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O mar secou, virou deserto e agora o Aralkum surpreende cientistas ao abrigar 91 espécies de aves em uma paisagem extrema, salinizada e castigada por ventos fortes

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 07/05/2026 às 08:53 Atualizado em 07/05/2026 às 08:55
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Formado sobre o antigo leito do Mar de Aral, o deserto Aralkum virou uma área extrema e salinizada onde 91 espécies de aves revelam como a fauna se adapta à falta de água

O deserto Aralkum, formado sobre o antigo leito do Mar de Aral, reúne 91 espécies de aves em área árida e salinizada, onde pesquisadores acompanham a adaptação da fauna a extremos.

Novo Ecossistema, Espécies, Mar
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Deserto recente no antigo mar

O deserto Aralkum surgiu com a retração do Mar de Aral, crise hídrica ligada a atividades humanas desde a segunda metade do século XX. A perda de água expôs áreas do antigo fundo marinho.

Com esse processo, o terreno começou a secar, acumular sal e ganhar características de deserto. O resultado foi uma paisagem incomum, marcada por ventos fortes, pouca água disponível e solos salinizados.

A área reúne setores com sal, zonas arenosas, trechos rochosos e pontos onde a vegetação pioneira tenta se fixar. Esse mosaico alterou a circulação de poeira, o clima local e a ocupação da fauna.

A mudança pesa sobre comunidades vizinhas. Tempestades de poeira salinizada carregam resíduos antigos de fertilizantes e pesticidas, afetando a saúde humana e influenciando a produtividade agrícola.

Aves indicam transformação

As aves estão entre os indicadores mais usados para avaliar ecossistemas em mudança rápida. No deserto Aralkum, levantamentos ornitológicos identificaram 91 espécies, em 12 ordens e 26 famílias.

O número é expressivo para uma paisagem recente e submetida a forte estresse ambiental. Com escassez de água e solos difíceis, a região virou laboratório natural.

Entre as 91 espécies registradas, 13 aparecem na Lista Vermelha do Uzbequistão. Algumas também constam em listas internacionais de conservação, ampliando o interesse global e orientando prioridades de proteção.

Há aves residentes, que permanecem o ano inteiro, e migratórias, que usam o Aralkum como escala em rotas intercontinentais. As ameaçadas dependem de áreas úmidas remanescentes e elevações rochosas.

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Seis habitats sustentam a diversidade

Para entender a ecologia das aves, pesquisadores dividiram o Aralkum em seis grandes tipos de biotopos. Cada um apresenta solo, relevo, umidade e vegetação próprios.

Essa classificação permite relacionar grupos de espécies a ambientes específicos. Também ajuda a identificar zonas prioritárias para conservação, especialmente onde ainda há água, vegetação ou abrigo contra eventos extremos.

Mesmo em paisagem desértica, a variedade de ambientes explica parte da divresidade de aves registrada. Manchas de água e áreas vegetadas funcionam como refúgios durante ondas de calor e secas prolongadas.

Os biotopos salinos, chamados solonchak, mantêm crostas de sal sobre o antigo fundo do mar. A vegetação é escassa e adaptada à salinidade, mas algumas aves limícolas exploram invertebrados do solo em períodos úmidos.

Setores arenosos, formados por dunas e campos de areia, abrigam plantas rasteiras e arbustos espaçados. Eles são usados por aves que nidificam no chão ou em pequenas moitas e por espécies que caçam insetos.

Regiões pedregosas e cascalhosas têm solo firme, coberto por pedras e cascalho fino. Esse ambiente favorece aves terrícolas que dependem de camuflagem e espécies que usam fendas entre rochas.

Água e escarpas mantêm rotas do deserto de Aralkum

Os desertos argilosos oferecem superfícies compactas, lisas ou onduladas. Nesses trechos, aves que percorrem grandes distâncias a pé encontram terreno mais estável para procurar alimento.

Elevações e chinks, as escarpas do Aralkum, são essenciais para aves que nidificam em falésias. Esses relevos também favorecem espécies que usam correntes de ar ascendentes para planar e caçar.

As áreas aquáticas incluem lagoas remanescentes, canais, poças temporárias e rios. Embora fragmentadas, essas manchas mantêm aves aquáticas e atraem migratórias em busca de descanso e alimentação.

Pesquisas acompanham ninhos e migração

Equipes do Instituto de Zoologia realizam campanhas de campo em diferentes épocas do ano para acompanhar a evolução do novo ambinete. O trabalho combina transectos, observação direta e registro acústico das espécies.

Em uma etapa no outono de 2025, pesquisadores percorreram cerca de 140 quilômetros no distrito de Muynak, em Karakalpakstão. A ação focou registro de aves, mapeamento de ninhos e medição de habitats.

Os dados alimentam bancos de longo prazo e apoiam medidas de conservação da avifauna do deserto Aralkum. Entre elas estão a delimitação de áreas-chave e o controle de atividades humanas que degradam biotopos sensíveis.

As ações também incluem restauração de zonas úmidas em cooperação com iniciativas internacionais. Reflorestamento com arbustos tolerantes à salinidade, corredores ecológicos e telemetria ajudam a acompanhar rotas migratórias.

Com informações de Revista Oeste.

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Romário Pereira de Carvalho

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