A travessia sob o Hooghly criou o primeiro túnel de transporte da Índia sob um rio e exigiu controle extremo de infiltrações e do solo saturado
A linha Este Oeste do metrô de Kolkata ganhou seu trecho mais sensível ao passar por baixo do rio Hooghly. O coração do projeto está em dois túneis gêmeos que fazem a ligação entre Kolkata e Howrah.
A travessia acontece em um terreno aluvial com areias, siltes e argilas saturadas, um tipo de solo que pode reagir a pequenas mudanças de pressão. Isso elevou o nível de cuidado com escavação, vedação e monitoramento em áreas densamente ocupadas na superfície.
O corredor inteiro tem 16,6 km de extensão total, com trechos elevados e subterrâneos. Dentro desse conjunto, a passagem sob o rio virou referência por ser a primeira do tipo no país.
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O trecho mais delicado da linha Este Oeste fica exatamente sob o rio Hooghly
O ponto crítico do projeto é o cruzamento de 520 metros sob o Hooghly, feito com túneis gêmeos. A estrutura conecta dois lados urbanos que dependem de deslocamento diário intenso.
A escavação foi posicionada a cerca de 13 m abaixo do leito do rio. Essa profundidade busca reduzir riscos ligados à erosão do fundo, mas mantém o túnel dentro de camadas muito deformáveis.
Por isso, cada etapa exigiu controle rígido para evitar deslocamentos no solo e qualquer impacto nos bairros acima.
A linha tem 16,6 km e concentra cerca de 10 a 11 km em trechos subterrâneos

O corredor Este Oeste soma 16,6 km, com partes elevadas e partes em túnel. A extensão subterrânea chega a 10 a 11 km, atravessando áreas densas e com infraestrutura antiga.
Esse tipo de traçado aumenta o desafio, porque o trabalho acontece abaixo de ruas estreitas, prédios antigos e redes urbanas sensíveis.
O resultado é uma obra que precisa manter estabilidade contínua, sem margem para oscilações bruscas durante a escavação.
O solo de Kolkata mistura areia, silte, argila e turfa com água por toda parte
A geologia local é dominada por depósitos aluviais com areias, siltes, argilas e turfas, além de camadas de argila mais rígida intercaladas. Isso cria mudanças rápidas no comportamento do terreno ao longo do trajeto.
Sob o rio, foi possível aproveitar uma camada de argila relativamente rígida. Já nas margens urbanas, surgiram misturas de areia e argila saturada, com maior risco de infiltração.
Em um cenário assim, qualquer perda de controle pode gerar recalques, fissuras e danos em superfície.
Tuneladoras de pressão de terra precisaram manter o equilíbrio do “solo vivo”

A escavação foi feita com tuneladoras de pressão de terra, ajustadas para terreno macio. A função principal é sustentar o frente de escavação e equilibrar a pressão do solo e da água.
O avanço exigiu precisão, porque pequenas variações na pressão interna ou na velocidade de escavação podem provocar movimentos no terreno.
Esse comportamento deu origem à ideia de “solo vivo”, já que o ambiente reage de forma sensível a mudanças mínimas.
Vedação com juntas hidrofílicas e vida útil de projeto de 120 anos
Os túneis foram montados com anéis de concreto pré fabricado e juntas hidrofílicas, projetadas para expandir e vedar quando há contato com água. O conjunto tem vida útil de projeto estimada em 120 anos.
Essa solução ajuda a conter infiltrações e reforça a segurança estrutural do trecho sob o rio.
Mesmo assim, o controle de água continua sendo um dos pontos mais críticos, especialmente em terreno saturado.
Congelamento do terreno ajudou a escavar áreas críticas perto do rio
Em zonas mais sensíveis, como acessos e poços próximos ao Hooghly, foi usado congelamento localizado do terreno e melhoria do solo. A técnica endurece temporariamente as areias saturadas.
Isso reduz o risco de colapso durante a escavação e evita que o local vire um caminho de entrada de água.
O método funciona como um reforço provisório para atravessar pontos onde o terreno é mais instável.
Mahakaran e Sealdah entraram no radar com monitoramento milimétrico de assentamentos
Quando a tuneladora se aproximou de áreas históricas e densas, como Mahakaran e Sealdah, redes de monitoramento foram instaladas com centenas de pontos de medição.
O objetivo foi acompanhar assentamentos e movimentos em edifícios e serviços urbanos, detectando qualquer alteração logo no início.
A preocupação cresceu porque incidentes de afundamento e danos em moradias em outra fase do projeto mostraram como falhas localizadas podem afetar regiões inteiras.
A travessia sob o Hooghly consolidou Kolkata como a primeira cidade indiana com um túnel de transporte sob um grande rio, com destaque para os 520 metros em túneis gêmeos.
Além do impacto urbano, o projeto deixa uma mensagem clara: em solo aluvial saturado, a segurança depende de pressão estável, vedação eficiente e monitoramento constante para evitar infiltrações e recalques.

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