Aeronave da Embraer reúne transporte tático, lançamento aéreo, evacuação médica e reabastecimento em voo, além de avançar no mercado internacional e ampliar a presença da indústria brasileira de defesa em forças aéreas estrangeiras.
O C-390 Millennium, desenvolvido pela Embraer para a Força Aérea Brasileira, é o maior avião militar produzido no Brasil e reúne, em uma mesma plataforma, funções de transporte tático, lançamento de tropas e cargas, evacuação aeromédica e reabastecimento em voo.
A aeronave também passou a ocupar espaço no mercado externo, com seleção ou contratação por forças aéreas da Europa e da Ásia.
Entre os diferenciais do modelo estão a capacidade de carga, a velocidade e a variedade de missões que pode cumprir.
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Segundo a Embraer, o C-390 transporta até 26 toneladas de carga útil e alcança velocidade de até 470 nós.
A fabricante informa ainda que a aeronave foi projetada para operar em diferentes cenários, incluindo pistas temporárias ou não preparadas, como superfícies de terra, cascalho e solo compactado.
Esse perfil operacional amplia o uso do avião em missões militares, ações de apoio logístico e operações de resposta a emergências.
Em vez de depender apenas de aeroportos estruturados, a aeronave pode atuar em áreas com infraestrutura limitada, o que, segundo a FAB e a Embraer, aumenta a flexibilidade da operação.
C-390 Millennium e capacidade de transporte militar
O projeto foi concebido com foco em mobilidade tática e logística.
Por isso, o compartimento de carga e a rampa traseira foram dimensionados para receber equipamentos volumosos, pallets, viaturas e pessoal militar.
A FAB informa, desde a incorporação do modelo, que o KC-390 foi desenvolvido para cumprir missões de transporte aéreo logístico, lançamento de cargas e de paraquedistas, além de apoiar operações conjuntas com outras forças.

Esse conjunto de funções já foi empregado em treinamentos e exercícios.
Em uma operação com participação da Força Aérea dos Estados Unidos, divulgada pela FAB, foram lançados cerca de 1.600 paraquedistas e 22 plataformas com carga pesada.
O exercício serviu para testar a compatibilidade da aeronave com esse tipo de missão.
Em outra frente, a força aérea brasileira informou ter realizado lançamentos de paraquedistas a grande altitude, ampliando o uso operacional do avião.
Reabastecimento em voo do KC-390
Além do transporte, o programa inclui a versão KC-390, preparada para reabastecimento em voo.
De acordo com a Embraer, a aeronave pode atuar tanto como tanque quanto como receptora de combustível.
Na prática, isso significa que o avião consegue abastecer outras aeronaves e também receber combustível em pleno voo, desde que esteja configurado para essa função.
Nos últimos anos, FAB e Embraer ampliaram os testes dessa capacidade.
Em 2025, Embraer, Saab, FAB e DCTA concluíram uma campanha de ensaios para validar o reabastecimento em voo do Gripen E pelo KC-390, em diferentes velocidades, altitudes e configurações.
A força aérea brasileira também informa que o modelo já possui qualificação como reabastecedor e como receptor de combustível.
Certificação operacional e uso do C-390 na FAB
Um dos marcos do programa ocorreu em 2023, quando a FAB recebeu uma aeronave com certificação FOC, sigla em inglês para capacidade operacional completa.
Na ocasião, a própria força informou que o certificado confirmava que o KC-390 estava apto a executar todas as missões para as quais havia sido projetado.
Desde que entrou em serviço no Brasil, em 2019, o modelo passou a ser empregado em missões logísticas, treinamentos e exercícios multinacionais.
Em setembro de 2024, a FAB informou que a aeronave já havia acumulado mais de 15 mil horas de voo.
Depois disso, a Embraer atualizou o dado e afirmou que a frota global do C-390 superava 16 mil horas, com 93% de capacidade de missão e índice de conclusão acima de 99%.
Exportações do C-390 e avanço no mercado internacional
O avanço no exterior se tornou um dos principais indicadores da trajetória do cargueiro brasileiro.
O programa, inicialmente voltado às necessidades da FAB, passou a atrair forças aéreas que tradicionalmente operavam outras aeronaves de transporte militar.
Em outubro de 2024, a Embraer anunciou a assinatura do contrato com a República Tcheca para duas unidades e informou que aquele era o quarto país da OTAN a fechar a aquisição do C-390.
Na sequência, a carteira internacional continuou a crescer.
Em comunicados divulgados em 2025 e 2026, a Embraer passou a listar o C-390 como selecionado ou contratado por Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Eslováquia, Lituânia e Uzbequistão.

Segundo a fabricante, a aeronave é interoperável com o ambiente da OTAN, característica apontada como relevante por forças aéreas europeias.
Esse movimento colocou o modelo brasileiro em um segmento historicamente ocupado por outras plataformas de transporte tático.
A Embraer afirma que o avião reúne desempenho operacional, versatilidade e menor custo de operação.
Já o dado mais objetivo sobre esse avanço é o crescimento do número de países que selecionaram ou contrataram a aeronave.
Indústria brasileira de defesa e o peso do programa
No plano industrial, o C-390 ampliou a presença da Embraer em um segmento de alta complexidade tecnológica.
Para a FAB, o KC-390 se tornou um vetor importante de mobilidade estratégica e um dos principais projetos da aviação militar nacional.
Ao mesmo tempo, a expansão internacional do programa mostra que a indústria aeronáutica brasileira conseguiu inserir uma plataforma própria em forças aéreas com exigências elevadas de certificação e interoperabilidade.
O C-390 reúne, em um único projeto, transporte de carga, lançamento aéreo, apoio humanitário e reabastecimento em voo, com uso regular no Brasil e presença crescente no mercado externo.


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