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O que está acontecendo com o Bradesco? Banco vai fechar a única agência de cidade baiana e mais de 2 mil clientes de Macururé terão de buscar atendimento em agência de Chorrochó

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 15/06/2026 às 20:54
Atualizado em 15/06/2026 às 20:57
Bradesco anuncia fechamento da única agência em Macururé e clientes serão atendidos em Chorrochó a partir de 19 de junhoBradesco anuncia fechamento da única agência em Macururé e clientes serão atendidos em Chorrochó a partir de 19 de junho
Bradesco anuncia fechamento da única agência em Macururé e clientes serão atendidos em Chorrochó a partir de 19 de junho
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Moradores de Macururé, no norte da Bahia, podem ficar sem atendimento bancário presencial a partir de 19 de junho, enquanto clientes serão direcionados para Chorrochó

O Bradesco anunciou o fechamento da única agência bancária de Macururé, município do Vale do São Francisco, no norte da Bahia, e a decisão acendeu um alerta entre moradores, comerciantes, aposentados e autoridades locais. A unidade tem encerramento previsto para sexta-feira, 19 de junho de 2026.

De acordo com o Correio, mais de 2 mil clientes deverão ser transferidos para a agência mais próxima, localizada em Chorrochó. O problema é que a mudança obriga parte da população a percorrer cerca de 34 quilômetros para conseguir atendimento presencial.

A decisão ocorre em meio a um processo mais amplo de redução da rede física do Bradesco, que vem sendo acompanhado por sindicatos e moradores de pequenas cidades baianas. No caso de Macururé, a preocupação principal envolve idosos, aposentados, servidores públicos, comerciantes e pessoas da zona rural que ainda dependem do atendimento no caixa, do gerente e de serviços presenciais.

O fechamento também coloca em discussão um ponto sensível: até onde a digitalização bancária resolve a vida do cliente e quando ela passa a excluir quem não tem acesso, familiaridade ou segurança para usar aplicativos?

Fechamento da agência do Bradesco em Macururé preocupa moradores e comércio local

Macururé tem pouco mais de 7 mil habitantes e, segundo o IBGE, registrou 7.256 moradores no Censo de 2022. Em cidades desse porte, a agência bancária costuma ter papel maior do que apenas movimentar contas: ela ajuda a manter dinheiro circulando no comércio local e reduz deslocamentos para pagamentos, saques, benefícios, transferências e atendimento de problemas bancários.

Com o encerramento da unidade, clientes passarão a ser atendidos em Chorrochó, outro município da região. A distância pode parecer pequena para quem vive em grandes centros, mas pesa para moradores que dependem de transporte público, carona, deslocamento rural ou precisam resolver questões bancárias com frequência.

A situação é ainda mais delicada porque, segundo Ronaldo Ornelas, diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, a maior parte dos clientes atendidos em Macururé é formada por aposentados e idosos. Esse grupo tende a enfrentar mais dificuldade com aplicativos, senhas digitais, autenticação por celular, biometria e atendimento remoto.

Para comerciantes, o impacto também pode aparecer no dia a dia. Quando o morador precisa viajar para sacar dinheiro, renegociar uma dívida, resolver um bloqueio ou pagar uma obrigação, parte desse consumo pode acabar migrando para a cidade onde o banco continuará funcionando.

Audiência pública reuniu moradores e município pode tentar barrar encerramento

A Câmara Municipal de Macururé recebeu uma audiência pública em 9 de junho para discutir o fechamento da unidade. O encontro reuniu moradores, representantes do Sindicato dos Bancários da Bahia, lideranças comunitárias e autoridades locais.

Durante a reunião, participantes apontaram que a saída do Bradesco pode atingir diretamente aposentados, servidores, pequenos empreendedores e moradores da zona rural. A principal reclamação é que a decisão transfere para a população um custo que antes não existia: o custo do deslocamento.

A expectativa informada na apuração local é que o município ingresse com uma ação judicial para tentar impedir o fechamento. Esse caminho já foi usado por outras cidades baianas em situações parecidas, especialmente quando a agência ou posto de atendimento era o único serviço bancário presencial disponível.

O Bradesco foi procurado pela reportagem original por e-mail, mas não havia enviado resposta até a publicação. Sem uma manifestação pública específica sobre Macururé, moradores ainda buscam saber se haverá alternativa local, como posto avançado, correspondente reforçado, caixa eletrônico, atendimento itinerante ou estrutura semelhante.

Chorrochó será destino dos clientes, mas a cidade também já enfrentou disputa judicial por banco

Um ponto que chama atenção é que Chorrochó, município indicado como destino dos clientes de Macururé, também já esteve no centro de uma disputa sobre atendimento bancário. Em setembro de 2025, uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia determinou que o Bradesco não encerrasse as atividades de um posto de atendimento no município.

Na época, a Justiça entendeu que a saída deixaria moradores sem atendimento bancário local e fixou multa em caso de descumprimento. A decisão determinou a manutenção do funcionamento até que fosse instalada uma unidade bancária avançada ou estrutura semelhante.

Esse histórico torna o caso de Macururé mais sensível. Afinal, a cidade que deve receber os clientes transferidos também já foi tratada como área vulnerável do ponto de vista de acesso bancário presencial.

Chorrochó tem 10.579 habitantes, conforme dados do IBGE para o Censo de 2022. A soma dos públicos de Macururé e Chorrochó mostra que a decisão não envolve apenas uma agência isolada, mas uma região onde pequenas cidades dependem de poucos pontos físicos para manter serviços financeiros básicos.

Fechamento de agências na Bahia faz parte de uma reestruturação maior do banco

O caso de Macururé não está isolado. Entre outubro de 2023 e abril de 2026, foram fechadas 55 agências do Bradesco na Bahia, enquanto apenas seis novas unidades foram abertas, segundo levantamento do Sindicato dos Bancários da Bahia citado na apuração local.

O dado mais relevante é que 40 municípios baianos teriam perdido a única agência do Bradesco no período. Juntas, essas cidades somam mais de 811 mil habitantes diretamente afetados, especialmente em áreas onde o banco era uma das poucas opções de atendimento presencial.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos também aponta um cenário de baixa cobertura bancária no estado. Dos 417 municípios da Bahia, apenas 203 contam atualmente com pelo menos uma agência bancária, enquanto 214 permanecem sem esse tipo de atendimento.

Esse movimento acompanha uma transformação nacional no setor financeiro. Bancos tradicionais vêm reduzindo agências, caixas e postos físicos ao mesmo tempo em que reforçam aplicativos, internet banking, correspondentes bancários e modelos digitais de relacionamento com clientes.

Bradesco aposta no digital, mas exclusão ainda pesa em cidades pequenas

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o banco planeja fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento em 2026 para reduzir custos. O executivo também disse que o avanço digital se tornou essencial diante da queda de receitas tradicionais e da competição com fintechs.

A página oficial do Bradesco informa que a rede de atendimento inclui agências, caixas eletrônicos, Banco24Horas, Bradesco Expresso e unidades de negócios. Essas alternativas ajudam a explicar a estratégia do banco, mas não eliminam a preocupação de moradores que precisam de atendimento presencial mais completo.

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Geovane Souza

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