Em entrevista à CNBC, o co-CEO da Netflix afirma que relê repetidamente um romance publicado em 1902, usado como referência prática para decisões de alto risco, gestão de incertezas e formação de liderança ao longo de sua trajetória executiva na empresa de streaming
O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, afirmou que relê repetidamente o romance “Tufão”, de 1902, para aprender sobre liderança, citando a obra como referência pessoal ao tomar decisões de alto risco financeiro e lidar com incertezas ao longo de sua trajetória na empresa.
Um romance do início do século como principal referência de liderança
Sarandos declarou que não mantém livros de gestão em sua pasta de trabalho, em sua mesa ou na cabeceira da cama. Segundo ele, a aprendizagem sobre liderança ocorre por meio da leitura de romances, e não de manuais empresariais tradicionais.
Em entrevista ao programa “Leaders Playbook”, da CNBC, o executivo afirmou que seu livro favorito sobre gestão é “Tufão”, novela publicada em 1902 por Joseph Conrad. A obra retrata um capitão e sua tripulação enfrentando uma tempestade em alto-mar.
-
Fila de caminhões no litoral do Piauí antecipa operação histórica no Porto de Luís Correia, onde 120 mil toneladas de minério de ferro extraídas em Piripiri devem seguir para a China e marcar o início de uma estrutura portuária esperada há décadas
-
Poucos sabem, mas desde 2026 o CPF virou uma ferramenta de rastreamento fiscal no Brasil
-
Melhor que no Brasil? Dono da Havan quer levar a rede para o Paraguai e Uruguai: “Confesso que nunca tinha pensado nisso”
-
Quanto ganha um dono de posto de gasolina? Negócio que parece uma máquina de dinheiro pode faturar R$ 1,5 milhão por mês e ainda lucrar só R$ 40 mil, enquanto o verdadeiro ganho vem da conveniência, lavagem e serviços extras
“À primeira vista, não parece uma história sobre gestão, mas acho que é a história de liderança mais impactante que já li”, disse Sarandos, de 61 anos. Ele afirmou que relê o livro diversas vezes porque encontra novos aprendizados a cada leitura.
Mudança de percepção ao longo do tempo e lições sobre incerteza
Sarandos contou que, quando leu “Tufão” pela primeira vez, há cerca de 20 anos, interpretou o capitão como um personagem imprudente, capaz de colocar a si mesmo e sua família em perigo durante decisões arriscadas.
Em leituras mais recentes, o executivo afirmou ter extraído uma lição diferente. Para ele, o livro passou a representar um estudo sobre liderança em contextos de conflito, incerteza e decisões que nem sempre produzem os resultados esperados.
“O que eu vejo é que, ao longo da vida e nos negócios, tomamos muitas decisões que não saem como o esperado”, afirmou Sarandos. Segundo ele, o verdadeiro teste da liderança está na forma como essas situações são enfrentadas.
Aprendizados práticos aplicados à trajetória na Netflix
Sarandos ingressou na Netflix em 2000 como chefe de operações de conteúdo. Ele afirmou que aprendeu a lidar ainda mais com a incerteza enquanto trabalhou ao lado do cofundador e então CEO da empresa, Reed Hastings.
Segundo Sarandos, a principal lição recebida de Hastings foi escolher as melhores pessoas, fornecer as ferramentas adequadas e permitir que trabalhem com autonomia. Essa abordagem, disse ele, influenciou decisões estratégicas relevantes ao longo dos anos.
O executivo relembrou um episódio específico em que exerceu ampla autonomia ao realizar um grande investimento financeiro sem garantia de retorno. O caso ocorreu cerca de uma década após sua entrada na empresa de streaming.
O investimento de US$ 100 milhões e o risco calculado
Sarandos afirmou ter autorizado o investimento de US$ 100 milhões para produzir a primeira série original da Netflix, “House of Cards”. Além disso, aprovou duas temporadas do projeto sem solicitar autorização prévia de Hastings.
Segundo o executivo, ao ser questionado sobre a decisão, explicou que se tratava de uma análise direta de risco e recompensa. Caso a série fracassasse, a empresa teria pago caro, algo que já ocorria em outros projetos.
Por outro lado, se fosse bem-sucedida, poderia transformar completamente o mercado de streaming. A decisão, segundo Sarandos, refletiu princípios semelhantes aos observados no romance de Conrad, onde liderar envolve agir mesmo sob condições adversas.
Outros líderes empresariais e a influência da ficção
Sarandos não é o único executivo a citar a ficção como fonte de aprendizado. O estilo de liderança do fundador da Amazon, Jeff Bezos, foi parcialmente moldado pelo romance “Os Vestígios do Dia”, de Kazuo Ishiguro.
A informação consta na biografia “The Everything Store”, escrita por Brad Stone. Já o cofundador da Microsoft, Bill Gates, frequentemente destaca o valor da leitura de ficção em publicações pessoais.
Em uma postagem de blog datada de 25 de novembro, Gates afirmou que alguns romances podem revelar como algo importante realmente funciona, oferecendo perspectivas que não aparecem em análises técnicas tradicionais.
A leitura de ficção como ferramenta acessível de desenvolvimento
Segundo Brooke Vuckovic, professora de liderança da Universidade Northwestern, qualquer pessoa pode extrair lições práticas de romances se adotar uma leitura analítica e estruturada.
Ela afirmou à CNBC Make It, em janeiro de 2023, que resumir enredos, analisar motivações de personagens e traçar paralelos com desafios profissionais permite aplicar aprendizados ao cotidiano de trabalho, de forma contínua e de baixo custo.
Para Vuckovic, muitos líderes buscam formas constantes de desenvolvimento, e a ficção representa uma ferramenta subutilizada, mas poderosa, quando lida corretamente. Esse potencial, segundo ela, permanece pouco explorado nas rotinas corporativas atuias.
Este artigo foi elaborado com base em entrevista e informações publicadas pela CNBC Make It, incluindo declarações de Ted Sarandos, referências a obras citadas e análises de especialistas mencionados no material original.

Seja o primeiro a reagir!