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ONU faz novo alerta hoje: chance de El Niño aumenta ainda mais e o mundo, inclusive o Brasil, precisa se preparar para eventos climaticos severos

Publicado em 02/06/2026 às 20:05
Atualizado em 02/06/2026 às 20:08
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Imagem: Ilustração artística feita por IA
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Organização Meteorológica Mundial aponta 80% de chance de El Niño entre junho e agosto de 2026 e alerta para impactos no Brasil, incluindo seca, incêndios, risco à geração hidrelétrica, enchentes e deslizamentos

O El Niño deve influenciar o clima nos próximos meses e elevar o risco de eventos extremos no Brasil, segundo alerta global da Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU. A entidade aponta 80% de probabilidade do fenômeno entre junho e agosto de 2026 e chances próximas ou superiores a 90% de continuidade até pelo menos novembro.

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El Niño acende alerta para seca, energia e incêndios no Brasil

O Brasil aparece entre os países que podem ser mais afetados pelo avanço do El Niño. A OMM aponta risco de seca mais aguda na Amazônia e no Nordeste, além de chuvas torrenciais no Sudeste, com impactos diretos sobre energia, incêndios e segurança da população.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que é preciso atenção à geração de energia por hidrelétricas. Segundo ela, as secas no Nordeste tendem a ser severas e a água costuma ser um problema na região.

A falta de chuvas pode aumentar o risco de apagões no Nordeste, conforme o alerta da entidade. Na Amazônia, o cenário preocupa porque a Bacia Amazônica esteve sob estresse por muitos meses e ainda estava em recuperação.

O risco de incêndios também aparece como uma das consequências práticas associadas ao período mais seco.

Para a OMM, a combinação entre clima extremo, calor e falta de chuva exige preparação dos governos e dos setores mais sensíveis ao clima.

Sudeste pode enfrentar chuvas intensas, enchentes e deslizamentos

Enquanto Norte e Nordeste entram no alerta pela seca, o Sudeste é citado pela OMM por outro tipo de risco. A região pode enfrentar enchentes, chuvas intensas e deslizamentos, incluindo cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

Celeste Saulo afirmou que esse seria outro efeito esperado no país, dentro de um conjunto de “consequências em cascata” provocadas pelo El Niño ao redor do mundo.

A chefe da agência também lembrou que, mesmo sem o El Niño, o Brasil registrou chuvas “impressionantes” em 2025. Segundo ela, os eventos foram devastadores em muitas partes do Sul do país.

A avaliação da OMM é que a América Latina está mais preparada do que em anos anteriores. No caso brasileiro, Saulo destacou a existência de forte capacidade institucional para resposta, mas reforçou que o impacto climático segue real.

“Os eventos extremos estão cada vez mais extremos e é muito difícil se preparar para algo que está fora das estatísticas”, afirmou a secretária-geral da OMM.

Probabilidade chega a 90% e modelos indicam evento ao menos moderado

O alerta global foi emitido nesta terça-feira pela Organização Meteorológica Mundial, com base em dezenas de dados fornecidos por agências climáticas de vários países. O monitoramento da entidade é considerado referência internacional para acompanhar fenômenos climáticos.

De acordo com o informe, existe 80% de probabilidade de um evento El Niño entre junho e agosto de 2026. As chances de continuidade até pelo menos novembro são próximas ou superiores a 90%.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a ciência é clara e que o El Niño está chegando “à nossa porta” nos próximos meses com 90% de certeza. Para ele, o mundo precisa tratar o fenômeno como um alerta climático urgente.

A OMM informou que ainda há incerteza sobre a intensidade e o momento do pico. Mesmo assim, a maioria dos modelos de previsão sugere um El Niño pelo menos moderado, com possibilidade de ser forte.

A entidade ressalta que a intensidade é relevante, mas mesmo um El Niño moderado torna alguns eventos climáticos extremos mais prováveis.

Sinais vêm do Pacífico e indicam aquecimento fora do normal

Entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial, área usada como referência para monitoramento, estava se aproximando dos limiares do El Niño.

A OMM informou que as anomalias crescentes na superfície são alimentadas por condições subsuperficiais excepcionalmente quentes no Pacífico tropical. As temperaturas estavam mais de 6 °C acima da média, formando um reservatório de calor que contribui para o aquecimento superficial.

O Índice de Oscilação Sul, componente atmosférico do El Niño, também aparece consistente com o desenvolvimento do fenômeno.

Segundo a OMM, o El Niño mais recente, de 2023-24, foi um dos cinco mais fortes já registrados e teve papel importante nas temperaturas globais recordes observadas em 2024.

A agência não usa o termo “super El Niño”, por não fazer parte das classificações operacionais padronizadas. Ainda assim, alerta que oceanos e atmosfera mais quentes ampliam a disponibilidade de energia e umidade para ondas de calor e chuvas intensas.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Organização Meteorológica Mundial e da Organização das Nações Unidas, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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