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O nível do mar está subindo como não acontecia há 4.000 anos, e cientistas alertam que cidades gigantes da China podem enfrentar um problema muito maior do que parecia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 26/04/2026 às 00:38
Atualizado em 27/04/2026 às 07:25
Nível do mar sobe em ritmo recorde e amplia risco em cidades costeiras da China, onde o solo também afunda.
Nível do mar sobe em ritmo recorde e amplia risco em cidades costeiras da China, onde o solo também afunda.
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Estudo da Universidade Rutgers aponta que o nível do mar avança no ritmo mais acelerado em pelo menos 4.000 anos, enquanto o afundamento do solo amplia o risco em megacidades costeiras da China, especialmente em deltas marcados por baixa altitude, urbanização intensa e atividade industrial

O nível do mar está subindo em um ritmo sem paralelo há pelo menos 4.000 anos, enquanto grandes centros costeiros da China enfrentam um risco adicional: o afundamento gradual do solo. A combinação entre a elevação das águas e a subsidência coloca cidades instaladas em deltas de rios entre as áreas mais vulneráveis a inundações cada vez mais frequentes.

Pesquisadores da Universidade Rutgers apontam que o avanço do oceano ocorre ao mesmo tempo em que parte do terreno urbano perde altitude, especialmente em regiões marcadas por intensa atividade humana. A análise indica que esse processo pode acelerar os impactos em centros costeiros e também mostra que parte do problema pode ser reduzida com medidas de gestão urbana.

Nível do mar sobe em ritmo recorde há mais de um século

O estudo estima que, desde 1900, o nível médio global do mar subiu cerca de um milímetro e meio por ano. Esse ritmo é descrito pelos pesquisadores como mais rápido do que qualquer período de um século identificado em evidências geológicas dos últimos quatro milênios.

A constatação marca uma ruptura em relação ao comportamento anterior dos oceanos. Por aproximadamente 4.000 anos, o nível do mar permaneceu relativamente estável, até começar a subir de forma mais clara a partir do século XIX.

A pesquisa também estima que pelo menos 94% da rápida subsidência urbana moderna na região analisada está ligada à atividade humana. O dado diferencia o afundamento acelerado das cidades do assentamento natural do solo, que pode ocorrer em áreas formadas por sedimentos moles.

Como os pesquisadores reconstruíram a história do oceano

Para entender a variação do nível do mar antes dos registros instrumentais modernos, a equipe usou milhares de marcadores naturais. Entre eles estão antigos recifes de coral e manguezais, ambientes capazes de preservar sinais de onde a linha costeira esteve em diferentes períodos.

Essas pistas permitiram aos cientistas acompanhar mudanças ocorridas ao longo do Holoceno, período atual da história da Terra iniciado após a última grande era glacial. A reconstrução ajudou a comparar o comportamento recente do oceano com tendências observadas em uma escala de milhares de anos.

A análise também combinou esses registros naturais com medições modernas, como marégrafos instalados na costa. Esses equipamentos funcionam como réguas de longa duração e ajudam a medir a variação das águas ao longo do tempo.

Os pesquisadores utilizaram ainda uma ferramenta estatística chamada PaleoSTeHM. O recurso ajudou a reunir registros ruidosos em uma reconstrução mais clara, considerando margens de incerteza e conectando dados geológicos antigos às medições recentes.

Calor dos oceanos e derretimento do gelo impulsionam a alta

Um dos fatores por trás da elevação do nível do mar é o aumento da temperatura. Quando o planeta aquece, os oceanos absorvem parte expressiva dessa energia, e a água aquecida passa a ocupar mais espaço.

Esse processo faz o oceano subir mesmo sem a entrada de nova água. A expansão térmica, portanto, aparece como um dos componentes centrais da mudança observada desde o início do século XX.

Outro fator importante é o derretimento do gelo terrestre. Geleiras e grandes calotas polares, como as da Groenlândia e da Antártica, contribuem para elevar o volume de água que chega aos oceanos.

Uma análise de 2020 sobre as causas da elevação do nível do mar desde 1900 identificou a perda de gelo como um fator relevante. O aquecimento dos oceanos também aparece como parte essencial desse processo.

Afundamento do solo amplia risco em cidades costeiras

Em muitas cidades costeiras, a elevação do nível do mar representa apenas parte do problema. O risco aumenta quando o solo também afunda, reduzindo a distância entre áreas urbanas e a superfície da água.

Em algumas regiões de Xangai, o terreno afundou mais de 90 centímetros durante o século XX. O processo ocorreu em grande parte por causa da intensa extração de água subterrânea, fazendo a cidade se aproximar da água antes mesmo de considerar a alta do oceano.

Esse fenômeno é chamado de subsidência. Ele pode ocorrer naturalmente em solos formados por sedimentos moles, mas também pode ser acelerado pela retirada de água subterrânea e pelo peso de construções densas.

Yucheng Lin, atualmente cientista da CSIRO, agência nacional de pesquisa da Austrália, afirmou que Xangai não está mais afundando tão rápido. A mudança ocorreu depois que a cidade passou a endurecer as regras para o uso de água subterrânea.

Deltas chineses concentram vulnerabilidade

Muitas megacidades costeiras da China estão localizadas em deltas de rios, áreas formadas por sedimentos espessos e encharcados. Esses sedimentos se compactam ao longo do tempo, aumentando a vulnerabilidade quando há urbanização intensa.

O estudo destaca o Delta do Rio Yangtzé e o Delta do Rio das Pérolas. Essas regiões combinam baixa altitude, crescimento acelerado e forte atividade industrial, características que ampliam a exposição a inundações.

O risco não se limita à China. Os pesquisadores também citam grandes cidades costeiras como Nova York, Jacarta e Manila, situadas em planícies baixas onde a subida das águas pode se somar ao afundamento do solo.

Essa combinação pode transformar uma inundação rara em um problema constante. Quando regiões produtivas e logísticas importantes ficam mais expostas, os efeitos podem alcançar transporte, cadeias de suprimentos e produtos do dia a dia.

Medidas urbanas podem ganhar tempo contra o avanço das águas

A pesquisa indica que algumas medidas podem reduzir parte do risco. Cidades que diminuem a extração de água subterrânea ou devolvem água ao subsolo com cuidado podem desacelerar o afundamento do terreno.

Essas ações não eliminam a elevação do nível do mar, mas podem diminuir a velocidade com que o risco de inundação aumenta. Em áreas densamente povoadas, ganhar tempo se torna parte central do planejamento costeiro.

O trabalho também inclui mapas de vulnerabilidade destinados a identificar pontos críticos locais. A proposta é evitar que toda a costa seja tratada como se tivesse o mesmo comportamento, já que cada área pode responder de forma diferente.

A pesquisa teve apoio da Fundação Nacional de Ciência e da NASA. O estudo original foi publicado na revista Nature e reforça que gestão de águas subterrâneas, peso das construções e planejamento costeiro são parte da resposta urbana enquanto o nível do mar continua subindo.

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Gernandes Mota
Gernandes Mota
27/04/2026 10:33

Segundo os dados apresentados, Parati e Veneza devem ter desaparecido…..ou estamos vivendo numa Matriz????

Luan Barbosa
Luan Barbosa
Em resposta a  Gernandes Mota
27/04/2026 11:18

onde está escrito isso no texto?

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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