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O touro gigante de 21 metros construído com mais de 1.200 m³ de madeira, 437 peças pré-fabricadas e quase 19 mil parafusos que virou símbolo, polêmica e troféu cultural

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 18/02/2026 às 09:45 Atualizado em 18/02/2026 às 09:49
Assista o vídeoTouro gigante, Muni max, Monumento
Imagem: Ilustração artístico feita por IA
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Escultura monumental de 21 metros, criada para o Festival Federal de Luta Suíça e Jogos Alpinos de 2025, deixa Glarus rumo a Uri, provocando reações políticas, críticas locais e debates simbólicos

“Muni Max”, o gigantesco touro de madeira criado como símbolo do Festival Federal de Luta Suíça e Jogos Alpinos de 2025, deixou de ser apenas uma atração monumental para se transformar em protagonista de uma disputa entre cantões.

Com 21 metros de altura, dimensões impressionantes e uma presença impossível de ignorar, a escultura passou do encantamento público à polêmica política após sua transferência de Glarus para Uri.

Um símbolo à altura do festival

Realizado apenas uma vez a cada três anos, o Festival Federal de Luta Suíça e Jogos Alpinos exigia um emblema marcante.

A edição de 2025, ocorrida no fim de agosto em Mollis, no cantão de Glarus, encontrou em Muni Max uma representação grandiosa.

O touro alcançou 21 metros de altura, 36 metros de comprimento, cerca de 10 metros de largura e 182 toneladas.

Ainda durante a construção, a estrutura já despertava curiosidade e atraía visitantes. Não era apenas pelo tamanho, mas pelo significado cultural.

O projeto reuniu cerca de 220 empresas e 500 aprendizes de carpintaria do leste da Suíça. Foram utilizados mais de 1.200 metros cúbicos de madeira suíça, organizados em 437 partes pré-fabricadas e unidos por quase 19 mil parafusos.

Segundo os idealizadores, a obra buscava expressar a união entre tradição artesanal e tecnologia moderna em madeira.

A escultura também simbolizava o valor do Schwingen, modalidade de luta suíça considerada praticamente um esporte nacional.

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A ligação entre o touro e a luta

A associação entre o animal e o festival tem uma explicação direta. O vencedor da competição, conhecido como “rei”, recebe um touro como prêmio.

Em 2025, o campeão Armon Orlik, do cantão dos Grisões, levou para casa um exemplar chamado Zibu.

Diferentemente de outras estruturas festivas, Muni Max não foi concebido como algo efêmero. Assim que o festival terminou, surgiu a pergunta inevitável: qual seria o destino do gigante de madeira?

Diversos cantões demonstraram interesse, entre eles Glarus, Uri, St. Gallen, Appenzell Exterior, Schwyz e Grisões. A disputa rapidamente deixou o campo simbólico e entrou na esfera estratégica.

Uri entra em cena

O cantão de Uri apresentou um argumento difícil de ignorar. Seu brasão é adornado por uma cabeça de touro.

A identificação visual favoreceu a criação da associação “Max, o touro de Uri”, que liderou a campanha de aquisição.

A proposta ganhou apoio financeiro significativo. Os custos totais foram estimados em cerca de 1,85 milhão de francos suíços, sendo 1,2 milhão destinados à compra da obra.

Empresas locais contribuíram, incluindo o empresário Samih Sawiris. Franz-Xaver Simmen afirmou ao jornal 20 Minuten que a participação do empresário foi importante, mas não majoritária.

O jornal Blick resumiu o simbolismo da escolha ao destacar que o maior Muni da Suíça iria para o cantão cujo brasão exibe um poderoso touro.

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Novo nome, nova função

Apesar do entusiasmo, houve uma adaptação cultural. Em Uri, ninguém chama um touro de muni. A escultura foi renomeada como “Max, o touro de Uri”.

A obra será acessível internamente. Um elevador permitirá que visitantes subam seus quatro andares.

Além disso, Max receberá um anel no nariz, feito de madeira da região e pintado de vermelho, em referência direta ao brasão cantonal.

O destino definitivo será a região de Nätschen, acima do vilarejo de Andermatt. A expectativa é que a escultura se torne um polo turístico e cultural.

Reações em Glarus

A decisão provocou forte insatisfação em Glarus. Políticos e lideranças locais lamentaram a perda. Andreas Luchsinger declarou à agência Keystone-SDA que o cantão teria mantido Max por muito tempo.

Simone Eisenbart afirmou ao portal Watson que, se Muni Max pudesse falar, gostaria de permanecer em Glarus. Para muitos moradores, a estrutura rapidamente havia se tornado um emblema regional.

Um projeto para instalação permanente em Braunwald fracassou após oposição de organizações ambientais. Críticas também recaíram sobre a falta de uma visão unificada para o futuro da obra.

Jakob Kamm declarou à Keystone-SDA que, independentemente do destino, Max sempre seria associado ao festival.

Chegada cercada de debate

O transporte para Uri mobilizou 32 caminhões escoltados pela polícia. A operação reforçou a magnitude logística envolvida.

Mesmo assim, nem todos celebraram. Moradores de Andermatt questionaram a concessão acelerada da licença de construção.

O jornal Sonntagsblick relatou o surgimento de uma disputa local, lembrando que o brasão de Andermatt traz um urso preto.

Enquanto Max encontra um novo lar e uma nova identidade, a controvérsia revela que, na Suíça, até mesmo uma escultura de madeira pode carregar tensões entre tradição, economia, meio ambiente e orgulho regional.

Com informações de Swissinfo.

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Romário Pereira de Carvalho

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