1. Início
  2. Geração de Energia
  3. Oceanos entram na mira de uma tecnologia que gera eletricidade 24 horas por dia com apenas 20 °C de diferença, e 144 anos após nascer no papel ela avança com uma plataforma flutuante de 1,5 MW
Faça um comentário 6 min de leitura

Oceanos entram na mira de uma tecnologia que gera eletricidade 24 horas por dia com apenas 20 °C de diferença, e 144 anos após nascer no papel ela avança com uma plataforma flutuante de 1,5 MW

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 15/04/2026 às 20:45
Assista o vídeoOceanos entram na mira de uma tecnologia que gera eletricidade 24 horas por dia com apenas 20 °C de diferença, e 144 anos após nascer no papel ela avança com uma plataforma flutuante de 1,5 MW
Foto: Tecnologia OTEC
  • Reação
  • Reação
  • Reação
6 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Usina OTEC usa diferença de 20 °C no oceano para gerar energia contínua e pode abastecer até 17% de São Tomé e Príncipe.

Em 2025, a britânica Global OTEC manteve no radar um dos projetos mais ambiciosos da engenharia energética recente: a plataforma flutuante Dominique, planejada para São Tomé e Príncipe e baseada em conversão de energia térmica oceânica (OTEC). A proposta usa a diferença de temperatura entre a água quente da superfície e a água fria das profundezas para gerar eletricidade contínua, e a empresa apresenta o sistema como uma alternativa de base para ilhas tropicais dependentes de diesel.

A ideia foi proposta ainda no século XIX pelo físico francês Jacques-Arsène d’Arsonval, mas permaneceu por décadas limitada por entraves técnicos e econômicos. Agora, com um projeto de 1,5 MW e planos de expansão futura, a Global OTEC afirma que o Dominique foi concebido para mostrar, em escala comercial, como o oceano pode fornecer energia 24 horas por dia, ao longo de todo o ano.

Tecnologia OTEC usa diferença de temperatura oceânica para gerar eletricidade contínua

O funcionamento do sistema OTEC se baseia em um ciclo termodinâmico semelhante ao de uma usina térmica convencional, mas com uma diferença fundamental: em vez de queimar combustível, ele utiliza o calor natural do oceano.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A água superficial em regiões tropicais pode atingir temperaturas entre 25 °C e 30 °C, enquanto a água a cerca de 800 a 1.000 metros de profundidade permanece próxima de 4 °C a 5 °C. Essa diferença de aproximadamente 20 °C a 25 °C é suficiente para operar um ciclo de geração de energia.

O processo ocorre em três etapas principais:

  • A água quente da superfície aquece um fluido de baixo ponto de ebulição, como amônia, fazendo-o evaporar
  • O vapor gerado movimenta uma turbina conectada a um gerador elétrico
  • A água fria das profundezas condensa o vapor, reiniciando o ciclo

Esse sistema permite geração contínua, independentemente de condições climáticas como sol ou vento, o que torna o OTEC uma das poucas fontes renováveis capazes de operar de forma estável 24 horas por dia.

Eficiência baixa sempre foi o principal desafio da tecnologia

Apesar do conceito elegante, o OTEC enfrenta um problema físico fundamental: a baixa eficiência termodinâmica. Devido à pequena diferença de temperatura entre as fontes quente e fria, a eficiência típica do sistema fica entre 2% e 4%, muito inferior à de usinas térmicas convencionais.

Isso significa que grandes volumes de água precisam ser movimentados para gerar quantidades relativamente modestas de eletricidade.

Durante décadas, esse fator tornou a tecnologia economicamente inviável, já que os custos de construção e operação superavam os benefícios energéticos.

Custo de trocadores de calor foi o maior obstáculo histórico

Um dos principais gargalos do OTEC sempre foi o custo dos trocadores de calor, componentes essenciais para transferir energia térmica entre os fluidos.

Historicamente, esses sistemas utilizavam titânio, material resistente à corrosão marinha, mas extremamente caro.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Estudos indicavam que esses trocadores podiam representar até 90% ou mais do custo total de uma usina OTEC, tornando projetos comerciais impraticáveis. O avanço recente está justamente na redução desse custo, com o desenvolvimento de trocadores mais eficientes e baratos, utilizando designs de folha fina e novas técnicas de fabricação.

Projeto em São Tomé e Príncipe pode marcar virada da tecnologia

A usina planejada pela Global OTEC será instalada em uma plataforma flutuante chamada Dominique, com capacidade de aproximadamente 1,5 megawatt (MW).

Embora pareça modesto em comparação com grandes usinas, esse volume é significativo para São Tomé e Príncipe, onde pode representar até 17% da demanda elétrica nacional.

Esse fator torna o projeto especialmente relevante como demonstração de viabilidade em países insulares, que frequentemente dependem de combustíveis fósseis importados para geração de energia.

Sistema também produz água fria útil para outras aplicações

Além da geração elétrica, o OTEC oferece um subproduto valioso: água fria profunda.

Essa água pode ser utilizada para:

  • resfriamento de sistemas de ar-condicionado
  • aquacultura de espécies que exigem temperaturas mais baixas
  • refrigeração industrial

Isso amplia o valor econômico do sistema, transformando a usina em uma infraestrutura multifuncional, não apenas uma fonte de eletricidade.

Experimentos anteriores mostraram potencial, mas também limitações

A tecnologia OTEC não é nova. Um dos primeiros experimentos ocorreu em Cuba em 1930, e projetos posteriores foram testados em diferentes países.

Na década de 1980, uma planta experimental no Pacífico conseguiu gerar cerca de 120 kW, mas consumia aproximadamente 90 kW apenas para operar, o que evidenciava a dificuldade de alcançar eficiência líquida positiva significativa.

Oceanos entram na mira de uma tecnologia que gera eletricidade 24 horas por dia com apenas 20 °C de diferença, e 144 anos após nascer no papel ela avança com uma plataforma flutuante de 1,5 MW
Foto: Tecnologia OTEC

Esses resultados reforçaram a percepção de que o OTEC era tecnicamente possível, mas economicamente inviável. Nos últimos anos, avanços em engenharia e materiais começaram a alterar essa equação.

O desenvolvimento de trocadores de calor mais eficientes, sistemas de bombeamento mais econômicos e designs otimizados de plataformas flutuantes reduziu significativamente os custos operacionais.

Essas melhorias permitiram que o OTEC voltasse a ser considerado como solução viável, especialmente em regiões com acesso direto a águas profundas.

Tecnologia pode beneficiar especialmente países tropicais e insulares

O OTEC é particularmente adequado para regiões tropicais, onde a diferença de temperatura entre superfície e profundidade é mais pronunciada e constante ao longo do ano.

Países insulares, que enfrentam altos custos de energia e dependência de importações, podem se beneficiar significativamente da tecnologia.

Além disso, a possibilidade de geração contínua reduz a necessidade de armazenamento de energia, um dos principais desafios das fontes renováveis intermitentes.

Desafios ainda incluem escala, custo e impacto ambiental

Apesar dos avanços, o OTEC ainda enfrenta desafios importantes. A construção de infraestrutura offshore, a necessidade de tubulações profundas e o impacto potencial na vida marinha são fatores que precisam ser cuidadosamente avaliados.

Além disso, a escalabilidade da tecnologia ainda precisa ser comprovada em projetos maiores, capazes de competir com outras fontes de energia.

O conceito de OTEC representa uma mudança significativa na forma como a energia pode ser gerada. Em vez de depender de combustíveis ou condições climáticas, o sistema utiliza uma característica permanente do planeta: a diferença de temperatura nos oceanos.

Isso transforma o oceano em uma espécie de máquina térmica natural, operando continuamente sem necessidade de reposição de combustível.

Você acredita que o oceano pode se tornar uma das principais fontes de energia do futuro

A retomada do OTEC após mais de um século levanta uma questão central para o futuro energético global.

Se a tecnologia conseguir superar seus desafios e se tornar economicamente viável em larga escala, ela pode oferecer uma fonte de energia renovável contínua e previsível.

Diante disso, o oceano pode deixar de ser apenas um recurso ambiental e passar a ser uma das principais bases da geração energética global?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x