante a visita de Adriano, embora não seja possível saber se houve envolvimento real.

Ainda assim, o papiroo é considerado importante por mostrar que instituições romanas amplamente documentadas no Egito também regulavam transações privadas em regiões remotas de todo o império.

Com iformações de Canal Tech.

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Romário Pereira de Carvalho

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