Escultura monumental de 21 metros, criada para o Festival Federal de Luta Suíça e Jogos Alpinos de 2025, deixa Glarus rumo a Uri, provocando reações políticas, críticas locais e debates simbólicos
“Muni Max”, o gigantesco touro de madeira criado como símbolo do Festival Federal de Luta Suíça e Jogos Alpinos de 2025, deixou de ser apenas uma atração monumental para se transformar em protagonista de uma disputa entre cantões.
Com 21 metros de altura, dimensões impressionantes e uma presença impossível de ignorar, a escultura passou do encantamento público à polêmica política após sua transferência de Glarus para Uri.
Um símbolo à altura do festival
Realizado apenas uma vez a cada três anos, o Festival Federal de Luta Suíça e Jogos Alpinos exigia um emblema marcante.
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A edição de 2025, ocorrida no fim de agosto em Mollis, no cantão de Glarus, encontrou em Muni Max uma representação grandiosa.
O touro alcançou 21 metros de altura, 36 metros de comprimento, cerca de 10 metros de largura e 182 toneladas.
Ainda durante a construção, a estrutura já despertava curiosidade e atraía visitantes. Não era apenas pelo tamanho, mas pelo significado cultural.
O projeto reuniu cerca de 220 empresas e 500 aprendizes de carpintaria do leste da Suíça. Foram utilizados mais de 1.200 metros cúbicos de madeira suíça, organizados em 437 partes pré-fabricadas e unidos por quase 19 mil parafusos.
Segundo os idealizadores, a obra buscava expressar a união entre tradição artesanal e tecnologia moderna em madeira.
A escultura também simbolizava o valor do Schwingen, modalidade de luta suíça considerada praticamente um esporte nacional.
A ligação entre o touro e a luta
A associação entre o animal e o festival tem uma explicação direta. O vencedor da competição, conhecido como “rei”, recebe um touro como prêmio.
Em 2025, o campeão Armon Orlik, do cantão dos Grisões, levou para casa um exemplar chamado Zibu.
Diferentemente de outras estruturas festivas, Muni Max não foi concebido como algo efêmero. Assim que o festival terminou, surgiu a pergunta inevitável: qual seria o destino do gigante de madeira?
Diversos cantões demonstraram interesse, entre eles Glarus, Uri, St. Gallen, Appenzell Exterior, Schwyz e Grisões. A disputa rapidamente deixou o campo simbólico e entrou na esfera estratégica.
Uri entra em cena
O cantão de Uri apresentou um argumento difícil de ignorar. Seu brasão é adornado por uma cabeça de touro.
A identificação visual favoreceu a criação da associação “Max, o touro de Uri”, que liderou a campanha de aquisição.
A proposta ganhou apoio financeiro significativo. Os custos totais foram estimados em cerca de 1,85 milhão de francos suíços, sendo 1,2 milhão destinados à compra da obra.
Empresas locais contribuíram, incluindo o empresário Samih Sawiris. Franz-Xaver Simmen afirmou ao jornal 20 Minuten que a participação do empresário foi importante, mas não majoritária.
O jornal Blick resumiu o simbolismo da escolha ao destacar que o maior Muni da Suíça iria para o cantão cujo brasão exibe um poderoso touro.
Novo nome, nova função
Apesar do entusiasmo, houve uma adaptação cultural. Em Uri, ninguém chama um touro de muni. A escultura foi renomeada como “Max, o touro de Uri”.
A obra será acessível internamente. Um elevador permitirá que visitantes subam seus quatro andares.
Além disso, Max receberá um anel no nariz, feito de madeira da região e pintado de vermelho, em referência direta ao brasão cantonal.
O destino definitivo será a região de Nätschen, acima do vilarejo de Andermatt. A expectativa é que a escultura se torne um polo turístico e cultural.
Reações em Glarus
A decisão provocou forte insatisfação em Glarus. Políticos e lideranças locais lamentaram a perda. Andreas Luchsinger declarou à agência Keystone-SDA que o cantão teria mantido Max por muito tempo.
Simone Eisenbart afirmou ao portal Watson que, se Muni Max pudesse falar, gostaria de permanecer em Glarus. Para muitos moradores, a estrutura rapidamente havia se tornado um emblema regional.
Um projeto para instalação permanente em Braunwald fracassou após oposição de organizações ambientais. Críticas também recaíram sobre a falta de uma visão unificada para o futuro da obra.
Jakob Kamm declarou à Keystone-SDA que, independentemente do destino, Max sempre seria associado ao festival.
Chegada cercada de debate
O transporte para Uri mobilizou 32 caminhões escoltados pela polícia. A operação reforçou a magnitude logística envolvida.
Mesmo assim, nem todos celebraram. Moradores de Andermatt questionaram a concessão acelerada da licença de construção.
O jornal Sonntagsblick relatou o surgimento de uma disputa local, lembrando que o brasão de Andermatt traz um urso preto.
Enquanto Max encontra um novo lar e uma nova identidade, a controvérsia revela que, na Suíça, até mesmo uma escultura de madeira pode carregar tensões entre tradição, economia, meio ambiente e orgulho regional.
Com informações de Swissinfo.

