Anúncio da startup prevê jornada entre 80 e 100 horas semanais, salário anual de 70.000 francos suíços, poucos dias de descanso e atraiu 1.200 candidaturas em apenas três dias, apesar das críticas públicas
Uma vaga divulgada pela startup suíça Forgis prevê jornada de 80 a 100 horas semanais, salário anual de 70.000 francos suíços e poucos domingos livres, provocando repercussão online na Suíça ao questionar limites legais, remuneração e modelo de trabalho em startups.
A oferta de vaga de emprego publicada pela empresa de inteligência industrial Forgis gerou forte reação nas redes sociais ao estabelecer uma carga semanal entre 80 e 100 horas, conforme noticiado pelo jornal suíço Blick, após divulgação no perfil oficial da companhia no LinkedIn.
O anúncio detalha que candidatos ao cargo de associado de crescimento de produto devem aceitar jornadas prolongadas, com concessão eventual de “alguns domingos de folga”, condição que chamou atenção pelo volume de horas concentradas ao longo da semana.
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Segundo cálculos do jornal francês Le Parisien, a exigência representa dias superiores a 14 horas de trabalho contínuo, sem descanso semanal regular, cenário descrito como extremo dentro do mercado de trabalho europeu contemporâneo.
Jornada elevada e remuneração abaixo da mediana salarial
Apesar da carga horária elevada, o salário anual informado é de 70.000 francos suíços, equivalente a aproximadamente 75.000 euros, valor que fica abaixo da mediana salarial local estimada entre 78.000 e 80.000 francos, segundo dados citados pelo Blick.
O anúncio esclarece que a remuneração inclui 1% em opções de ações da empresa, sem detalhar critérios de liquidez ou prazos, informação que também contribuiu para a controvérsia em torno da proposta.
Outro ponto destacado é a declaração explícita de que a empresa não acredita em equilíbrio entre vida profissional e pessoal, afirmação presente no texto original da vaga e amplamente reproduzida por usuários nas redes.
Perfil acadêmico restrito e cultura interna competitiva
Quanto ao perfil desejado, a Forgis exige formação em nível de mestrado, com preferência por diplomas obtidos em instituições de renome como ETH Zurich, Munique, Oxford ou Cambridge, conforme especificado no anúncio.
A descrição do ambiente interno também chama atenção pela franqueza, ao afirmar que a empresa não se considera uma família, mas colegas engajados em uma missão comum, dentro de uma lógica de coopetição declarada.
Segundo o texto, a cultura interna combina apoio mútuo com competição constante, estratégia apresentada como saudável para impulsionar desempenho, ainda que descrita de forma direta e sem concessões retóricas.
Justificativa do CEO e alta procura pela vaga
Em entrevista ao jornal Blick, o CEO da Forgis, Federico Martelli, afirmou que a proposta reflete o estilo de trabalho de startups inspiradas no Vale do Silício, reforçando que ninguém é obrigado a se candidatar.
Martelli também destacou que busca membros fundadores, não funcionários tradicionais, argumento usado para explicar a carga horária semanal elevada e o nível de comprometimento esperado dos candidatos.
Sobre a legalidade e escolha pessoal, o executivo declarou acreditar ser legítimo usar seu tempo como entender, acrescentando que muitas pessoas compartilham dessa visão, o que, segundo ele, explica a adesão inicial.
Em publicação no LinkedIn, o CEO informou que cerca de 1.200 pessoas se candidataram à vaga em apenas três dias, número citado como evidência de interesse, apesar das críticas públicas ao modêlo proposto.
O anúncio segue online, mas a empresa informou que já iniciou a análise das candidaturas e não aceita mais novos envios, encerrando temporariamente o processo seletivo que provocou amplo debate.

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