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Mais de 10 milhões de nordestinos ainda têm internet lenta, mas o Governo liberou R$ 73,8 milhões do Fust para levar 1,2 mil km de fibra de alta velocidade ligando Recife a Fortaleza que pode mudar esse cenário

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 13/06/2026 às 19:21
Atualizado em 13/06/2026 às 19:23
Fust libera R$ 73,8 milhões para ampliar internet de alta velocidade em 214 municípios do interior do Nordeste com rede de fibra óptica
Fust libera R$ 73,8 milhões para ampliar internet de alta velocidade em 214 municípios do interior do Nordeste com rede de fibra óptica
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Projeto aprovado pelo Ministério das Comunicações e pelo BNDES prevê 1,2 mil quilômetros de rede subterrânea de alta capacidade entre Pernambuco, Paraíba e Ceará

Mais de 11,2 milhões de pessoas que vivem em 214 municípios do Nordeste devem ser beneficiadas por um novo investimento em internet de alta velocidade. O projeto, aprovado pelo Ministério das Comunicações e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, prevê R$ 73,8 milhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, o Fust.

A iniciativa será executada pela Aloo Telecom e envolve a construção de 1,2 mil quilômetros de rede subterrânea de fibra óptica. A estrutura vai interligar 12 municípios de Pernambuco, Paraíba e Ceará, criando uma nova rota de transmissão de dados entre Recife e Fortaleza.

Segundo o Ministério das Comunicações, a proposta busca melhorar a estabilidade, a velocidade e a segurança da conexão em áreas que ainda enfrentam limitações de infraestrutura digital. Na prática, o investimento mira uma parte do país onde a internet deixou de ser apenas lazer e passou a ser essencial para educação, trabalho, saúde, comércio e serviços públicos.

O anúncio também reforça uma mudança no uso do Fust, que por muitos anos foi associado mais à arrecadação do que à execução direta de projetos de conectividade. Agora, o fundo aparece como uma ferramenta para ampliar a banda larga em regiões menos atendidas e apoiar provedores que expandem redes fora dos grandes centros.

Nova rota de fibra óptica deve ligar Recife a Fortaleza

O ponto central do projeto é a criação de uma rota de transporte de dados de alta capacidade entre Recife e Fortaleza. Essa infraestrutura funciona como uma espécie de “espinha dorsal” da internet, permitindo que provedores, empresas, órgãos públicos e usuários finais tenham acesso a conexões mais estáveis e com maior volume de tráfego.

De acordo com o BNDES, os recursos serão usados na construção de rede subterrânea de fibra óptica em 12 municípios do interior de Pernambuco, Paraíba e Ceará. Embora a obra esteja concentrada nesses pontos, o alcance esperado é maior, com impacto estimado sobre 214 municípios nordestinos.

A escolha por rede subterrânea também é relevante porque tende a oferecer mais proteção física à infraestrutura. Em regiões onde postes, cabos aéreos e longas distâncias podem aumentar falhas, uma rede de transporte enterrada pode reduzir riscos operacionais e melhorar a disponibilidade do serviço.

Por que o investimento em banda larga no interior importa

A ampliação da internet de alta velocidade no interior do Nordeste não se limita à possibilidade de assistir vídeos ou usar redes sociais com mais qualidade. Em municípios menores, a conexão influencia diretamente o acesso a aulas online, telemedicina, sistemas bancários, emissão de documentos, comércio eletrônico e atendimento digital do governo.

Dados da pesquisa TIC Domicílios 2025, do CGI.br e do Cetic.br, mostram que 86% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet em 2025. O número indica avanço, mas não encerra o problema, porque a desigualdade aparece na qualidade da conexão, no tipo de acesso e na dependência do celular.

O mesmo levantamento apontou 157 milhões de usuários de internet no país em 2025. Porém, a diferença entre áreas urbanas e rurais continuava visível: a proporção de usuários era de 86% nas áreas urbanas e de 77% nas áreas rurais, sinal de que o desafio não é apenas conectar, mas conectar melhor.

Outro dado ajuda a entender a importância de redes fixas e mais robustas. Segundo a TIC Domicílios 2025, 64 milhões de pessoas afirmaram que o pacote de dados do celular acabou pelo menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa, e essa situação atingiu 49% dos moradores do Nordeste que possuíam telefone celular.

Fust ganha papel mais prático na expansão da conectividade

O Fust foi criado para apoiar a universalização dos serviços de telecomunicações e reduzir desigualdades de acesso. Conforme informações do BNDES, o fundo financia projetos de expansão e melhoria das redes, com foco em áreas urbanas desatendidas, regiões rurais, escolas, unidades de saúde e localidades com baixa qualidade de conexão.

No caso do projeto da Aloo Telecom, o investimento aprovado entra no programa BNDES Fust. A linha permite financiar obras de telecomunicações e, segundo o banco, já aprovou mais de R$ 3 bilhões desde 2023 para ampliar redes de banda larga em diferentes regiões do país.

O BNDES informou que esses recursos já apoiaram projetos de 494 provedores de serviço, sendo 98% deles de micro, pequeno e médio porte. A atuação desse tipo de empresa é importante porque muitos municípios do interior dependem de provedores regionais para receber banda larga onde grandes operadoras nem sempre chegam primeiro.

Ainda de acordo com o banco, os projetos do BNDES Fust já alcançaram 1.286 municípios brasileiros. A distribuição informada pelo BNDES mostra presença em todas as regiões, com 31% dos municípios apoiados no Nordeste, o que reforça a prioridade dada à conectividade fora dos grandes centros urbanos.

Obra deve gerar empregos e preparar a região para novos serviços digitais

Além da melhoria na internet, o projeto deve movimentar a economia local durante a fase de implantação. Segundo estimativa divulgada pelo Ministério das Comunicações e pelo BNDES, o número de funcionários diretos da empresa deve passar de 350 para 511 durante as obras.

Após a conclusão da implantação, a previsão é de manutenção de mais de 400 empregos permanentes. Esse efeito é importante porque obras de infraestrutura digital não geram apenas cabos e equipamentos, mas também demanda por técnicos, equipes de manutenção, suporte, operação de rede e atendimento ao cliente.

O BNDES também relaciona a nova rota de alta capacidade à possibilidade de expansão de datacenters e serviços de computação em nuvem no Nordeste. Isso ocorre porque empresas que processam grande volume de dados dependem de redes estáveis, baixa latência e capacidade de transmissão para operar fora dos polos tradicionais.

Para cidades do interior, a chegada de infraestrutura mais forte pode abrir espaço para novos negócios digitais. Pequenas empresas podem vender online com mais estabilidade, escolas podem usar plataformas de ensino com menos interrupções e serviços públicos podem funcionar com mais previsibilidade.

Inclusão digital depende de infraestrutura e qualidade do acesso

O avanço da fibra óptica no Nordeste ocorre em um momento em que a internet se tornou parte da rotina básica da população. Hoje, serviços de banco, inscrição em programas sociais, consultas médicas, aulas, trabalho remoto e emissão de documentos passam cada vez mais por plataformas digitais.

O problema é que estar “conectado” não significa necessariamente ter uma conexão suficiente. Famílias que dependem só de pacotes móveis limitados, sinal instável ou internet lenta acabam tendo acesso parcial às oportunidades digitais, especialmente quando precisam estudar, trabalhar ou resolver serviços públicos online.

Por isso, projetos de rede de transporte de alta capacidade têm impacto estrutural. Eles não substituem automaticamente a contratação de internet pelo consumidor final, mas criam base para que provedores ampliem a oferta, melhorem a qualidade e reduzam gargalos em regiões que antes tinham pouca infraestrutura.

A expansão também pode aumentar a concorrência local. Quando há mais capacidade disponível na rede, provedores regionais conseguem melhorar planos, ampliar cobertura e disputar clientes em áreas onde a conectividade era limitada ou mais cara.

Próximos passos exigem acompanhamento da execução

Apesar do potencial do projeto, o impacto real dependerá da execução da obra, do cumprimento dos prazos e da capacidade de transformar a nova rota de fibra em serviços acessíveis para moradores, empresas e órgãos públicos. A aprovação do financiamento é uma etapa importante, mas ainda não significa que todos os usuários sentirão melhora imediata.

Outro ponto de atenção é garantir que a infraestrutura chegue às áreas que mais precisam. O Fust tem como objetivo reduzir desigualdades regionais, por isso o acompanhamento público dos investimentos ajuda a medir se a política está conectando escolas, pequenas cidades, zonas rurais e comunidades com baixo acesso.

Se a obra avançar como previsto, o Nordeste pode ganhar uma nova base para sustentar serviços digitais mais modernos. Em uma região com milhões de pessoas fora dos grandes polos econômicos, internet de alta velocidade pode significar mais acesso a educação, renda, saúde, inovação e oportunidades de negócios.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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