Estudo da Universidade Rutgers aponta que o nível do mar avança no ritmo mais acelerado em pelo menos 4.000 anos, enquanto o afundamento do solo amplia o risco em megacidades costeiras da China, especialmente em deltas marcados por baixa altitude, urbanização intensa e atividade industrial
O nível do mar está subindo em um ritmo sem paralelo há pelo menos 4.000 anos, enquanto grandes centros costeiros da China enfrentam um risco adicional: o afundamento gradual do solo. A combinação entre a elevação das águas e a subsidência coloca cidades instaladas em deltas de rios entre as áreas mais vulneráveis a inundações cada vez mais frequentes.
Pesquisadores da Universidade Rutgers apontam que o avanço do oceano ocorre ao mesmo tempo em que parte do terreno urbano perde altitude, especialmente em regiões marcadas por intensa atividade humana. A análise indica que esse processo pode acelerar os impactos em centros costeiros e também mostra que parte do problema pode ser reduzida com medidas de gestão urbana.
Nível do mar sobe em ritmo recorde há mais de um século
O estudo estima que, desde 1900, o nível médio global do mar subiu cerca de um milímetro e meio por ano. Esse ritmo é descrito pelos pesquisadores como mais rápido do que qualquer período de um século identificado em evidências geológicas dos últimos quatro milênios.
-
David Camacho, o menino gênio mexicano de 10 anos com QI de 162 acima do de Einstein, fez treinamento de astronauta na NASA, fala quatro idiomas e criou um aplicativo para ajudar crianças a lidar com as emoções depois do bullying que sofreu
-
Londres esperou mais de 360 anos por esta cena: quatro filhotes de pelicano nascem no St James’s Park, surpreendem especialistas, lembram pequenos dinossauros e transformam um isolamento causado pela gripe aviária em um capítulo histórico para as aves que vivem ao lado da realeza britânica desde 1664
-
A NASA flagrou por satélite um vulcão submarino em erupção no Mar de Bismarck, no Pacífico, e agora os cientistas esperam para ver se uma nova ilha vai nascer ali diante das câmeras, um fenômeno raríssimo de acompanhar ao vivo do espaço
-
O deserto do Atacama, o lugar mais seco da Terra, se cobriu de flores e virou um tapete colorido com mais de 200 espécies no fenômeno chamado deserto florido, quando chuvas atípicas despertam sementes que tinham ficado adormecidas no solo por muitos anos
A constatação marca uma ruptura em relação ao comportamento anterior dos oceanos. Por aproximadamente 4.000 anos, o nível do mar permaneceu relativamente estável, até começar a subir de forma mais clara a partir do século XIX.
A pesquisa também estima que pelo menos 94% da rápida subsidência urbana moderna na região analisada está ligada à atividade humana. O dado diferencia o afundamento acelerado das cidades do assentamento natural do solo, que pode ocorrer em áreas formadas por sedimentos moles.
Como os pesquisadores reconstruíram a história do oceano
Para entender a variação do nível do mar antes dos registros instrumentais modernos, a equipe usou milhares de marcadores naturais. Entre eles estão antigos recifes de coral e manguezais, ambientes capazes de preservar sinais de onde a linha costeira esteve em diferentes períodos.
Essas pistas permitiram aos cientistas acompanhar mudanças ocorridas ao longo do Holoceno, período atual da história da Terra iniciado após a última grande era glacial. A reconstrução ajudou a comparar o comportamento recente do oceano com tendências observadas em uma escala de milhares de anos.
A análise também combinou esses registros naturais com medições modernas, como marégrafos instalados na costa. Esses equipamentos funcionam como réguas de longa duração e ajudam a medir a variação das águas ao longo do tempo.
Os pesquisadores utilizaram ainda uma ferramenta estatística chamada PaleoSTeHM. O recurso ajudou a reunir registros ruidosos em uma reconstrução mais clara, considerando margens de incerteza e conectando dados geológicos antigos às medições recentes.
Calor dos oceanos e derretimento do gelo impulsionam a alta
Um dos fatores por trás da elevação do nível do mar é o aumento da temperatura. Quando o planeta aquece, os oceanos absorvem parte expressiva dessa energia, e a água aquecida passa a ocupar mais espaço.
Esse processo faz o oceano subir mesmo sem a entrada de nova água. A expansão térmica, portanto, aparece como um dos componentes centrais da mudança observada desde o início do século XX.
Outro fator importante é o derretimento do gelo terrestre. Geleiras e grandes calotas polares, como as da Groenlândia e da Antártica, contribuem para elevar o volume de água que chega aos oceanos.
Uma análise de 2020 sobre as causas da elevação do nível do mar desde 1900 identificou a perda de gelo como um fator relevante. O aquecimento dos oceanos também aparece como parte essencial desse processo.
Afundamento do solo amplia risco em cidades costeiras
Em muitas cidades costeiras, a elevação do nível do mar representa apenas parte do problema. O risco aumenta quando o solo também afunda, reduzindo a distância entre áreas urbanas e a superfície da água.
Em algumas regiões de Xangai, o terreno afundou mais de 90 centímetros durante o século XX. O processo ocorreu em grande parte por causa da intensa extração de água subterrânea, fazendo a cidade se aproximar da água antes mesmo de considerar a alta do oceano.
Esse fenômeno é chamado de subsidência. Ele pode ocorrer naturalmente em solos formados por sedimentos moles, mas também pode ser acelerado pela retirada de água subterrânea e pelo peso de construções densas.
Yucheng Lin, atualmente cientista da CSIRO, agência nacional de pesquisa da Austrália, afirmou que Xangai não está mais afundando tão rápido. A mudança ocorreu depois que a cidade passou a endurecer as regras para o uso de água subterrânea.
Deltas chineses concentram vulnerabilidade
Muitas megacidades costeiras da China estão localizadas em deltas de rios, áreas formadas por sedimentos espessos e encharcados. Esses sedimentos se compactam ao longo do tempo, aumentando a vulnerabilidade quando há urbanização intensa.
O estudo destaca o Delta do Rio Yangtzé e o Delta do Rio das Pérolas. Essas regiões combinam baixa altitude, crescimento acelerado e forte atividade industrial, características que ampliam a exposição a inundações.
O risco não se limita à China. Os pesquisadores também citam grandes cidades costeiras como Nova York, Jacarta e Manila, situadas em planícies baixas onde a subida das águas pode se somar ao afundamento do solo.
Essa combinação pode transformar uma inundação rara em um problema constante. Quando regiões produtivas e logísticas importantes ficam mais expostas, os efeitos podem alcançar transporte, cadeias de suprimentos e produtos do dia a dia.
Medidas urbanas podem ganhar tempo contra o avanço das águas
A pesquisa indica que algumas medidas podem reduzir parte do risco. Cidades que diminuem a extração de água subterrânea ou devolvem água ao subsolo com cuidado podem desacelerar o afundamento do terreno.
Essas ações não eliminam a elevação do nível do mar, mas podem diminuir a velocidade com que o risco de inundação aumenta. Em áreas densamente povoadas, ganhar tempo se torna parte central do planejamento costeiro.
O trabalho também inclui mapas de vulnerabilidade destinados a identificar pontos críticos locais. A proposta é evitar que toda a costa seja tratada como se tivesse o mesmo comportamento, já que cada área pode responder de forma diferente.
A pesquisa teve apoio da Fundação Nacional de Ciência e da NASA. O estudo original foi publicado na revista Nature e reforça que gestão de águas subterrâneas, peso das construções e planejamento costeiro são parte da resposta urbana enquanto o nível do mar continua subindo.

Segundo os dados apresentados, Parati e Veneza devem ter desaparecido…..ou estamos vivendo numa Matriz????
onde está escrito isso no texto?